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Governo federal registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, mas acumula déficit de R$ 90,2 bilhões em 2026

Alta das receitas com petróleo, crescimento da arrecadação do Imposto de Renda e devolução de recursos de precatórios cancelados impulsionaram o resultado. Apesar da melhora, contas públicas continuam negativas no acumulado do ano.

Governo federal registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, mas acumula déficit de R$ 90,2 bilhões em 2026

© ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

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O Governo Central registrou superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro de 2026, revertendo o déficit de R$ 14,4 bilhões observado no mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional, vinculada ao Ministério da Fazenda.

O resultado considera as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central. A melhora foi impulsionada pelo aumento das receitas provenientes da exploração de petróleo, pela arrecadação do Imposto de Renda e pela devolução de recursos referentes a precatórios de exercícios anteriores cancelados pela Justiça.

Segundo o relatório, a receita líquida do governo cresceu 13,6% acima da inflação na comparação com setembro de 2025, enquanto as despesas aumentaram 2,4% em termos reais.

Apesar do desempenho positivo no mês, as contas federais continuam deficitárias no acumulado de janeiro a setembro, com saldo negativo de R$ 90,2 bilhões.

Receitas crescem mais que despesas e melhoram resultado fiscal

Em setembro, o governo arrecadou mais recursos do que gastou, desconsiderando os juros da dívida pública.

A receita líquida alcançou aproximadamente R$ 204,9 bilhões, enquanto as despesas primárias totalizaram R$ 200,1 bilhões.

Na comparação com o mesmo mês de 2025, o aumento real da receita líquida representou um acréscimo de R$ 24,6 bilhões. Já as despesas cresceram R$ 4,7 bilhões.

A diferença entre o ritmo de crescimento da arrecadação e o avanço dos gastos contribuiu para transformar o resultado negativo registrado um ano antes em superávit.

O saldo de setembro também foi o melhor para esse mês, em valores corrigidos pela inflação, desde 2023.

Alta do petróleo impulsiona arrecadação federal

Um dos principais fatores que contribuíram para o resultado foi o crescimento das receitas relacionadas à exploração de recursos naturais.

Segundo o Tesouro Nacional, essa arrecadação aumentou R$ 5,7 bilhões em termos reais, avanço de 71,9% em relação a setembro do ano passado.

O crescimento foi influenciado pela valorização internacional do petróleo, pelo aumento da produção brasileira e pela comercialização de petróleo e gás da União por meio da Pré-Sal Petróleo (PPSA).

A arrecadação com o imposto de exportação sobre petróleo bruto também contribuiu para o resultado, somando R$ 2,9 bilhões no mês.

O desempenho demonstra o impacto das condições do mercado internacional de energia sobre as receitas públicas brasileiras.

Precatórios cancelados reforçam caixa da União

Outra contribuição importante veio da devolução de valores relacionados a precatórios cancelados pelo Poder Judiciário.

Precatórios são requisições de pagamento expedidas pela Justiça para que governos quitem dívidas reconhecidas em decisões judiciais definitivas.

Quando determinados valores destinados a esses pagamentos são cancelados conforme os procedimentos legais, os recursos podem retornar à União.

Em setembro, a rubrica de outras receitas não administradas pela Receita Federal cresceu R$ 12,8 bilhões em termos reais, principalmente por causa dessa devolução.

Esses ingressos são considerados relevantes para o resultado mensal, mas possuem caráter extraordinário, o que significa que não necessariamente se repetirão nos próximos períodos.

Imposto de Renda arrecada R$ 7,3 bilhões a mais

A arrecadação do Imposto de Renda também apresentou crescimento expressivo.

De acordo com o Tesouro Nacional, as receitas provenientes desse tributo aumentaram R$ 7,3 bilhões acima da inflação, avanço de aproximadamente 13,1% em comparação com setembro de 2025.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

O aumento da tributação de determinadas aplicações financeiras e rendimentos também contribuiu para o desempenho da arrecadação federal.

A combinação entre receitas tributárias e extraordinárias ajudou a compensar o aumento das despesas públicas durante o mês.

Guerra no Oriente Médio eleva gastos com combustíveis

Do lado das despesas, o governo registrou aumento de R$ 9,9 bilhões em créditos extraordinários.

Segundo o Tesouro, grande parte desses recursos foi destinada a ações emergenciais para reduzir os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio.

Desse montante, R$ 7,6 bilhões foram utilizados em subvenções econômicas destinadas à produção e à importação de diesel e derivados de petróleo.

As medidas buscaram amenizar os impactos da elevação dos preços internacionais dos combustíveis sobre a economia brasileira.

O conflito internacional, portanto, teve efeitos sobre os dois lados das contas públicas: aumentou a arrecadação relacionada ao petróleo e, simultaneamente, exigiu despesas adicionais para conter parte de seus impactos econômicos.

Os gastos com benefícios previdenciários também cresceram R$ 2,1 bilhões acima da inflação, enquanto as despesas discricionárias recuaram R$ 8,4 bilhões em termos reais. 

Veja os principais números das contas públicas

Déficit acumulado chega a R$ 90,2 bilhões em 2026

Apesar do superávit de setembro, o Governo Central ainda registra resultado negativo no acumulado do ano.

De janeiro a setembro de 2026, o déficit primário somou R$ 90,2 bilhões, contra R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025.

A redução foi de aproximadamente R$ 10,1 bilhões em valores nominais.

No acumulado de 12 meses encerrados em setembro, o déficit primário chegou a R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB).

O indicador acompanha o resultado das receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.

Para 2026, a meta fiscal federal prevê superávit primário de 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. O cumprimento da meta depende dos critérios legais de apuração e das exclusões autorizadas pela legislação.

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O que significa o superávit primário?

O superávit primário ocorre quando as receitas do governo são superiores às despesas consideradas no cálculo fiscal, sem incluir os juros da dívida pública.

Esse indicador é utilizado para avaliar a capacidade do setor público de financiar suas atividades e contribuir para a sustentabilidade das contas governamentais.

Um resultado positivo em determinado mês representa melhora no fluxo financeiro daquele período, mas não significa necessariamente que as contas do ano terminarão equilibradas.

No caso de setembro de 2026, parte importante do superávit foi sustentada por receitas extraordinárias e pelo crescimento da arrecadação ligada ao setor petrolífero.

Por isso, a manutenção de resultados positivos dependerá do comportamento da arrecadação, das despesas obrigatórias e da execução do orçamento federal nos meses seguintes.

O desempenho de setembro representa uma melhora relevante em comparação com o ano anterior, mas o déficit acumulado mostra que o governo ainda enfrenta o desafio de equilibrar suas receitas e despesas ao longo de 2026.