A arrecadação federal atingiu R$ 235,6 bilhões em agosto de 2026, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta terça-feira (22). O resultado é o maior já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995, e representa crescimento real de 8,25% em relação a agosto do ano passado.
Com o resultado, o governo federal acumulou R$ 2,11 trilhões entre janeiro e agosto, também um recorde para os oito primeiros meses de um ano. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de 7,12% acima da inflação.
Impostos sobre empresas ajudam a puxar o resultado
Um dos principais componentes do avanço foi a arrecadação de IRPJ e CSLL, impostos relacionados ao lucro das empresas. Juntos, eles somaram R$ 34,1 bilhões em agosto, crescimento real de 13,09% em relação ao mesmo mês de 2025.
As contribuições previdenciárias também avançaram. Foram R$ 63 bilhões em agosto, alta real de 4,3%. Segundo a Receita, o resultado foi influenciado pelo aumento de 2,89% na massa salarial de julho, indicando maior volume de remunerações sobre as quais incidem as contribuições.
Outro destaque veio do imposto retido na fonte sobre rendimentos de capital, que alcançou R$ 12,7 bilhões, crescimento real de 23,27% em um ano. A Receita relaciona o desempenho ao aumento das aplicações em renda fixa e ao início da tributação sobre dividendos em 2026.
Petróleo também teve peso importante
O setor de petróleo e gás apresentou uma mudança expressiva na arrecadação. Em agosto, empresas de extração recolheram R$ 14,4 bilhões em tributos administrados pela Receita, contra R$ 871 milhões no mesmo mês de 2025. A Receita, porém, ressalta que parte da diferença está relacionada a uma mudança na classificação tributária de empresas.
Além disso, o resultado acumulado do ano foi beneficiado por R$ 20,9 bilhões em pagamentos extraordinários e alterações na legislação tributária. Desse total, R$ 11 bilhões vieram de recolhimentos atípicos relacionados ao lucro das empresas e R$ 9,9 bilhões do imposto de exportação sobre petróleo bruto.
Somente em agosto, a cobrança temporária sobre exportações de petróleo acrescentou R$ 1,94 bilhão aos cofres federais. Sem essa receita extraordinária, o crescimento real dos tributos administrados pela Receita teria sido de 7,31%, segundo o Fisco, contra os 8,24% registrados nessa categoria.
Recorde não significa que agosto superou julho
Apesar do novo recorde para o mês, a arrecadação de agosto foi menor que a de julho. Em termos reais, houve queda de 18,33%, de R$ 289,3 bilhões para R$ 235,6 bilhões.
A diferença é explicada principalmente por fatores sazonais. Julho concentrou recolhimentos relacionados ao lucro das empresas, que elevaram excepcionalmente a arrecadação daquele mês. Portanto, a comparação mensal não indica necessariamente uma reversão da tendência observada no acumulado do ano.
O que explica o aumento da arrecadação?
O resultado de 2026 reúne diferentes fatores. Além do desempenho das empresas, houve aumento das contribuições previdenciárias, crescimento da arrecadação sobre aplicações financeiras, início da tributação sobre dividendos e receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo.
Os números também mostram a diferença entre arrecadação nominal e crescimento real. O governo arrecadou R$ 2,11 trilhões no período, mas a comparação de desempenho considera o efeito da inflação. Mesmo descontando essa variação de preços, o avanço acumulado até agosto foi de 7,12%.
O recorde, portanto, não representa apenas um aumento no valor nominal dos tributos. Ele reflete uma combinação de maior arrecadação em diferentes bases tributárias e receitas extraordinárias que ajudaram a elevar o resultado de 2026. A trajetória dos próximos meses dependerá da atividade econômica, dos lucros das empresas, do mercado de trabalho, das receitas financeiras e da continuidade ou não de medidas extraordinárias.

