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Argentina lidera consumo de vinho na América do Sul; Venezuela aparece na última posição

Mapa revela diferenças marcantes no consumo per capita da bebida entre os países sul-americanos

Argentina lidera consumo de vinho na América do Sul; Venezuela aparece na última posição

CONSUMO DE VINHO ANUAL (LITROS) · LUCAS ROSÁRIO

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A Argentina é o país que mais consome vinho por pessoa na América do Sul. Em 2022, o consumo anual equivaleu a aproximadamente 30,8 litros de vinho por habitante, considerando uma conversão baseada em vinho com 12% de teor alcoólico. O Uruguai aparece em segundo lugar, com 23,0 litros por pessoa, seguido pelo Chile, com 16,1 litros.

Os dados fazem parte de uma série da Organização Mundial da Saúde (OMS), disponibilizada pelo Our World in Data, e foram organizados em um mapa elaborado para o GeoLive. O levantamento considera o consumo registrado de álcool proveniente do vinho entre a população com 15 anos ou mais.

Argentina, Uruguai e Chile concentram os maiores valores

O ranking sul-americano é liderado por países com forte tradição vitivinícola e consumo culturalmente associado ao vinho. A Argentina registra um valor quase oito vezes superior ao do Brasil e mais de 250 vezes o da Venezuela na equivalência em litros de vinho.

Figura 1. Mapa de consumo de vinho na América do Sul

Os três primeiros colocados se destacam de maneira expressiva. Juntos, Argentina, Uruguai e Chile formam o principal núcleo de consumo de vinho per capita da região. Além de serem importantes produtores, os três países possuem paisagens, atividades econômicas e tradições alimentares diretamente ligadas à vitivinicultura.

A força da vitivinicultura no Cone Sul

A liderança argentina está relacionada à longa presença da cultura da uva e do vinho no país, especialmente nas províncias de Mendoza, San Juan e Salta. A Argentina também é uma das principais produtoras mundiais, com destaque para a uva Malbec e para o enoturismo.

No Chile, a produção se concentra principalmente nos vales centrais, como Maipo, Colchagua e Casablanca. O país possui uma forte indústria exportadora e uma identidade internacional associada aos vinhos de clima mediterrâneo.

O Uruguai, embora tenha território e população menores, apresenta consumo per capita elevado. A uva Tannat é um dos símbolos da produção nacional, e o vinho está presente em hábitos alimentares e celebrações cotidianas.

O resultado do mapa, portanto, não deve ser interpretado somente como uma lista de países que bebem mais ou menos. Ele também reflete a história agrícola, a disponibilidade da bebida, os preços, os padrões culturais, as políticas públicas e as diferenças na qualidade dos registros estatísticos.

Brasil fica no meio do ranking regional

Com aproximadamente 3,0 litros de vinho por pessoa ao ano, o Brasil ocupa a sexta posição entre os países sul-americanos. O valor brasileiro é inferior ao observado nos grandes produtores do Cone Sul, mas supera o de vários países andinos e do norte do continente.

O consumo brasileiro também apresenta diferenças internas importantes. Regiões como a Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, possuem tradição produtiva e cultural ligada ao vinho, enquanto outras áreas do país têm maior associação com cerveja, cachaça e outras bebidas.

Por se tratar de uma média nacional, o indicador não mostra a distribuição do consumo dentro de cada país. Uma média de 3,0 litros por pessoa não significa que todos os brasileiros consumam essa quantidade: ela é calculada a partir do total estimado dividido pela população considerada na metodologia.

Menores valores aparecem no norte e no oeste da América do Sul

Venezuela, Guiana, Bolívia, Equador e Colômbia apresentam os menores valores do ranking. Na Venezuela, a equivalência registrada é de aproximadamente 0,1 litro por pessoa ao ano. Na Guiana, o valor chega a 0,5 litro.

Esses números podem estar relacionados a diferentes fatores, como menor tradição vitivinícola, menor produção local, padrões culturais de consumo e disponibilidade de outras bebidas. Também é importante considerar que diferenças na qualidade e na cobertura dos registros podem influenciar comparações entre países.

A posição mais baixa no ranking não significa necessariamente ausência de consumo. O indicador representa uma média nacional e depende dos dados registrados e estimados pelas instituições responsáveis.

Fonte do indicador: Organização Mundial da Saúde – Global Health Observatory, via Our World in Data