O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu nesta terça-feira (9) a segurança da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, após a suspensão temporária da aplicação do imunizante pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa.
A interrupção da campanha foi anunciada nesta semana depois do registro de reações adversas graves e da investigação de duas mortes suspeitas entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas em diferentes regiões do país.
Segundo Tarcísio, a decisão das autoridades sanitárias foi adotada por precaução e segue os protocolos previstos para situações que exigem uma análise mais aprofundada.
“Entendemos o dever de cautela do Ministério da Saúde e a responsabilidade envolvida em uma situação dessas”, afirmou o governador durante agenda oficial em São Paulo.
Vacina passou por décadas de pesquisas

Ao comentar o desenvolvimento do imunizante, Tarcísio ressaltou que a vacina é resultado de mais de 20 anos de estudos conduzidos pelo Butantan.
De acordo com o governador, o produto passou por todas as fases exigidas de testes clínicos e contou com a participação de aproximadamente 11 mil voluntários durante o processo de validação.
Ele destacou ainda que, nos locais onde ocorreram campanhas de vacinação em massa, não foram identificados efeitos adversos relevantes que justificassem preocupações imediatas sobre a segurança do imunizante.
Investigação busca identificar possível relação
O governador explicou que os casos graves registrados ocorreram entre profissionais da área da saúde, público que vinha sendo priorizado na estratégia inicial de vacinação.
Segundo ele, o objetivo agora é verificar se existe uma relação direta entre os eventos adversos e a aplicação da vacina.
“Precisamos pesquisar para saber se existe um nexo causal. Como isso ainda não está comprovado, é necessário estudar. Esse processo faz parte do protocolo”, declarou.
Tarcísio afirmou ainda que espera que as investigações sejam concluídas rapidamente para permitir uma eventual retomada da campanha de vacinação.
O que levou à suspensão da vacina?
As autoridades sanitárias investigam três casos graves registrados após a aplicação do imunizante do Butantan.
Entre eles estão:
🔹 Uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas compatíveis com dengue grave e precisou ser internada em uma UTI, mas recebeu alta posteriormente;
🔹 Uma mulher de 48 anos que morreu após desenvolver um quadro grave associado a complicações neurológicas;
🔹 Um homem de 58 anos que também morreu após evoluir para um quadro de dengue grave com choque refratário.
Até o momento, o Ministério da Saúde ressalta que não existe confirmação de que os casos tenham sido causados pela vacina.
Primeira vacina brasileira contra a dengue
A vacina do Butantan é considerada um marco para a saúde pública brasileira.
Além de ser a primeira vacina contra a dengue produzida integralmente no país, ela também se destaca por ser a primeira do mundo aplicada em dose única.
O imunizante começou a ser utilizado neste ano em projetos-piloto e campanhas específicas voltadas principalmente para profissionais da saúde.
As aplicações ocorreram em municípios e regiões como:
- Nova Lima (MG);
- Botucatu (SP);
- Maranguape (CE);
- Região de Araguaína (TO).
Orientação para quem foi vacinado
Enquanto a investigação segue em andamento, o Ministério da Saúde orienta que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento preventivo.
Os sinais que merecem atenção incluem:
🩺 Febre;
🩺 Dor abdominal intensa e contínua;
🩺 Vômitos persistentes;
🩺 Tontura;
🩺 Sangramentos;
🩺 Sonolência excessiva;
🩺 Irritabilidade;
🩺 Sinais de desidratação;
🩺 Piora do estado geral.
A suspensão permanece em vigor até que os órgãos responsáveis concluam a análise dos casos e definam os próximos passos da campanha de imunização contra a dengue.

