Donald Trump anunciou que a execução de Nidal Hasan não será transmitida ao vivo, contrariando o plano inicialmente divulgado pelo Pentágono.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (15) o cancelamento da transmissão ao vivo da execução de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército americano condenado pelo assassinato de 13 pessoas durante um ataque à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
A decisão representa uma mudança no posicionamento da administração americana, que havia anunciado anteriormente a intenção de permitir que a população acompanhasse pela internet a execução do condenado por um pelotão de fuzilamento.
Apesar da suspensão da transmissão, a execução continua marcada para 3 de dezembro de 2026, às 13h, no horário local, nas instalações militares de Fort Hood.
Trump justificou a decisão afirmando que, embora considerasse a transmissão uma possível forma de desencorajar ataques terroristas, recebeu manifestações contrárias à exposição pública da morte do condenado.
O presidente também informou que familiares diretos das vítimas poderão acompanhar a execução presencialmente, caso desejem.
Trump afirma que população prefere não assistir à execução
O anúncio foi realizado por meio da rede social Truth Social, utilizada pelo presidente americano para divulgar posicionamentos e decisões de seu governo.
Na publicação, Trump declarou que a transmissão poderia servir como exemplo das consequências enfrentadas por responsáveis por ataques terroristas.
Entretanto, reconheceu que muitas pessoas não desejam assistir à morte de um condenado, independentemente do meio utilizado para transmitir as imagens.
A mudança ocorreu após dias de repercussão negativa sobre o plano apresentado pelo Departamento de Defesa.
Embora tenha cancelado a transmissão pública, Trump manteve seu apoio à execução e defendeu o direito dos familiares das vítimas de presenciar o cumprimento da sentença.
Quem é Nidal Hasan, condenado pelo massacre de Fort Hood?
Nidal Malik Hasan é um ex-psiquiatra militar americano, condenado à morte em 2013 pelo ataque ocorrido em 5 de novembro de 2009, na base de Fort Hood.
Na ocasião, ele abriu fogo contra militares e outras pessoas presentes nas instalações, provocando 13 mortes e deixando 32 feridos.
O ataque é considerado um dos episódios mais graves de violência em uma instalação militar dos Estados Unidos.
Durante o julgamento, Hasan declarou oposição às operações militares americanas em países de maioria muçulmana e assumiu a autoria dos disparos.
Ele foi condenado por uma corte militar pelos crimes de assassinato premeditado e tentativa de assassinato.
Hasan ficou paralisado da cintura para baixo após ser atingido por disparos durante a intervenção policial que encerrou o ataque.
Pentágono defendia execução transmitida pela internet
A proposta de transmissão pública havia sido anunciada pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth.
Durante entrevista ao comentarista político Jack Posobiec, Hegseth afirmou que a execução deveria ser acessível ao público para demonstrar as consequências de crimes dessa natureza.
O secretário defendia que a exposição do cumprimento da pena poderia funcionar como instrumento de dissuasão.
A proposta, entretanto, gerou questionamentos sobre possíveis consequências jurídicas, éticas e de segurança nacional.
Críticos alertaram que a divulgação das imagens poderia transformar uma punição judicial em espetáculo e favorecer a propaganda de organizações extremistas.
Republicanos e democratas criticaram transmissão
A reação negativa ultrapassou as divisões partidárias tradicionais dos Estados Unidos.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, manifestou preocupação com a possibilidade de as imagens serem utilizadas por grupos terroristas como ferramenta de recrutamento.
O vice-presidente JD Vance também demonstrou resistência à iniciativa e afirmou que não assistiria à execução.
Parlamentares republicanos e democratas questionaram a necessidade de transformar o cumprimento da sentença em um evento transmitido nacionalmente.
Além das críticas políticas, representantes religiosos e organizações de direitos humanos expressaram oposição à divulgação pública da morte do condenado.
Estados Unidos não realizam execução militar desde 1961
A execução de Hasan representa um acontecimento raro na história recente do sistema de justiça militar americano.
Segundo o Death Penalty Information Center, a última execução realizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos ocorreu em 1961, quando o soldado John Bennett foi enforcado.
A última execução militar por pelotão de fuzilamento aconteceu em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.
Caso seja realizada conforme o cronograma anunciado, a execução de Hasan encerrará um intervalo de aproximadamente 65 anos sem aplicação de pena capital pelo sistema militar americano.
Especialistas observam, entretanto, que ainda poderão existir recursos judiciais capazes de alterar a data prevista.
Execuções públicas são raras no mundo
A proposta original do governo Trump também provocou debates internacionais sobre a aplicação da pena de morte.
Segundo a Anistia Internacional, Afeganistão e Irã foram os únicos países com execuções públicas conhecidas em 2025.
Nos Estados Unidos, a última execução pública geralmente reconhecida ocorreu em 1936, no estado do Kentucky, quando Rainey Bethea foi enforcado diante de uma multidão.
A transmissão pela internet da execução de Hasan seria um acontecimento sem precedentes na história contemporânea da justiça militar americana.
Execução permanece prevista para dezembro
Com a decisão anunciada nesta quinta-feira, o governo americano descarta a transmissão pública, mas mantém o planejamento para executar a sentença contra Nidal Hasan.
Os detalhes sobre o acesso dos familiares das vítimas e os procedimentos de segurança ainda poderão ser definidos pelas autoridades militares.
O episódio reacendeu discussões sobre os limites da punição estatal, a exposição de execuções e os efeitos de imagens violentas sobre a sociedade.
Até o momento, não foi anunciada qualquer mudança na data de execução.

