O mercado financeiro brasileiro abriu a semana com uma das reações mais intensas do ano. O Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos e chegou a operar acima dos 207 mil pontos, enquanto o dólar recuou mais de 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5.
O movimento ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. Com 100% das seções apuradas, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, levando a disputa para o segundo turno marcado para 25 de outubro.
Resultado eleitoral provoca forte reprecificação dos ativos
A diferença registrada nas urnas levou investidores a revisar rapidamente as expectativas em relação ao cenário político e econômico brasileiro. Já no mercado futuro, antes da abertura da B3, o contrato do Ibovespa avançava mais de 8%, sinalizando uma sessão de forte valorização.
A reação também começou no exterior. O EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a subir mais de 12% antes da abertura do mercado americano, enquanto ADRs de grandes companhias brasileiras também registraram forte valorização.
O movimento reflete uma mudança na percepção de risco dos investidores após o primeiro turno. Analistas ouvidos por instituições financeiras apontam principalmente as expectativas relacionadas à política fiscal, controle de gastos e composição de uma eventual equipe econômica como fatores que devem continuar influenciando os preços.
Ibovespa registra máxima histórica
Durante a manhã, o principal índice da B3 avançou mais de 8% e chegou a superar os 208 mil pontos, renovando sucessivamente sua máxima histórica. Em determinado momento da sessão, o índice alcançou níveis próximos de 209 mil pontos, depois de ter encerrado o último pregão antes da eleição aos 191.797 pontos.
A alta foi disseminada entre as principais ações da Bolsa. Petrobras, grandes bancos e empresas voltadas ao mercado doméstico apareceram entre os destaques, enquanto praticamente toda a carteira do Ibovespa operava no campo positivo durante parte da manhã.
Papéis do setor bancário chegaram a registrar ganhos de dois dígitos, enquanto Petrobras também avançou com força. A queda das taxas futuras de juros ajudou a reforçar o movimento em empresas mais sensíveis ao custo do crédito e à atividade econômica.
Real se valoriza e dólar volta para abaixo de R$ 5
O mercado de câmbio acompanhou a melhora dos ativos brasileiros. O dólar caiu mais de 4% frente ao real e chegou a ser negociado na região de R$ 4,97, voltando para abaixo da marca de R$ 5 pela primeira vez em meses.
A valorização do real ocorreu mesmo em um dia de fortalecimento da moeda americana no exterior, reforçando o peso dos fatores domésticos sobre a cotação. As taxas dos contratos de juros futuros também recuaram de forma expressiva durante a manhã.
Mercado agora acompanha segundo turno e cenário fiscal
Apesar da reação imediata, o resultado do primeiro turno não elimina a possibilidade de forte volatilidade nas próximas semanas. A disputa presidencial continua aberta, e investidores devem acompanhar as alianças políticas, as propostas econômicas e as sinalizações dos dois candidatos até a votação decisiva.
O cenário fiscal tende a permanecer no centro das atenções. Antes mesmo da eleição, análises de mercado já apontavam que a trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das medidas econômicas seriam fundamentais para determinar se uma valorização dos ativos brasileiros poderia se sustentar além da reação inicial às urnas.

