Entre fevereiro e agosto de 2026, o planeta registrou pelo menos 11 terremotos de magnitude igual ou superior a 7.0, número próximo da média histórica anual que gira em torno de 15 eventos dessa magnitude por ano. Apesar de dentro do esperado estatisticamente, a distribuição geográfica desses sismos em 2026 chama atenção por reforçar dois padrões bem conhecidos da geografia física: a intensa atividade do Anel de Fogo do Pacífico e a sismicidade da borda oeste da placa Sul-Americana, associada à subducção da placa de Nazca.
Neste artigo, listamos todos os eventos registrados até agora, país por país, e explicamos o que eles revelam sobre a dinâmica das placas tectônicas no planeta.
Figura 1. Mapa com os registros de terremotos acima de 7.0 de magnitude

Fonte: USGS, 2026
A lista completa
1. Malásia — Magnitude 7.1 22 de fevereiro de 2026. Epicentro em Sabah, 57 km a noroeste-noroeste de Kota Belud. Considerado o terremoto mais forte já registrado no país em tempos recentes.
2. Tonga — Magnitude 7.5 25 de março de 2026. Epicentro no oceano Pacífico, 166 km a oeste de Neiafu.
3. Vanuatu — Magnitude 7.3 28 de março de 2026. Epicentro 48 km a leste-nordeste de Luganville. Provocou danos e apagão na ilha de Santo.
4. Indonésia — Magnitude 7.4 1º de abril de 2026. Epicentro na região do Norte das Molucas, 126 km a oeste-noroeste de Ternate.
5. Japão — Magnitude 7.4 23 de abril de 2026. Epicentro no Pacífico, 100 km a leste-nordeste de Miyako, na costa de Tohoku.
6. Filipinas — Magnitude 7.8 10 de junho de 2026. Epicentro próximo a Sarangani, no sul do arquipélago. O terremoto mais forte registrado no mundo em 2026 até o momento.
7. Venezuela — Magnitude 7.2 26 de junho de 2026. Epicentro próximo a San Felipe. Primeiro de dois grandes sismos que atingiram o país no mesmo dia.
8. Venezuela — Magnitude 7.5 26 de junho de 2026. Epicentro próximo a Yumare, poucas horas após o primeiro terremoto do dia.
9. México — Magnitude 7.3 17 de julho de 2026. Epicentro no sul do país, em Chiapas, próximo à fronteira com a Guatemala. Alerta de tsunami foi emitido e depois cancelado.
10. Colômbia — Magnitude 7.4 10 de agosto de 2026. Epicentro na região do Chocó, próximo a San José del Palmar. Considerado o maior terremoto já registrado no país no século XXI.
11. Peru — Magnitude 7.2 20 de agosto de 2026. Epicentro no departamento de Ayacucho, 35 km ao norte de Coracora, província de Parinacochas, a 108 km de profundidade.
O Anel de Fogo continua ativo
Seis dos onze eventos: Malásia, Tonga, Vanuatu, Indonésia, Japão e Filipinas ocorreram ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, cinturão de cerca de 40 mil km que concentra aproximadamente 90% dos terremotos do planeta devido ao encontro de diversas placas tectônicas em zonas de subducção. Dentro desse grupo, destaca-se o terremoto de magnitude 7.8 nas Filipinas, em junho, o mais forte do ano até agora.
Um cluster fora do padrão: América do Sul e Caribe
O segundo bloco de eventos, concentrado entre junho e agosto, aconteceu numa região tectonicamente mais estável na percepção popular, mas historicamente sujeita a grandes sismos: a borda noroeste da América do Sul e o Caribe.
Em 26 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitude 7.2 e 7.5 no mesmo dia evento raro, associado à interação complexa entre a placa Caribenha e a placa Sul-Americana. Semanas depois, em 17 de julho, um sismo de magnitude 7.3 atingiu o sul do México, próximo à fronteira com a Guatemala.
Já em agosto, dois terremotos consecutivos reacenderam o debate sobre a sismicidade andina: em 10 de agosto, a Colômbia registrou o que é considerado o maior terremoto de sua história recente, na região do Chocó. Dez dias depois, em 20 de agosto, o Peru foi sacudido por um sismo de magnitude 7.2 em Ayacucho um evento típico da zona de subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana, que também é responsável por parte do relevo andino.
Por que isso importa para a geografia
Esses eventos ilustram bem um princípio central da geografia física: a distribuição da sismicidade mundial não é aleatória, mas segue diretamente os limites das placas tectônicas. Ao mesmo tempo, o cluster sul-americano de 2026 é um lembrete de que zonas de subducção como a do Peru e da Colômbia normalmente associadas a terremotos de magnitude menor, porém mais frequentes também são capazes de gerar eventos de grande magnitude, com impactos sociais significativos em regiões densamente povoadas dos Andes.
Fontes: USGS (U.S. Geological Survey), Instituto Geofísico del Perú (IGP), Servicio Geológico Colombiano.

