LIVE
Carregando…
Voltar ao portal

Quaest: Lula lidera com 39% no 1º turno; Flávio tem 29%

Levantamento aponta crescimento do presidente entre eleitores sem identificação com lulismo ou bolsonarismo; Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar e enfrenta desgaste em temas recentes.

Quaest: Lula lidera com 39% no 1º turno; Flávio tem 29%

Presidente Lula e Senador Flávio Bolsonaro · PRESIDÊNCIA / AGÊNCIA SENADO

Compartilhar

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) indica um cenário mais favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o levantamento, Lula aparece com 39% das intenções de voto em um eventual primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra 29%.

A diferença de dez pontos percentuais também se reflete em uma possível disputa de segundo turno. Nesse cenário, o presidente alcança 44% das intenções de voto, contra 38% do parlamentar do PL.

O estudo ouviu 2.004 eleitores entre os dias 5 e 8 de junho e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Eleitor independente impulsiona crescimento

O dado que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a movimentação entre os eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo.

Nesse grupo, Lula avançou de 29% para 37% das intenções de voto em comparação com a rodada anterior do levantamento. Já Flávio Bolsonaro recuou de 31% para 24%.

Como os eleitores independentes costumam ter papel decisivo em disputas polarizadas, o resultado sugere um aumento da capacidade do presidente de ampliar sua base para além dos apoiadores tradicionais.

Analistas políticos costumam considerar esse segmento como um dos mais importantes para definir os rumos de uma eleição nacional.

Aprovação do governo apresenta melhora

A pesquisa também registrou uma recuperação na avaliação do governo federal.

Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados aprovam a gestão de Lula, enquanto 48% desaprovam. O resultado configura empate técnico dentro da margem de erro.

A melhora na percepção do governo ocorre em meio à implementação de programas econômicos e medidas voltadas para a renda da população.

Entre elas, aparece o programa Desenrola Brasil, apontado por 71% dos entrevistados como responsável por alguma melhora ou impacto significativo na situação financeira pessoal.

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a percepção de um ambiente econômico mais favorável também foram citadas como fatores que podem ter contribuído para o crescimento da aprovação presidencial.

Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste em temas recentes

A pesquisa também avaliou a repercussão de episódios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados consideram que o parlamentar errou ao buscar apoio financeiro do empresário Daniel Vorcaro para o projeto cinematográfico "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, 58% acreditam que o senador pode estar ocultando informações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. Outros 62% afirmaram acreditar que Flávio tinha conhecimento prévio sobre possíveis irregularidades ligadas ao banqueiro.

Os números indicam que o episódio teve repercussão negativa entre parte significativa do eleitorado.

Relação com os Estados Unidos entra no debate

Outro tema abordado pela pesquisa foi a atuação internacional do senador e sua aproximação com o governo americano.

Quase metade dos entrevistados, 47%, acredita que o encontro de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, influenciou a decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Embora exista amplo apoio popular à classificação das facções criminosas, parte dos entrevistados demonstrou preocupação com possíveis consequências econômicas das medidas adotadas por Washington.

A pesquisa também mostrou vantagem do discurso defendido por Lula sobre o tema. Para 47% dos entrevistados, a versão apresentada pelo presidente sobre a influência de Flávio na decisão americana é mais convincente. Já 35% concordam com a explicação apresentada pelo senador.

Debate sobre Pix também favorece governo

A disputa narrativa envolvendo as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e o sistema de pagamentos brasileiro também apareceu no levantamento.

Segundo os dados, 46% dos entrevistados concordam com a interpretação de Lula de que as medidas americanas estariam relacionadas ao sucesso do Pix e à concorrência que o sistema representa para empresas internacionais do setor financeiro.

Por outro lado, 36% apoiam a explicação apresentada por Flávio Bolsonaro sobre o tema.

O resultado sugere que a narrativa defendida pelo governo federal encontra maior receptividade junto à população neste momento.

Outros candidatos aparecem distantes

Além de Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa testou outros nomes para a disputa presidencial.

O coordenador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, registraram 3% das intenções de voto cada.

Já o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o deputado federal Aécio Neves apareceram com 2%.

Outros candidatos testados ficaram com 1% ou não pontuaram.

Os eleitores indecisos somaram 10%, enquanto 9% declararam intenção de votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas.

Cenário ainda está em construção

Apesar da liderança registrada pela pesquisa, o cenário eleitoral permanece aberto e sujeito a mudanças ao longo dos próximos meses.

O levantamento, porém, indica uma combinação considerada positiva para o Palácio do Planalto: melhora gradual da avaliação do governo, crescimento entre eleitores independentes e desgaste da principal liderança oposicionista testada no estudo.

Com mais de quatro meses até o início oficial do calendário eleitoral, novos acontecimentos políticos e econômicos ainda podem influenciar o comportamento do eleitorado brasileiro.