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Reino Unido simula retomada das Ilhas Malvinas com 250 militares em meio a tensões com a Argentina

Exercício britânico envolveu desembarque anfíbio, marcha noturna de 32 quilômetros e combate em terreno rochoso. Disputa pela soberania do arquipélago ganha novo capítulo com exploração de petróleo e ação argentina em tribunal internacional.

Reino Unido simula retomada das Ilhas Malvinas com 250 militares em meio a tensões com a Argentina

Fonte da imagem: Credit: AP/Vadim Ghirda

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O Reino Unido realizou um treinamento militar simulando a reconquista das Ilhas Malvinas, arquipélago no Atlântico Sul cuja soberania é disputada com a Argentina. A operação reuniu aproximadamente 250 militares britânicos e integrantes das forças locais, em meio à intensificação das tensões diplomáticas entre Londres e Buenos Aires.

Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (13) pelo jornal britânico The Times, os soldados participaram de uma simulação de retomada territorial, com desembarques anfíbios, deslocamentos noturnos e treinamento de combate em áreas de difícil acesso.

O exercício, denominado Cape Upholder, ocorreu entre 27 de setembro e 2 de outubro e reproduziu aspectos de uma operação militar realizada durante a Guerra das Malvinas, em 1982.

As manobras coincidiram com novas declarações do presidente argentino Javier Milei sobre a soberania do arquipélago. Entretanto, não há confirmação de que o treinamento tenha sido oficialmente determinado como resposta às manifestações argentinas.


Como foi o treinamento militar britânico?

A operação reuniu aproximadamente 150 integrantes do Regimento de Paraquedistas do Exército britânico e 100 reservistas da Falkland Islands Defence Force, força responsável pela defesa territorial local.

Durante seis dias, os participantes realizaram atividades destinadas a testar a capacidade de resposta a uma eventual invasão das ilhas.

Entre os principais exercícios estavam desembarques a partir do mar, simulações de combate a curta distância e uma marcha noturna de aproximadamente 32 quilômetros, atravessando áreas rochosas e terrenos acidentados.

O treinamento também incorporou cenários de ameaças modernas, incluindo ataques com drones e operações de guerra cibernética.

A movimentação envolveu integrantes do 2º Batalhão do Regimento de Paraquedistas britânico, conhecido como 2 PARA, e contou com apoio aéreo previsto de caças Eurofighter Typhoon.

Quatro aeronaves desse modelo estavam entre os recursos militares associados às operações de prontidão no arquipélago.


Exercício reproduziu operação da Guerra das Malvinas

O cenário simulado foi inspirado na Operação Sutton, realizada pelas forças britânicas em maio de 1982.

Naquele ano, tropas argentinas ocuparam as ilhas, provocando uma guerra com o Reino Unido que durou 74 dias.

Durante a campanha militar, os britânicos realizaram desembarques na região de San Carlos para estabelecer uma posição terrestre e avançar contra as forças argentinas.

O conflito terminou em junho de 1982, com a vitória militar britânica e a retomada do controle das ilhas pelo Reino Unido.

Mais de 900 pessoas morreram durante a guerra, incluindo militares argentinos e britânicos.

A disputa diplomática pela soberania, entretanto, permanece sem solução definitiva.


Javier Milei intensifica reivindicações argentinas

O novo exercício ocorre em meio a declarações do presidente argentino Javier Milei sobre a situação das Malvinas.

Em setembro, o governo argentino voltou a questionar a administração britânica e anunciou medidas relacionadas à exploração de recursos naturais na região.

A Argentina considera as ilhas parte de seu território nacional e defende a abertura de negociações sobre soberania.

O Reino Unido, por sua vez, sustenta que os habitantes do arquipélago possuem o direito de decidir seu próprio futuro político.

Em referendo realizado em 2013, a maioria dos eleitores locais votou pela manutenção do status de território britânico ultramarino.

As posições permanecem divergentes, embora os dois países mantenham relações diplomáticas.


Petróleo aumenta tensão entre Argentina e Reino Unido

A disputa territorial ganhou uma nova dimensão com o avanço do projeto petrolífero Sea Lion, localizado aproximadamente 220 quilômetros ao norte das Ilhas Malvinas.

O empreendimento envolve as empresas Rockhopper Exploration e Navitas Petroleum, responsáveis pelo desenvolvimento de reservas de petróleo na região.

O governo argentino considera que a exploração de recursos naturais nessa área viola seus direitos sobre a plataforma continental.

Em 28 de setembro, a Presidência argentina anunciou a abertura de um procedimento de arbitragem internacional contra o Reino Unido, com o objetivo de impedir a continuidade das atividades petrolíferas.


Argentina pede intervenção de tribunal internacional

Nesta terça-feira (13), Buenos Aires ampliou sua ofensiva jurídica ao solicitar medidas provisórias ao Tribunal Internacional do Direito do Mar, sediado em Hamburgo, na Alemanha.

O governo argentino busca impedir o avanço do projeto Sea Lion enquanto a disputa é analisada.

Segundo a agência Reuters, a Argentina argumenta que a exploração de hidrocarbonetos foi autorizada unilateralmente pelo Reino Unido em uma área cuja soberania continua sendo contestada.

O governo britânico rejeita essa interpretação e afirma que as licenças concedidas às empresas são legais.

A iniciativa representa uma nova etapa na disputa, agora concentrada também nos direitos de exploração dos recursos energéticos do Atlântico Sul.


Reino Unido mantém estrutura militar permanente nas ilhas

Apesar da repercussão do treinamento, a presença militar britânica nas Malvinas não é recente.

O Reino Unido mantém instalações militares permanentes no arquipélago, incluindo a base de Mount Pleasant, utilizada pela Royal Air Force (RAF), a Força Aérea britânica.

A estrutura inclui aeronaves de combate, sistemas de defesa aérea, unidades terrestres e apoio logístico.

As forças britânicas também realizam periodicamente treinamentos destinados a testar o deslocamento de tropas e a resposta a situações de emergência.

Portanto, o exercício Cape Upholder deve ser compreendido dentro dessa estrutura de defesa permanente, e não como evidência isolada de uma operação militar iminente.


Há risco de uma nova guerra pelas Malvinas?

O aumento das tensões diplomáticas, as operações militares e a disputa pelo petróleo ampliam a atenção internacional sobre o arquipélago.

Entretanto, não há evidências públicas de que Argentina e Reino Unido estejam preparando um confronto militar direto.

A simulação britânica representa um exercício de prontidão, enquanto as iniciativas argentinas divulgadas recentemente estão concentradas em medidas diplomáticas, econômicas e jurídicas.

O cenário demonstra que, mais de quatro décadas após a Guerra das Malvinas, a disputa pela soberania continua sendo uma questão relevante nas relações entre os dois países.