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Bets deixam de movimentar R$ 600 milhões por dia após proibição; R$ 1,4 bilhão ainda aguarda resgate

Movimentação diária para plataformas de apostas foi zerada após a entrada em vigor da proibição de novos depósitos, segundo o Ministério da Fazenda. Desde a suspensão, apostadores já retiraram R$ 652 milhões, mas cerca de R$ 1,4 bilhão ainda permanece nas contas das empresas.

Bets deixam de movimentar R$ 600 milhões por dia após proibição; R$ 1,4 bilhão ainda aguarda resgate

Bets se tornaram uma questão de saúde pública no Brasil · JOEDSON ALVES/AGÊNCIA BRASIL

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A movimentação financeira das bets autorizadas no Brasil, que girava em torno de R$ 600 milhões por dia, caiu para zero após a entrada em vigor da medida provisória que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no país, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

O bloqueio de novos depósitos começou após a publicação da Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026. O Ministério da Fazenda informa que a norma proibiu as apostas de quota fixa em todo o território nacional, atingindo as empresas que até então operavam de forma autorizada.

Apostadores já retiraram R$ 652 milhões

Antes da suspensão, as plataformas mantinham cerca de R$ 2,1 bilhões em saldos de clientes. Desde 25 de setembro, aproximadamente R$ 652 milhões foram retirados, reduzindo o montante remanescente para cerca de R$ 1,4 bilhão, uma queda superior a 30%.

Os usuários têm até 23h59 de 5 de outubro para solicitar o resgate diretamente nas plataformas autorizadas. Para quem não retirar os recursos dentro desse prazo, a previsão é de que os valores sejam devolvidos por meio das instituições financeiras entre os dias 9 e 14 de outubro.

Fluxo de R$ 600 milhões por dia foi interrompido

Segundo Durigan, dados compartilhados pelo Banco Central mostram que as casas de apostas recebiam aproximadamente R$ 600 milhões por dia antes da proibição. Esse fluxo deixou de ocorrer a partir de 26 de setembro, primeiro dia completo após a entrada em vigor da medida.

O ministro afirmou ainda que o governo identificou redução nas transferências via Pix relacionadas ao setor e acompanha para onde esses recursos estão sendo direcionados. A Fazenda trabalha com a hipótese de que parte do dinheiro que antes seguia para apostas esteja migrando para outros segmentos da economia, mas essa movimentação ainda está em análise.

Governo amplia bloqueio de sites de apostas

Paralelamente à interrupção das operações autorizadas, o governo intensificou o combate a sites que continuam oferecendo apostas. Mais de 10 mil domínios já haviam sido encaminhados para bloqueio uma semana após a proibição, número que mais que dobrou em relação ao balanço divulgado dias antes.

A estratégia também inclui o rastreamento das empresas responsáveis pelos sites e das instituições financeiras utilizadas para receber pagamentos. Segundo a Fazenda, contas ligadas às operações ilegais podem ser bloqueadas conforme sejam identificadas durante a fiscalização.

Perfis e influenciadores também entram na fiscalização

O governo informou que perfis, grupos de mensagens, influenciadores e outros canais associados à divulgação de apostas também foram retirados do ar. De acordo com Durigan, esse conteúdo alcançava cerca de 3,5 milhões de usuários em plataformas como Telegram e TikTok.

O Ministério da Fazenda também identificou 48 contas de apostadores com saldo superior a R$ 500 mil nas plataformas. Esses casos devem passar por análise específica para que os órgãos responsáveis entendam a origem e o volume dos recursos mantidos nessas contas.

A suspensão marca uma mudança brusca em um mercado que havia passado por processo de regulamentação nos últimos anos. Desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podiam operar nacionalmente, mas a nova medida provisória interrompeu a oferta legal de apostas de quota fixa no país.