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Endividamento recua, mas 81,7% das famílias ainda têm dívidas no Brasil

O percentual de famílias endividadas caiu pela primeira vez em 2026, mas continua em nível elevado. Em setembro, 81,7% dos lares tinham algum compromisso financeiro a vencer, enquanto 29,6% estavam com contas em atraso; dados do Banco Central também mostram que quase metade da renda anual das famílias está comprometida com dívidas.

Endividamento recua, mas 81,7% das famílias ainda têm dívidas no Brasil

Endividamento das famílias · RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

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O endividamento das famílias brasileiras começou a dar sinais de alívio após meses de avanço, mas o quadro financeiro ainda exige atenção. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC, mostrou que a proporção de famílias com dívidas caiu de 82% em agosto para 81,7% em setembro de 2026, primeira redução registrada no ano.

Mesmo com a melhora, o índice permanece acima dos 79,2% registrados em setembro de 2025. A pesquisa considera compromissos como cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos, crédito consignado e prestações de veículos e imóveis, mesmo quando os pagamentos estão em dia.

Inadimplência também recua, mas atraso fica mais longo

A parcela de famílias com contas vencidas caiu de 29,9% para 29,6%, atingindo o menor patamar desde março de 2026. O percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de pagar os débitos atrasados permaneceu em 12,5%.

O recuo, porém, veio acompanhado de outro sinal de pressão. Entre quem já estava inadimplente, o tempo médio de atraso chegou a 65,3 dias, maior nível desde novembro de 2024. Isso indica que, embora menos famílias tenham entrado em atraso, parte das dívidas existentes está demorando mais para ser regularizada.

A parcela de famílias que se considera muito endividada também apresentou leve redução, passando de 17,4% para 17,3% em um mês.

Dívida ainda compromete parcela elevada da renda

Os números da CNC mostram quantas famílias possuem compromissos financeiros, enquanto os dados do Banco Central ajudam a medir o peso dessas obrigações sobre a renda.

Em julho de 2026, o endividamento das famílias com o sistema financeiro equivalia a 49,9% da renda acumulada em 12 meses, alta de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já o comprometimento mensal da renda com pagamento de juros e amortizações chegou a 28,7%. Na prática, isso significa que uma parcela relevante do orçamento doméstico continua sendo direcionada ao pagamento de financiamentos e empréstimos antes mesmo de despesas como alimentação, transporte e lazer.

Famílias de menor renda continuam mais expostas

A redução do endividamento ocorreu em diferentes faixas de renda, mas os níveis continuam mais altos entre os grupos que recebem menos. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, 84,6% estavam endividadas em setembro. Entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, a proporção era de 71,9%.

Essa diferença ajuda a explicar por que inflação, juros e custo do crédito pesam de maneira desigual. Famílias de menor renda tendem a destinar uma parcela maior do orçamento às despesas essenciais e possuem menor margem para absorver aumentos inesperados sem recorrer ao crédito.

O cenário também mostra que endividamento e inadimplência são conceitos diferentes. Uma família pode ter financiamento ou compras parceladas e manter todos os pagamentos em dia. O problema se agrava quando as prestações começam a atrasar ou quando uma parcela excessiva da renda precisa ser destinada ao serviço da dívida.

Juros altos continuam pressionando o orçamento

O custo do crédito é um dos principais fatores que dificultam a redução mais rápida das dívidas. Juros elevados aumentam o valor das parcelas e tornam modalidades como cartão de crédito e empréstimo pessoal especialmente caras para quem precisa refinanciar obrigações.

Ao mesmo tempo, emprego e renda ajudam a explicar a melhora observada nos indicadores mais recentes. Quando a renda aumenta ou o mercado de trabalho permanece aquecido, famílias têm maior capacidade de reorganizar o orçamento e quitar atrasos.

A primeira queda do endividamento em 2026 representa um sinal de melhora, mas ainda não caracteriza uma reversão definitiva. Com mais de oito em cada dez famílias mantendo algum tipo de dívida, o comportamento dos juros, da renda e do custo de vida continuará determinando a velocidade com que o orçamento doméstico poderá recuperar espaço nos próximos meses.