
As reservas internacionais funcionam como uma espécie de colchão de segurança financeira do Brasil. Administradas pelo Banco Central, são formadas principalmente por ativos em moedas estrangeiras, títulos, depósitos e ouro. Elas ajudam o país a cumprir compromissos no exterior e a enfrentar crises internacionais, saídas de capital e momentos de pressão sobre o câmbio.
Quando as reservas aumentam?
Quando o Banco Central compra dólares ou quando os investimentos que compõem as reservas geram ganhos. Elas também podem subir ou cair com a valorização e a desvalorização de moedas e ativos.
E quando diminuem?
Quando o Banco Central vende ou utiliza parte desses recursos, ou quando os ativos perdem valor. Por isso, uma mudança no total não significa necessariamente que houve apenas compra ou venda de dólares.
Ter reservas elevadas ajuda a reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos, mas não significa, por si só, que todos os problemas econômicos estejam resolvidos.
O panorama histórico
O gráfico apresenta a evolução das reservas internacionais em dólares, com os valores identificados por década. A série mostra uma trajetória de forte crescimento a partir dos anos 2000, seguida por oscilações em patamares elevados.
Em 1980, o Brasil tinha US$ 6,90 bilhões em reservas internacionais. Em setembro de 2026, esse montante chegou a US$ 362,82 bilhões. Isso representa um aumento de US$ 355,92 bilhões, equivalente a aproximadamente 5.158,3% ao longo do período.
O menor valor da série foi de US$ 3,90 bilhões, em 1982. Já o maior foi de US$ 378,61 bilhões, em 2012. Mesmo com as oscilações posteriores, o saldo de setembro de 2026 permanecia próximo do recorde histórico.
A mediana dos valores anuais foi de US$ 52,94 bilhões. Isso significa que metade das observações ficou abaixo desse valor e metade acima, considerando a série anual utilizada.
As variações de um ano para outro também chamam a atenção.
O maior aumento nominal anual ocorreu em 2007, quando as reservas passaram de US$ 85,74 bilhões para US$ 180,33 bilhões — alta de US$ 94,59 bilhões, ou 110,3%. O salto foi impulsionado principalmente pelas compras de dólares do Banco Central, em meio à entrada de recursos externos e ao cenário favorável das contas externas.
Já a maior queda nominal anual ocorreu em 2022, quando as reservas recuaram de US$ 362,20 bilhões para US$ 324,70 bilhões. A redução foi de US$ 37,50 bilhões, equivalente a 10,35%.
Reservas ao fim de cada governo
A comparação dos valores registrados no ano final de cada período presidencial permite observar como o estoque de reservas mudou ao longo das décadas. A tabela reúne o saldo em dólares, a variação nominal e a variação percentual em relação ao ano final do governo anterior indicado na sequência.
Governo / ano final | Reservas (US$ bi) | Variação nominal | Variação (%)
João Figueiredo (1985)| 11,60| —| —
José Sarney (1989)| 9,60| −2,00| −17,24%
Fernando Collor (1992)| 19,01| +9,41| +98,02%
Fernando Henrique (1998)| 43,62| +24,61| +129,46%
Fernando Henrique (2002)| 37,78| −5,84| −13,39%
Lula da Silva (2006)| 85,74| +47,96| +126,95%
Lula da Silva (2010)| 288,57| +202,83| +236,56%
Dilma Rousseff (2015)| 368,74| +80,17| +27,78%
Michel Temer (2018)| 374,71| +5,97| +1,62%
Jair Bolsonaro (2022)| 324,70| −50,01| −13,34%
Lula da Silva (set. 2026)| 362,82| +38,12| +11,74%
Maiores variações nominais
A maior alta nominal ocorreu no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2010), com aumento de US$ 202,83 bilhões. Em seguida aparecem Dilma Rousseff (2015), com acréscimo de US$ 80,17 bilhões, e Luiz Inácio Lula da Silva (2006), com aumento de US$ 47,96 bilhões.
Menores variações nominais
Entre as quedas, a menor em valor absoluto foi registrada no governo de José Sarney (1989), com redução de US$ 2,00 bilhões. Depois aparecem Fernando Henrique Cardoso (2002), com queda de US$ 5,84 bilhões, e Jair Bolsonaro (2022), com recuo de US$ 50,01 bilhões.
Maiores percentuais
Em termos proporcionais, a maior alta ocorreu no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2010), com crescimento de 236,56%. Na sequência estão Luiz Inácio Lula da Silva (2006), com 126,95%, e Fernando Collor de Mello (1992), com 98,02%.
Menores percentuais
A maior queda proporcional foi registrada no governo de José Sarney (1989), com −17,24%. Em seguida aparecem Fernando Henrique Cardoso (2002), com −13,39%, e Jair Bolsonaro (2022), com −13,34%.
Essas comparações mostram a evolução do estoque de reservas entre os anos finais selecionados. Elas não demonstram, isoladamente, que os resultados tenham sido causados exclusivamente pelas decisões de cada presidente.
O Brasil está realmente “quebrado”?
Um "país quebrado" é quando não paga suas dívidas, fica sem reservas e deixa a inflação tornar-se hiperinflação.
As reservas internacionais formam um importante colchão de proteção contra crises externas. Porém, avaliar a situação financeira do país também exige observar a dívida pública e a capacidade do governo de pagar seus compromissos.
Em agosto de 2026, a dívida bruta do governo geral chegou a 83% do PIB, cerca de R$ 11 trilhões, segundo o Banco Central. É um desafio fiscal relevante, mas não significa, isoladamente, que o país esteja falido. As reservas ajudam a proteger o Brasil de choques externos, enquanto a trajetória da dívida, os juros e o crescimento econômico são essenciais para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.
Metodologia:
valores das reservas internacionais em dólares, arredondados para duas casas decimais. A variação nominal e a percentual da tabela presidencial comparam o saldo do ano final de cada governo com o saldo do ano final do marco anterior. Série histórica calculada a partir dos valores anuais de 1980 a setembro de 2026.
Fonte: Banco Central do Brasil — BCB
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