Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (3) pela AtlasIntel revelou que 47,6% dos brasileiros consideram "péssimo" o desempenho do governo federal na área de segurança pública e no combate ao crime organizado.
O levantamento foi realizado em um momento de forte debate nacional sobre o avanço das facções criminosas e sobre as medidas adotadas para enfrentar organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Os entrevistados responderam à pergunta: “Como você avalia o desempenho do governo federal na área da segurança pública e combate ao crime organizado?”.
Os resultados mostram que a percepção negativa supera com ampla margem as avaliações positivas.
Avaliação do governo na área de segurança
Segundo a pesquisa, 47,6% dos entrevistados classificaram a atuação do governo como "péssima".
Outros 6,7% avaliaram a gestão como "ruim", elevando para 54,3% o total de avaliações negativas.
Já as avaliações positivas somaram 36,8%, sendo 18,7% classificadas como "boas" e 18,1% como "ótimas".
O grupo que considera a atuação "regular" correspondeu a 8,7% dos entrevistados.
Os números indicam que a segurança pública permanece entre os temas de maior preocupação para a população brasileira.
Levantamento ouviu mais de mil pessoas

A pesquisa foi realizada entre os dias 30 de maio e 3 de junho.
Ao todo, 1.273 pessoas com 16 anos ou mais participaram do levantamento.
Segundo a AtlasIntel, a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O período da coleta coincidiu com acontecimentos que ampliaram o debate sobre segurança pública e combate ao crime organizado no Brasil.
Classificação de PCC e CV pelos EUA influenciou debate
Durante a realização da pesquisa, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a inclusão do PCC e do CV em listas americanas de organizações terroristas.
As duas facções brasileiras passaram a ser classificadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e também como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).
A decisão ampliou a repercussão internacional das atividades das organizações criminosas e gerou discussões sobre possíveis impactos nas estratégias de combate ao crime organizado.
O tema dominou parte do noticiário nacional durante os dias em que a pesquisa foi realizada.
Corrupção e infiltração política aparecem como principal atividade das facções
O levantamento também buscou identificar como os brasileiros enxergam atualmente a atuação das principais organizações criminosas do país.
Para 48,3% dos entrevistados, a principal atividade do PCC e do CV está relacionada à corrupção e à infiltração política.
O tráfico de drogas apareceu em segundo lugar, citado por 44,2% dos participantes.
Já a lavagem de dinheiro foi apontada por 39,8% dos entrevistados como uma das principais áreas de atuação dessas organizações.
Os dados sugerem que parte significativa da população percebe as facções como estruturas que vão além da atividade tradicional ligada ao narcotráfico.
Bloqueio financeiro é visto como principal ferramenta de combate
Quando questionados sobre quais medidas deveriam ser priorizadas para combater o crime organizado, a maioria dos entrevistados destacou ações financeiras.
Segundo a pesquisa, 74,5% defendem o sufocamento financeiro das facções por meio do bloqueio de contas bancárias, rastreamento de recursos e combate à lavagem de dinheiro.
A estratégia aparece com ampla vantagem em relação às demais alternativas apresentadas aos participantes.
Para especialistas em segurança pública, o enfraquecimento das estruturas financeiras das organizações criminosas é considerado um dos instrumentos mais eficazes para reduzir sua capacidade operacional.
Sem acesso a recursos financeiros, grupos criminosos enfrentam dificuldades para financiar atividades ilícitas, expandir operações e manter influência sobre territórios.
Controle das fronteiras também é prioridade
Além das medidas financeiras, o controle das fronteiras foi citado por 29,1% dos entrevistados como uma das principais ações necessárias para enfrentar o crime organizado.
A questão está diretamente relacionada ao combate ao tráfico internacional de drogas, armas e munições que abastecem organizações criminosas em diferentes regiões do país.
O Brasil possui mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres com dez países sul-americanos, o que torna o monitoramento um dos principais desafios das forças de segurança.
Nos últimos anos, operações federais têm buscado ampliar a integração entre órgãos nacionais e autoridades de países vizinhos para combater o tráfico transnacional.
Segurança segue como tema central do debate público

Os resultados da pesquisa surgem em um momento de intensa discussão sobre propostas legislativas e medidas voltadas ao enfrentamento do crime organizado.
Nos últimos meses, diferentes setores políticos passaram a defender mudanças na legislação penal, fortalecimento da inteligência financeira, ampliação da cooperação internacional e maior integração entre forças de segurança.
O tema também ganhou destaque após o avanço de propostas relacionadas ao combate às facções no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.
Enquanto isso, pesquisas de opinião continuam indicando que a segurança pública permanece entre as áreas mais sensíveis para a população brasileira.
Os dados divulgados pela AtlasIntel mostram que o combate ao crime organizado segue sendo uma das principais cobranças feitas pela sociedade aos governos e às instituições responsáveis pela segurança do país.

