Qual é a cidade mais bonita de cada estado do Brasil?
A pergunta parece simples, mas não existe uma resposta definitiva. Praias, montanhas, rios, arquitetura histórica, grandes parques e paisagens urbanas podem pesar de formas diferentes para cada pessoa.
Foi justamente essa discussão que o Globalizando levou para dois vídeos publicados em sequência. A seleção percorreu os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, escolhendo uma cidade em cada unidade da federação.
Não se trata de um ranking oficial. É uma seleção editorial baseada principalmente no conjunto visual, nas paisagens, no patrimônio, na arquitetura e nas características que ajudam cada cidade a construir sua própria identidade.
Norte reúne Amazônia, patrimônio e cidades históricas
No Acre, a escolhida foi Cruzeiro do Sul.
Localizada na região do Juruá, a cidade reúne elementos urbanos e culturais ligados à Amazônia. Entre os pontos presentes nos roteiros turísticos municipais estão o Cais do Porto, a Catedral Nossa Senhora da Glória, o Centro Cultural do Juruá e o Mirante do Morro da Glória.
Em Rondônia, a seleção ficou com Guajará-Mirim.
A cidade guarda uma relação histórica com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e está cercada por uma ampla presença de áreas naturais protegidas. Sua localização na fronteira com a Bolívia também ajuda a formar uma paisagem diferente de outras cidades da região.
Em Roraima, a escolhida foi Boa Vista.
A capital cresceu às margens do Rio Branco e possui um traçado urbano planejado. Parques, espaços públicos e a própria relação da cidade com o rio ajudam a construir sua paisagem.
No Amapá, a escolha foi Serra do Navio.
A antiga vila planejada durante o período de exploração do manganês foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro. Seu desenho urbano modernista foi implantado em plena Floresta Amazônica, criando uma combinação pouco comum entre arquitetura, urbanismo e vegetação.
No Pará, ficou Belém.
A capital paraense reúne a paisagem da Baía do Guajará, o Ver o Peso e um amplo conjunto histórico. Os bairros da Cidade Velha e Campina concentram milhares de edificações protegidas, entre sobrados, palacetes, igrejas e prédios públicos.
No Amazonas, a escolhida foi Manaus.
A cidade combina a presença dos rios amazônicos com construções que remetem ao período do ciclo da borracha. O Teatro Amazonas é o principal símbolo desse patrimônio e divide espaço com mercados, igrejas e paisagens ligadas à floresta.
No Tocantins, a seleção ficou com Natividade.
A cidade conserva um traçado urbano colonial, ruas estreitas, casarões, igrejas e construções ligadas aos ciclos da mineração e da pecuária. Seu conjunto histórico e paisagístico é protegido pelo Iphan.
Nordeste mistura litoral, história e paisagens naturais
No Maranhão, a escolhida foi São Luís.
O Centro Histórico da capital é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Casarões, sobrados e fachadas revestidas de azulejos formam uma das paisagens urbanas históricas mais características do Brasil.
No Piauí, a escolha foi Parnaíba.
A cidade integra uma região marcada pelo Delta do Parnaíba e também reúne o Rio Igaraçu, a Lagoa do Portinho e a Praia da Pedra do Sal entre seus atrativos naturais.
No Ceará, ficou Jijoca de Jericoacoara.
O município abriga parte do Parque Nacional de Jericoacoara, onde dunas móveis, lagoas, manguezais, restinga e litoral formam uma das paisagens mais reconhecidas do Ceará.
No Rio Grande do Norte, a escolhida foi Natal.
A capital reúne mar, dunas e patrimônio histórico. Ponta Negra e o Morro do Careca formam uma das imagens mais conhecidas da cidade, enquanto o Forte dos Reis Magos preserva parte da história da formação de Natal.
Na Paraíba, a seleção ficou com João Pessoa.
A capital combina praias urbanas com áreas verdes e patrimônio histórico. Cabo Branco, Tambaú, Seixas e suas piscinas naturais ajudam a explicar a forte relação da cidade com o litoral.
Em Pernambuco, a escolhida foi Olinda.
Ruas de pedra, ladeiras, casarões coloridos e igrejas históricas formam o cenário de uma cidade cujo centro histórico está na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1982.
Em Alagoas, ficou Maceió.
A orla é um dos elementos mais marcantes da capital. Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca concentram parte das paisagens que tornaram a cidade conhecida nacionalmente pelas diferentes tonalidades do mar.
Em Sergipe, a escolhida foi São Cristóvão.
Uma das cidades históricas mais importantes do estado, São Cristóvão abriga a Praça São Francisco, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2010.
Na Bahia, a seleção ficou com Lençóis.
