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Vorcaro afirma ter repassado R$ 30 milhões para filme de Lula em troca de acesso a fundos de pensão, revela Veja

Ex-banqueiro atribui pagamentos a negociações envolvendo integrantes do PT e cita suposto repasse em dinheiro vivo ao Instituto Lula. Polícia Federal rejeitou propostas de delação por falta de requisitos legais, enquanto presidente e demais citados negam irregularidades.

Vorcaro afirma ter repassado R$ 30 milhões para filme de Lula em troca de acesso a fundos de pensão, revela Veja

A esquerda, o Presidente Lula, e a direita, Daniel Vorcaro. · RICARDO STUCKERD / PR / BANCO MASTER

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Uma reportagem publicada nesta sexta-feira (9) pela revista Veja trouxe novas alegações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e supostas negociações com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

Segundo a publicação, Vorcaro afirmou, em relatos relacionados a uma tentativa de delação premiada, ter destinado aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo a despesas ligadas à produção de um documentário internacional sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pagamentos ao Instituto Lula.

Os recursos teriam sido negociados em troca de facilidades para que o Banco Master acessasse investimentos de fundos de pensão ligados a empresas estatais.

As acusações não foram comprovadas pelas autoridades. A Polícia Federal esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento nem entregou à instituição documentos com o conteúdo divulgado pela revista. As propostas de colaboração apresentadas anteriormente foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais.


R$ 30 milhões teriam sido destinados a documentário de Oliver Stone

O filme mencionado nos relatos é Lula, documentário dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone e lançado em 2024.

De acordo com a Veja, Vorcaro afirmou que os pagamentos teriam sido negociados com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

O ex-banqueiro também citou a participação de seu antigo sócio Augusto Lima nas tratativas.

A negociação teria como objetivo facilitar o credenciamento do Banco Master para receber investimentos de entidades como Previ, Petros e Postalis.

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, também teria sido exigida uma comissão de 10% sobre os valores captados pelo banco junto aos fundos.

A revista descreve uma expectativa de operações bilionárias, mas não apresenta comprovação de que os R$ 30 milhões tenham efetivamente chegado ao Instituto Lula ou aos responsáveis pelo documentário.


Áudio atribuído a Vorcaro compara filmes sobre Lula e Bolsonaro

Outro ponto da reportagem é uma gravação divulgada pela Veja, na qual uma voz atribuída a Vorcaro comenta financiamentos relacionados a produções audiovisuais de figuras políticas.

Na conversa, o ex-banqueiro supostamente compara o documentário de Lula com Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao mencionar o filme sobre Lula, a voz afirma que o pagamento teria ocorrido fora dos mecanismos formais, diferentemente do patrocínio relacionado à produção sobre Bolsonaro.

Pessoas próximas a Vorcaro confirmaram à CNN Brasil que a voz seria do ex-banqueiro, mas disseram desconhecer as circunstâncias exatas da gravação.

Também não há confirmação pública de que o conteúdo tenha sido submetido às autoridades como depoimento formal.


Áudio divulgado pela Veja

A gravação está disponível na reportagem original, junto aos documentos apresentados pela revista.

Ouvir o áudio na Veja

Polícia Federal e PGR não aceitaram propostas de delação

Um dos aspectos centrais do caso envolve a avaliação das autoridades responsáveis pelas investigações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu prosseguimento à proposta de colaboração apresentada em junho de 2026, diante da ausência de provas suficientes.

A Polícia Federal também havia recusado propostas anteriores.

Em manifestação oficial divulgada nesta sexta-feira, a PF afirmou que Vorcaro não entregou à instituição os elementos descritos na reportagem.

O órgão informou ainda ter recebido uma notícia-crime relacionada à publicação, encaminhada à área técnica para análise e providências.

Segundo a CNN, fontes da PGR afirmaram que o áudio divulgado não fazia parte do material encaminhado aos negociadores da colaboração premiada.

As circunstâncias da gravação e a consistência das acusações continuam sendo pontos essenciais para determinar a credibilidade dos relatos.


Lula, Instituto Lula e citados negam acusações

O presidente Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Daniel Vorcaro e afirmou que não autorizou terceiros a receberem recursos em seu nome.

O dirigente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, declarou que não conhece Vorcaro e que a instituição não participou da produção ou da captação de recursos para o documentário de Oliver Stone.

Os produtores do filme também negaram ter recebido dinheiro do ex-banqueiro, do Banco Master ou de empresas associadas.

O ministro Alexandre Padilha negou envolvimento com Vorcaro.

A defesa de Augusto Lima rejeitou as acusações e classificou os relatos divulgados como falsos e sem valor probatório.

Já a campanha de Lula criticou a publicação, afirmando que a divulgação de acusações sem comprovação durante o período eleitoral tem motivação política. O PT informou que pretende adotar medidas judiciais.


Revelações repercutem às vésperas do segundo turno

A divulgação ocorre a 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

O caso ganhou repercussão por envolver acusações contra pessoas ligadas ao governo federal, em um momento de disputa eleitoral entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.

Entretanto, a existência de uma gravação e de relatos atribuídos a Vorcaro não comprova, por si só, a realização dos pagamentos nem a participação dos citados em crimes.

A apuração dos fatos depende da análise de documentos, registros financeiros, eventuais testemunhos e demais elementos que possam confirmar ou contrariar as declarações.

Até o momento, as informações divulgadas representam alegações contestadas, sem validação pelas autoridades responsáveis pelas negociações de colaboração premiada.