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Split payment pode movimentar R$ 6 trilhões por ano e mudar caixa do varejo

Mecanismo da reforma tributária separará automaticamente IBS e CBS no momento do pagamento e pode alterar a disponibilidade de dinheiro das empresas. Estimativa citada pela IstoÉ Dinheiro aponta movimentação de cerca de R$ 6 trilhões por ano, enquanto o varejo já aparece entre os setores mais observados por fundos de crédito.

Split payment pode movimentar R$ 6 trilhões por ano e mudar caixa do varejo

Split Payment, um dos pilares da reforma tributária · REPRODUÇÃO(IA)

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O split payment, uma das principais engrenagens da reforma tributária do consumo, começa a avançar para a fase operacional no Brasil. A Receita Federal informou que os testes de integração entre prestadores de serviços de pagamento e a plataforma pública começam em 15 de outubro de 2026, em ambiente controlado e sem impacto sobre transações reais ou consumidores.

O modelo muda a forma como parte dos tributos chega aos cofres públicos. Hoje, em regra, o valor da venda entra no caixa da empresa e os impostos são recolhidos posteriormente. Com o split payment, a parcela referente ao IBS e à CBS poderá ser segregada durante a liquidação financeira, fazendo com que o vendedor receba apenas o valor líquido correspondente à operação.

Mudança pode afetar o capital de giro das empresas

A principal consequência financeira está no dinheiro que deixa de permanecer temporariamente disponível no caixa. Valores que hoje podem ser utilizados pela empresa entre o recebimento da venda e o momento do recolhimento tributário passam a ser separados antes de chegar integralmente ao comerciante.

Esse efeito tende a exigir maior atenção principalmente de empresas que precisam financiar estoques, fornecedores e vendas parceladas. No varejo, o descasamento entre o momento em que a companhia paga suas despesas e aquele em que recebe do consumidor já torna o capital de giro uma parte relevante da operação.

A mudança não representa, por si só, aumento da carga tributária. O impacto está na liquidez, porque altera o período durante o qual o dinheiro referente aos tributos permanece disponível para a empresa antes do pagamento ao Fisco.

Varejo já lidera análises de fundos de crédito

Um levantamento da Assertiva citado pela Veja identificou 640 varejistas entre os CNPJs analisados por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs, entre janeiro e setembro de 2026. O comércio atacadista apareceu em seguida, com 347 empresas, enquanto confecção e vestuário registraram 328.

No total, 36 fundos realizaram 4.045 consultas sobre 3.543 empresas. Os dados não significam que todas contrataram financiamento, mas mostram que o varejo já ocupa espaço relevante nas análises do mercado de crédito estruturado antes mesmo da implantação ampla do split payment.

Com menos recursos tributários transitando temporariamente pelo caixa, empresas podem recorrer com maior frequência a instrumentos como antecipação de recebíveis e financiamento de capital de giro. O tamanho desse possível aumento na demanda por crédito, porém, ainda não foi mensurado.

Sistema pode movimentar cerca de R$ 6 trilhões por ano

Estimativa divulgada pela IstoÉ Dinheiro aponta que o sistema poderá alcançar entre 1,3 bilhão e 1,5 bilhão de transações anuais, movimentando aproximadamente R$ 6 trilhões. A escala ajuda a explicar a complexidade tecnológica envolvida na integração entre bancos, meios de pagamento e a infraestrutura pública da reforma tributária.

A plataforma deverá registrar eventos relacionados às transações, validar informações e permitir a comunicação dos dados com a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS. O desenho prevê acompanhamento de etapas como início da operação, pagamento, liquidação e segregação dos valores tributários.

Testes começam antes da adoção efetiva

A etapa iniciada em outubro será exclusivamente técnica. Segundo a Receita Federal, nenhuma transação será processada definitivamente pelo split payment durante esses testes, que servirão para validar e aperfeiçoar a integração dos sistemas.

A implementação será gradual. Informações divulgadas pela Receita indicam que o mecanismo não chegará a todas as operações de uma só vez, o que permitirá ajustes antes de sua utilização em escala maior. Até lá, empresas precisarão adaptar sistemas financeiros, processos de conciliação e planejamento de caixa à nova forma de recolhimento.