O céu cinzento de Manaus virou o retrato mais visível da crise. O Amazonas registrou 1.380 focos de calor nos dez primeiros dias de outubro de 2026, alta de 271% sobre os 372 do mesmo período de 2025. O mês anterior já indicava a escalada: em setembro foram 3.726 focos no estado, quase quatro vezes os 942 de setembro de 2025. Os dados do INPE contabilizam focos de calor, ou seja, detecções de calor por satélite, que não equivalem necessariamente ao número de incêndios. Um único foco pode representar uma ou várias frentes de fogo.

Por que a Amazônia queima?
O fogo na Amazônia raramente é natural. As queimadas costumam estar ligadas ao desmatamento, quando áreas derrubadas são queimadas para “limpar” o terreno. O período de estiagem vai tradicionalmente de agosto a outubro, com pico das queimadas em setembro.Em 2026, um fator climático soma-se ao humano: o El Niño. O fenômeno é considerado forte neste ano, e a Amazônia central, onde fica Manaus, está entre as regiões mais sensíveis a ele. Com menos chuva e vegetação seca, queimadas em pastagens escapam ao controle e se transformam em incêndios de grandes proporções.
O cenário nesta semana
Manaus teve a pior qualidade do ar do país segundo o índice AQI⁺. Segundo o INPE, os municípios com mais queimadas incluem Manaus, Iranduba, Careiro da Várzea, Autazes, Manacapuru, Anori, Apuí, Lábrea, Manicoré e Novo Aripuanã. Um dos maiores incêndios fica na AM-010, na entrada de Itacoatiara: o fogo durava oito dias e atingia cerca de 1.150 hectares.
Os dados do Censipam mostram onde o fogo se concentra: dos 1.380 focos de calor do início de outubro, 1.186 estavam em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais sem situação fundiária definida; 116 ocorreram em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Diante do avanço do fogo, o Corpo de Bombeiros de São Paulo enviou uma equipe para reforçar o combate no estado.
Curiosidades
- Foco de calor não é sinônimo de incêndio: é a detecção de calor por satélite, que pode indicar uma ou várias frentes de fogo.
- A Amazônia gera boa parte da própria chuva pela evapotranspiração da floresta. Quanto mais ela queima, mais a seca tende a se agravar.
- O INPE monitora os focos de calor desde 1998, o que permite comparar cada temporada com uma série histórica de mais de 25 anos.

