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Ibovespa volta a subir após seis quedas seguidas, com eleição nos EUA e decisão da Selic no radar

Bolsa brasileira avança 1,13% na manhã desta quarta-feira (4), enquanto dólar opera próximo de R$ 5,47. Investidores acompanham a vitória democrata no Congresso americano e aguardam decisão do Banco Central sobre os juros.

Ibovespa volta a subir após seis quedas seguidas, com eleição nos EUA e decisão da Selic no radar

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O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, iniciou esta quarta-feira (4) em alta, recuperando parte das perdas acumuladas nos últimos pregões. Às 11h02, o indicador registrava 167.391,97 pontos, valorização de 1,13% em relação ao fechamento de terça-feira.

O movimento ocorre após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, nas quais o Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, alterando o equilíbrio político do Congresso americano durante o governo de Donald Trump.

No Brasil, a atenção dos investidores também está concentrada na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que divulgará nesta quarta-feira sua decisão sobre a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

A expectativa predominante é de manutenção da Selic, após uma sequência de cinco reduções consecutivas. A combinação entre o cenário político internacional e as incertezas sobre a política econômica brasileira influencia as negociações na B3.

Bolsa tenta recuperação após atingir menor nível desde janeiro

Na terça-feira (3), o Ibovespa encerrou o pregão aos 165.528,92 pontos, queda de 1,42%, atingindo seu menor patamar desde janeiro de 2026.

O resultado representou a sexta sessão consecutiva de desvalorização do principal indicador do mercado acionário brasileiro.

A sequência negativa ocorreu em meio às preocupações de investidores com o cenário fiscal para o próximo mandato do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os fatores acompanhados pelo mercado estão as expectativas sobre a trajetória da dívida pública, a inflação, o câmbio e as futuras decisões de política econômica.

A valorização desta quarta-feira indica uma recuperação parcial, mas ainda não permite concluir que o período de volatilidade tenha terminado.

Vitória democrata nos Estados Unidos influencia mercados

As eleições legislativas americanas, realizadas na terça-feira (3), resultaram na conquista da maioria democrata nas duas casas do Congresso.

O resultado reduz a capacidade do presidente Donald Trump de aprovar projetos que dependam de autorização legislativa sem negociação com a oposição.

Para os mercados financeiros, a nova composição pode provocar mudanças nas expectativas sobre políticas comerciais, fiscais e econômicas dos Estados Unidos.

Na manhã desta quarta-feira, bolsas internacionais apresentavam valorização, enquanto o dólar perdia força em relação a outras moedas.

A reação dos investidores também depende de indicadores econômicos, decisões de juros e perspectivas para o crescimento global.

Copom pode interromper sequência de cortes da Selic

A principal expectativa doméstica está relacionada à reunião do Copom, responsável pela definição da taxa Selic.

O comitê encerra nesta quarta-feira mais um encontro de política monetária, em um cenário de piora das expectativas de inflação e preocupação com a condução das contas públicas.

Depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, a taxa chegou a 13,75% ao ano.

Segundo levantamento divulgado pela plataforma Bora Investir, da B3, as negociações de opções de Copom indicavam, na terça-feira (3), probabilidade implícita de 72,5% para a manutenção da Selic.

Parte dos analistas, entretanto, ainda considera possível uma redução de 0,25 ponto percentual, que levaria os juros para 13,50% ao ano.

A decisão deverá ser anunciada na noite desta quarta-feira. Até o horário da reportagem, nenhuma alteração havia sido confirmada pelo Banco Central.

Dólar recua na abertura, mas segue próximo de R$ 5,50

O mercado cambial também reagiu aos acontecimentos políticos e econômicos desta quarta-feira.

O dólar comercial começou o dia em queda, sendo negociado próximo de R$ 5,45 às 9h. Por volta das 11h, a moeda americana estava cotada a aproximadamente R$ 5,47.

Na sessão anterior, o câmbio havia encerrado próximo de R$ 5,49, refletindo a procura por proteção diante das incertezas econômicas.

A redução inicial do dólar nesta quarta-feira acompanhou o enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional.

Entretanto, a cotação brasileira continua sensível às expectativas sobre a Selic, ao comportamento dos juros nos Estados Unidos e às perspectivas fiscais do governo federal.

Mercado acompanha propostas econômicas para o próximo governo Lula

Desde a reeleição de Lula, investidores vêm discutindo possíveis mudanças na política econômica para o mandato de 2027 a 2030.

Um dos debates envolve propostas de redução dos juros defendidas pelo economista André Lara Resende, que considera as taxas elevadas um fator importante para o desequilíbrio fiscal brasileiro.

Em artigo publicado em setembro, o economista apresentou argumentos favoráveis à redução gradual da Selic, associada a medidas de reorganização fiscal.

Parte dos analistas do mercado, entretanto, avalia que uma redução acelerada dos juros, sem melhora das expectativas de inflação e das contas públicas, poderia ampliar a desvalorização cambial.

Essas posições representam interpretações econômicas distintas e não constituem uma decisão formal do Banco Central.

Decisão sobre juros deve orientar próximos pregões

Além do percentual anunciado pelo Copom, os investidores acompanharão atentamente o comunicado divulgado após a reunião.

O documento deverá apresentar a avaliação da autoridade monetária sobre a inflação, a atividade econômica e os riscos que influenciam as próximas decisões.

A manutenção da Selic em 13,75% interromperia temporariamente o ciclo de cortes iniciado em março. Já uma nova redução indicaria continuidade do processo de flexibilização monetária.

O comportamento da Bolsa e do dólar nos próximos dias dependerá da decisão, das sinalizações do Banco Central e das condições internacionais.

Até as 11h02 desta quarta-feira, o Ibovespa apresentava recuperação de 1,13%, mas permanecia abaixo dos níveis registrados antes da sequência recente de quedas.