2 de novembro, Dia de Finados, milhões de brasileiros visitam cemitérios, levam flores e relembram familiares e amigos que já partiram. A data é marcada pela memória e pela saudade, mas também pode ser um momento para refletir sobre a forma como a morte se distribui pelo território brasileiro.
Um mapa elaborado com dados do DATASUS mostra a taxa bruta de mortalidade dos estados em 2023. O indicador aponta o número de óbitos registrados para cada mil habitantes. Naquele ano, a taxa nacional foi de 6,9 mortes por mil habitantes.
A taxa bruta de mortalidade não indica, sozinha, quais são os estados mais perigosos ou onde a população tem pior qualidade de vida. Ela também está relacionada à estrutura etária da população. Estados com maior proporção de pessoas idosas tendem a registrar mais mortes, pois o envelhecimento aumenta a probabilidade de falecimento por causas naturais e doenças crônicas.
Figura 1. Mapa da taxa de mortalidade por UF do Brasil

Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul aparecem no topo
O Rio de Janeiro apresentou a maior taxa do país, com 8,4 óbitos por mil habitantes. O estado foi seguido pelo Rio Grande do Sul, com 8,3.
Também registraram índices superiores ou próximos da média nacional:
- Minas Gerais: 7,4;
- Paraná: 7,1;
- Bahia: 6,9;
- Mato Grosso do Sul: 6,8;
- Alagoas: 6,8;
- Ceará: 6,6;
- Rio Grande do Norte: 6,5.
A presença de estados do Sul e do Sudeste entre as maiores taxas está relacionada, em parte, ao processo de envelhecimento populacional mais avançado nessas regiões. O Rio Grande do Sul, por exemplo, possui uma das populações mais envelhecidas do Brasil. No Rio de Janeiro, a combinação entre envelhecimento, concentração urbana e características demográficas também influencia o resultado.
Isso não significa que todos os moradores desses estados estejam mais expostos à morte. A taxa representa uma relação entre o número de óbitos e o total de habitantes, sem explicar sozinha as causas de cada falecimento.
Norte apresenta as menores taxas
Na outra ponta do mapa, as menores taxas aparecem principalmente entre estados da Região Norte. Roraima, Amapá e o Distrito Federal registraram 4,7 óbitos por mil habitantes. O Amazonas e o Acre apresentaram 4,8.
Outros estados com índices abaixo da média brasileira foram:
- Pará: 5,1;
- Maranhão: 5,5;
- Rondônia: 5,7;
- Tocantins: 5,7;
- Mato Grosso: 5,8;
- Santa Catarina: 6,1;
- Goiás: 6,2;
- Sergipe: 6,2.
As menores taxas observadas no Norte não devem ser interpretadas automaticamente como sinal de melhores condições de saúde. A composição etária é um fator importante nessa comparação. Populações mais jovens tendem a registrar uma menor taxa bruta de mortalidade, mesmo quando enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde ou problemas sociais.
Finados também é uma data para entender o presente
O Dia de Finados costuma ser associado à lembrança individual. As pessoas visitam túmulos, relembram histórias e preservam a memória de quem morreu. Mas os dados de mortalidade mostram que a morte também possui uma dimensão geográfica.
Ela se relaciona com o lugar onde as pessoas vivem, com a idade da população, com o acesso à saúde, com as condições de trabalho, com a violência, com as doenças e com as transformações demográficas de cada região.
Por isso, observar um mapa de mortalidade não significa reduzir a vida a números. Pelo contrário: os números ajudam a revelar desigualdades e mudanças que muitas vezes não aparecem no cotidiano. Eles mostram que o Brasil não envelhece no mesmo ritmo e que os estados possuem diferentes desafios para garantir qualidade de vida à população.
Neste Finados, enquanto famílias prestam suas homenagens, os dados também convidam a uma reflexão sobre o futuro. Entender onde e como as pessoas morrem é uma forma de pensar em como elas vivem, quais cuidados recebem e quais políticas públicas podem tornar a vida mais longa e saudável.

