Funcionários dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela estatal durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A mobilização ocorre em praticamente todo o país. Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), as bases de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul aprovaram a paralisação, assim como outras assembleias realizadas nacionalmente. Até a divulgação inicial do movimento, 35 assembleias haviam aprovado a greve.
Plano de saúde é um dos principais pontos de conflito
Um dos principais impasses entre os trabalhadores e a direção dos Correios está relacionado ao plano de saúde oferecido aos empregados, aposentados e dependentes.
A Findect afirma que mudanças discutidas pela empresa podem alterar a participação dos Correios no custeio do benefício. Para a entidade, a alteração pode aumentar os custos para os trabalhadores e comprometer a assistência médica. A categoria também reivindica a manutenção de direitos previstos no acordo coletivo.
As negociações chegaram ao TST depois que empresa e sindicatos não conseguiram chegar a um entendimento. Os Correios haviam recorrido ao tribunal em agosto para tentar mediar a definição do novo acordo coletivo. A estatal afirmou que buscava conciliar a preservação dos direitos dos funcionários com a situação financeira da companhia e a continuidade dos serviços.
Greve acontece em meio à crise financeira dos Correios
A paralisação ocorre enquanto a estatal enfrenta uma das situações financeiras mais delicadas de sua história recente. Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 30,36% pior que o registrado no mesmo período de 2025.
No segundo trimestre, o prejuízo foi de R$ 2,39 bilhões. A empresa também acumula uma sequência de resultados negativos e está executando um plano de reestruturação para reduzir despesas, ampliar receitas e melhorar sua eficiência operacional.
A situação financeira também levou os Correios a buscar novos recursos. A empresa formalizou um pedido de empréstimo de R$ 7 bilhões junto a bancos privados, operação que depende de garantia do Tesouro Nacional. Em dezembro de 2025, a estatal já havia contratado R$ 12 bilhões em empréstimos com aval da União.
Além disso, o Orçamento de 2027 prevê R$ 6 bilhões para apoiar a reestruturação dos Correios. A estatal também vem adotando medidas como programas de desligamento voluntário e venda de imóveis para reforçar o caixa.
O que pode acontecer com as entregas
A greve pode afetar a operação de agências, distribuição de correspondências e entrega de encomendas, mas a dimensão do impacto dependerá da adesão dos trabalhadores em cada região. Neste momento, não é possível afirmar que todos os serviços dos Correios estejam totalmente paralisados em todo o país.
A paralisação não tem prazo definido para terminar. Com as negociações interrompidas após a rejeição da proposta, uma nova rodada de diálogo entre a estatal e os representantes dos trabalhadores poderá ser necessária para tentar encerrar o movimento.

