A Ucrânia retomou nesta quinta-feira (15) os ataques contra refinarias de petróleo da Rússia, encerrando uma breve suspensão das operações contra instalações energéticas russas. A decisão ocorre em meio ao agravamento das relações entre Kiev e os Estados Unidos, especialmente após denúncias de restrições ao sistema de comunicação via satélite Starlink.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a retomada das operações em entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada nesta quinta-feira.
A decisão foi acompanhada por um ataque de drones contra uma refinaria localizada na região russa de Ryazan, aproximadamente 300 quilômetros a sudeste de Moscou.
Segundo autoridades russas, o ataque provocou um incêndio nas instalações industriais. A extensão dos danos ainda está sendo avaliada.
A nova ofensiva representa o fim da tentativa de trégua energética defendida pelo presidente americano Donald Trump, que busca conter a alta dos preços internacionais dos combustíveis.
Zelensky anuncia fim da trégua energética
O governo ucraniano havia suspendido temporariamente os ataques contra refinarias russas após um apelo de Donald Trump para reduzir as ofensivas contra instalações de petróleo e combustíveis.
A pausa durou aproximadamente dois dias.
Entretanto, Zelensky afirmou que a Rússia continuou realizando ataques contra a infraestrutura energética ucraniana durante esse período, atingindo instalações de geração e distribuição de eletricidade.
Diante da continuidade das operações russas, o presidente ucraniano decidiu encerrar a suspensão.
Em entrevista ao Financial Times, Zelensky afirmou que o bloqueio aos ataques contra refinarias havia terminado, sinalizando a retomada das operações militares de longo alcance.
O governo de Kiev argumenta que as refinarias russas têm importância estratégica porque geram receitas e produzem combustíveis utilizados pela economia e pelas forças militares de Moscou.
Disputa pelo Starlink amplia tensão com Washington
Um dos principais pontos de atrito envolve o Starlink, sistema de internet por satélite desenvolvido pela SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk.
A tecnologia é utilizada pelas forças ucranianas para manter comunicações em áreas de combate, coordenar unidades militares e apoiar determinadas operações com drones.
Segundo Zelensky, o serviço sofreu restrições de desempenho em diferentes regiões da Ucrânia, comprometendo a capacidade operacional de suas forças.
O presidente também afirmou que militares ucranianos receberam alertas de autoridades americanas sobre a possibilidade de limitações no compartilhamento de informações de inteligência caso Kiev continuasse atacando instalações energéticas russas.
Zelensky contestou a explicação de que os problemas poderiam ser resultado de falhas técnicas.
Entretanto, não há comprovação independente apresentada de que todas as interrupções tenham sido provocadas deliberadamente para pressionar o governo ucraniano.
Elon Musk atribui restrições militares ao governo americano
Em meio às reclamações de Kiev, Elon Musk afirmou que determinadas limitações relacionadas ao uso militar das comunicações por satélite são determinadas pelo governo dos Estados Unidos.
A controvérsia também envolve o Starshield, sistema desenvolvido pela SpaceX especificamente para aplicações governamentais e militares.
Os serviços de comunicação via satélite tornaram-se importantes para as operações ucranianas desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
A possibilidade de restrições nessas tecnologias preocupa Kiev, especialmente diante da necessidade de manter sistemas de defesa, comunicação e coordenação de operações militares.
Acordo entre Trump e Putin sobre diesel agrava divergências

A crise diplomática ganhou força após Trump anunciar, em 9 de outubro, um entendimento com o presidente russo, Vladimir Putin, para ampliar o fornecimento de diesel russo ao mercado internacional.
O acordo prevê a liberação inicial de 300 mil toneladas, outras 500 mil em novembro e volumes adicionais nos meses seguintes.
O governo americano também flexibilizou determinadas sanções comerciais para permitir operações envolvendo diesel de origem russa.
A iniciativa pretende reduzir os preços dos combustíveis, pressionados pela guerra envolvendo o Irã.
Zelensky criticou a aproximação econômica entre Washington e Moscou, argumentando que a Rússia continua realizando ataques contra o território ucraniano.
O governo russo, por sua vez, afirma que as negociações comerciais com os Estados Unidos não estão relacionadas diretamente ao conflito na Ucrânia.
Ucrânia condiciona nova suspensão de ataques ao envio de mísseis Patriot
Zelensky indicou que poderia reconsiderar a suspensão de ataques contra refinarias russas caso os Estados Unidos fornecessem mais interceptadores para os sistemas de defesa aérea Patriot.
Esses equipamentos são utilizados para interceptar ameaças aéreas, incluindo determinados tipos de mísseis balísticos.
A Ucrânia afirma precisar ampliar sua capacidade de defesa diante dos ataques russos contra cidades e instalações energéticas.
O presidente ucraniano considera o fornecimento adicional desses interceptadores uma condição mínima para discutir uma nova interrupção das ofensivas contra a infraestrutura petrolífera russa.
Novos ataques podem pressionar o mercado mundial de petróleo
A retomada das operações ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado global de energia.
Refinarias russas são alvos estratégicos porque processam petróleo e produzem combustíveis como gasolina e diesel.
A interrupção dessas instalações pode comprometer temporariamente a produção e a distribuição, dependendo da extensão dos danos.
Entretanto, o impacto sobre os preços internacionais dependerá da duração das paralisações, dos estoques disponíveis e da capacidade de compensação por outras refinarias.
A escalada também poderá ampliar as divergências diplomáticas entre Ucrânia e Estados Unidos, enquanto os governos europeus buscam manter o apoio militar e financeiro a Kiev.
A retomada dos ataques evidencia a dificuldade de estabelecer uma trégua energética duradoura sem um entendimento mais amplo sobre a guerra.