A cidade está na Chapada Diamantina e combina ruas de pedra, casarões ligados ao antigo ciclo do garimpo e uma paisagem cercada por serras. Seu conjunto arquitetônico e paisagístico é protegido pelo Iphan.
Centro-Oeste vai do Pantanal ao modernismo
No Mato Grosso, a escolhida foi Cáceres.
O Rio Paraguai tem papel central na paisagem da cidade e acompanha parte importante de sua formação histórica. Cáceres também preserva um conjunto urbano com construções de diferentes períodos.
No Mato Grosso do Sul, não poderia faltar Bonito.
A região da Serra da Bodoquena é conhecida pelos rios de águas cristalinas e formações calcárias. Grutas, cachoeiras e ambientes naturais transformaram o município em uma das principais referências brasileiras em ecoturismo.
Em Goiás, a escolha foi a Cidade de Goiás.
A antiga Vila Boa preserva ruas de pedra e construções históricas integradas ao relevo. Seu centro histórico é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 2001.
No Distrito Federal, ficou Brasília.
A capital federal oferece um tipo completamente diferente de beleza urbana. O plano de Lúcio Costa e os edifícios projetados por Oscar Niemeyer transformaram Brasília em uma referência do urbanismo modernista, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Sul teve uma das escolhas mais disputadas
No Paraná, a selecionada foi Curitiba.
A capital é marcada por grandes áreas verdes e parques urbanos. O Jardim Botânico, com sua estufa de estrutura metálica e jardins geométricos, tornou-se um dos principais símbolos visuais da cidade.
Em Santa Catarina, a escolha provocou uma das maiores dúvidas da lista.
Pomerode, Blumenau e Balneário Camboriú poderiam ocupar essa posição por características completamente diferentes.
Mesmo assim, a escolhida foi Florianópolis.
A capital combina praias, lagoas, áreas urbanas e vestígios da ocupação açoriana. A Lagoa da Conceição, a Ponte Hercílio Luz e o litoral ajudam a formar uma paisagem que mistura natureza e cidade.
No Rio Grande do Sul, ficou Gramado.
A cidade da Serra Gaúcha construiu uma identidade visual marcada por ruas floridas, arquitetura de inspiração europeia, paisagismo e forte estrutura turística.
Sudeste reúne mar, montanhas, história e arquitetura
No Espírito Santo, a escolhida foi Vitória.
A capital possui uma geografia particular. A Ilha de Vitória integra um arquipélago formado por 33 ilhas e uma porção continental.
Praias, enseadas, manguezais, encostas e a Baía de Vitória fazem parte de uma paisagem urbana fortemente ligada ao mar.
Em Minas Gerais, a decisão foi difícil.
Tiradentes e Diamantina poderiam aparecer na seleção, mas a escolhida foi Ouro Preto.
A antiga cidade mineradora preserva igrejas, pontes, fontes, casarões e ruas que acompanham o relevo montanhoso. Em 1980, Ouro Preto tornou-se o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.
No Rio de Janeiro, a tentativa de fugir da capital não funcionou.
A escolhida foi a própria cidade do Rio de Janeiro.
Poucas cidades brasileiras possuem uma relação visual tão forte entre ambiente urbano e natureza. Corcovado, Pão de Açúcar, Baía de Guanabara, montanhas, floresta e praias compõem uma paisagem reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Finalmente, em São Paulo, a seleção ficou com Campos do Jordão.
Localizada na Serra da Mantiqueira, a cidade possui a sede administrativa mais elevada do Brasil, a 1.628 metros de altitude.
O relevo serrano, a vegetação e a arquitetura associada ao turismo de inverno construíram uma identidade bastante diferente das grandes áreas urbanas do estado.
Afinal, qual é a cidade mais bonita do Brasil?
A lista mostra que não existe apenas um tipo de beleza entre as cidades brasileiras.
Bonito chama atenção pelas águas e pela natureza. Ouro Preto, Olinda, São Luís e Cidade de Goiás carregam séculos de história em suas ruas. Maceió, Florianópolis, Vitória e Rio de Janeiro têm no litoral uma parte essencial de sua paisagem.
Brasília segue outro caminho, com o modernismo. Gramado e Campos do Jordão se destacam pelo ambiente serrano. Manaus, Belém e Cruzeiro do Sul mostram diferentes formas de interação entre cidade e Amazônia.
Por isso, a seleção não pretende determinar de forma definitiva qual município é mais bonito em cada estado.
A proposta dos vídeos do Globalizando é justamente provocar a comparação e mostrar como a diversidade brasileira permite respostas completamente diferentes para a mesma pergunta.
E é aí que a discussão fica mais interessante.
Qual dessas 27 escolhas você trocaria?
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