LIVE
Carregando…
Voltar ao portal

Evolução da Pobreza e Classe Média no Brasil, 1975 — 2025

Entenda como o Brasil saiu de um país majoritariamente pobre para uma sociedade com mais classe média, com dados e contexto dessa transformação em 50 anos.

Compartilhar


Brasil Em Mapas © – Relatório de Pesquisa



Pobreza e Classe Média no Brasil, 1975 — 2025



(%) população na Pobreza (linha R$ 640/mês per capita, Banco Mundial/IBGE PNAD Contínua) e na Classe média (parâmetro Classe C, mediana a R$ 6,5 mil/mês, FGV Social), ao final de cada governo.





Sumário Executivo


Entre 1975 e 2025, o Brasil apresentou uma transformação estrutural na distribuição de renda:


A pobreza caiu de 69% (1974/75) para 21% (2025)


A classe média (Classe C, FGV) subiu de 28% para 61,5%


O movimento não foi linear: houve forte avanço entre 2003–2014, reversão parcial entre 2015–2022 e nova melhora recente


A dinâmica reflete ciclos de crescimento econômico, mercado de trabalho, políticas sociais e renda real.


---


Contexto histórico


1970s–1980s: alta pobreza estrutural, baixa formalização


1990s: estabilização monetária e queda gradual


2003–2014: expansão do emprego, renda e consumo → maior mobilidade social


2015–2022: crise econômica, pandemia de Covid19, aumento do custo de vida e reversão parcial


2023–2025: recuperação do mercado de trabalho e queda acelerada da pobreza


---


Série histórica consolidada (% da população)


Ano Pobreza (%) Classe média (%)


1979 67,0 28,5

1985 64,0 31,0

1989 58,0 33,0

1992 61,0 32,5

1998 52,0 36,5

2002 47,0 38,5

2006 39,0 47,0

2010 34,0 54,0

2015 31,7 56,5

2018 33,4 53,9

2022 31,6 49,5

2024 23,1 60,97

2025 21,0 61,5 (est.)


---


Variação por governo (pontos percentuais p.p.)


Pobreza:


Ernesto Geisel (1974–1979): −2,0

João Figueiredo (1979–1985): −3,0

José Sarney (1985–1989): −6,0

Fernando Collor (1990–1992): +3,0

Fernando Henrique FHC (1995–1998): −8,0

Fernando Henrique FHC2 (1999–2002): +3,0

Lula da Silva (2003–2006): −8,0

Lula da Silva 2 (2007–2010): −5,0

Dilma Rousseff: −2,3

Michel Temer: +1,7

Jair Bolsonaro: −1,8

Lula da Silva (2023–2025): −10,6


Classe média:


Ernesto Geisel (1974–1979): +0,5

João Figueiredo (1979–1985): +2,5

José Sarney: +2,0

Fernando Collor: −0,5

Fernando Henrique FHC: +4,0

Fernando Henrique FHC2: -2,0

Lula da Silva (2003–2006): +8,5

Lula da Silva 2 (2007–2010): +7,0

Dilma Rousseff: +2,5

Michel Temer: −2,6

Jair Bolsonaro: −4,4

Lula da Silva (2023–2025): +12,0


Nota: pico da pobreza em 2021 36,8% e 47% classe média mínima do período. Governo Itamar (1994) pobreza 59% e classe média 32,5%; não incluído por ser transição e ponto intermediário.


---


Resultados e interpretação


1. Tendência estrutural


Há uma clara transição de massa populacional:


Redução da pobreza estrutural


Expansão da classe média


---


2. Fatores determinantes


Crescimento do emprego formal (CAGED)


Valorização do salário mínimo (ganho real)


Expansão de programas de transferência de renda


Aumento do consumo das famílias


---


3. Volatilidade recente


Pico da pobreza em 2021 (36,8%)


Queda rápida até 2024 (23,1%)


Continuidade da tendência em 2025


---


4. Leitura integrada


Pobreza e classe média são inversamente correlacionadas


A expansão da Classe C reflete mobilidade social, mas não elimina desigualdade estrutural


---


Fontes


Banco Mundial — Poverty and Inequality Platform (PIP) (2025)


IBGE — PNAD / PNAD Contínua (2025)


FGV Social — Séries de renda e classes sociais (2026)


NERI, Marcelo Côrtes. As classes médias brasileiras. Rio de Janeiro: FGV Social, 2019.


---


Nota metodológica


Pobreza definida como renda domiciliar per capita abaixo de US$ 6,85/dia (PPC 2017), equivalente a ~R$ 640/mês per capita, conforme parâmetro do Banco Mundial — Poverty and Inequality Platform (PIP) (2025) e IBGE (PNAD/ Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua — PNAD-C). A série inicia em 1974, com pobreza estimada em 69% da população e classe média em 28%. Os pontos da série referem-se, em geral, ao ano final de cada governo analisado. Governo Itamar (1994) taxa de pobreza 59% e classe média 32,5%; não incluído por ser transição e ponto intermediário. Série harmonizada até 2011; a partir de 2012, dados da PNAD Contínua (IBGE, 2025). O valor de 2025 é estimado por tendência recente. Classe média definida pela FGV Social — faixa Classe C, com renda domiciliar mensal entre R$ 2,5 mil e R$ 10,9 mil/mês (mediana R$ 6,5 mil), conforme Séries de renda e classes sociais (2026).


---


Conclusão


O Brasil reduziu significativamente a pobreza nas últimas cinco décadas e ampliou sua classe média. Apesar de ciclos de reversão, a tendência estrutural segue sendo de queda da pobreza e expansão da renda média, condicionada ao desempenho do mercado de trabalho, consumo das famílias, renda real e políticas públicas.


---


Equipe técnica: Brasil em Mapas® e Lgac Comunicação

Pesquisa, metodologia, harmonização de séries, estimativas e design: Brasil em Mapas © 2026 (CC BY 4.0)