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Pix pode ser conectado ao sistema de pagamentos instantâneos da Europa

Banco Central do Brasil e Banco Central Europeu avaliam conexão entre Pix e TIPS, que pode facilitar pagamentos entre brasileiros e europeus e reduzir custos de operações internacionais

Pix pode ser conectado ao sistema de pagamentos instantâneos da Europa

Banco Central e BCE estudam integrar o Pix ao TIPS · REPRODUÇÃO (IA)

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O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) estudam a possibilidade de conectar o Pix ao TIPS, plataforma europeia de pagamentos instantâneos. A iniciativa ainda está em fase preliminar, mas, se avançar, poderá representar a primeira conexão transfronteiriça do sistema brasileiro e permitir pagamentos entre Brasil e Europa de forma mais rápida e com menos intermediários.

A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmada pela Reuters, que ouviu duas pessoas com conhecimento direto das discussões. Uma delas afirmou que um projeto-piloto poderá ser lançado em 2028, caso os estudos técnicos avancem conforme o planejado. O BCE confirmou que existe uma investigação preliminar sobre uma possível interconexão entre o TIPS e o Pix.

O Banco Central brasileiro não comentou as negociações. Por enquanto, portanto, não existe uma data definitiva para o início da conexão nem uma decisão final sobre sua implementação.

Como funcionaria a integração entre Pix e TIPS

O TIPS, sigla para TARGET Instant Payment Settlement, é a infraestrutura do Eurosistema para liquidação de pagamentos instantâneos. O sistema permite a transferência de recursos em tempo real e já está conectado aos sistemas de pagamentos de diferentes países europeus.

A proposta em discussão busca conectar diretamente as duas infraestruturas. Em vez de criar um novo meio de pagamento para operações internacionais, a ideia seria permitir que sistemas nacionais de pagamentos instantâneos se comuniquem.

Na prática, um pagamento iniciado no Brasil poderia utilizar o Pix, enquanto uma operação realizada na Europa poderia utilizar a infraestrutura correspondente. A liquidação seria feita entre os sistemas conectados, com mecanismos próprios para conversão entre as moedas.

O Banco Central Europeu explica que a conexão entre sistemas de pagamentos instantâneos nacionais pode reduzir custos e acelerar operações internacionais porque diminui a necessidade de múltiplos intermediários. O BCE estima que mais de 80 países já possuem sistemas domésticos de pagamentos instantâneos.

Pagamentos internacionais podem ficar mais rápidos e baratos

Uma das principais vantagens estudadas é justamente a redução do custo das transferências internacionais.

Hoje, operações entre países podem envolver bancos correspondentes e diferentes etapas de processamento. Cada camada pode acrescentar custos, prazos e procedimentos à transação.

Segundo o BCE, a interconexão de sistemas nacionais de pagamentos instantâneos pode reduzir essas etapas e tornar os pagamentos internacionais mais rápidos, baratos e transparentes. A instituição também aponta que a conexão pode beneficiar regiões e usuários com acesso limitado às estruturas tradicionais de pagamentos internacionais.

Se a integração entre Pix e TIPS for efetivamente implementada, brasileiros e europeus poderão ter uma alternativa mais direta para determinadas operações financeiras entre os dois mercados.

O potencial uso não ficaria restrito a transferências entre pessoas. A conexão também poderia atender remessas de imigrantes e pagamentos relacionados ao comércio exterior, incluindo operações de pequenas e médias empresas, segundo o modelo apresentado nas discussões.

Pix já é um dos maiores sistemas de pagamentos instantâneos

A dimensão do Pix ajuda a explicar o interesse internacional pelo sistema brasileiro.

Criado pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, o Pix se tornou a principal infraestrutura de pagamentos instantâneos do Brasil. O Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que sustenta sua liquidação, é operado pelo Banco Central e processa as transações entre instituições participantes.

Segundo dados citados nas reportagens, o Pix movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025, distribuídos em 79,8 bilhões de operações. O sistema também vem sendo estudado como referência para outras iniciativas internacionais de pagamentos instantâneos.

O BCE também já havia incluído o Pix entre os sistemas estrangeiros avaliados para possíveis conexões com o TIPS. Em um documento publicado em 2026, a instituição cita o Pix ao lado de sistemas como o UPI, da Índia, e destaca o potencial das conexões internacionais para reduzir custos e acelerar pagamentos.

Projeto ainda está longe de ser uma realidade

Apesar do potencial, a integração ainda depende de uma série de etapas técnicas, regulatórias e operacionais.

O Pix está atualmente em uma fase preliminar de avaliação dentro dos estudos do BCE. O cronograma mencionado pelas fontes prevê uma possível fase-piloto em 2028, mas essa data não representa um compromisso definitivo.

Também será necessário estabelecer como funcionariam questões relacionadas à segurança, identificação dos usuários, prevenção a fraudes, regras de pagamento e conversão entre real e euro.

O próprio BCE destaca que projetos de conexão entre sistemas de pagamentos precisam considerar aspectos técnicos, jurídicos, regulatórios, de governança e segurança.

Por isso, a existência dos estudos não significa que um brasileiro poderá utilizar o Pix normalmente para pagar uma compra na Europa ou enviar dinheiro para uma conta europeia a partir de 2027 ou 2028. Isso dependerá do modelo que será escolhido e da conclusão das etapas necessárias.

Conexão ocorre em meio à disputa sobre pagamentos

A possível aproximação entre Pix e TIPS também ocorre em um momento de maior atenção internacional ao sistema brasileiro.

O Pix passou a ser citado nas discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a Reuters, o sistema brasileiro foi incluído entre as chamadas “práticas desleais” utilizadas pelos Estados Unidos como justificativa para novas tarifas sobre produtos brasileiros.

A expansão internacional do Pix também acontece enquanto diferentes países buscam reduzir custos de pagamentos internacionais e diminuir a dependência de estruturas tradicionais de intermediação financeira.

Isso não significa que uma eventual integração com o sistema europeu tenha como objetivo substituir o dólar ou as redes internacionais de pagamentos. O projeto em discussão é, antes de tudo, uma iniciativa de interoperabilidade entre infraestruturas de pagamentos instantâneos.

Uma possível nova etapa para o Pix

Se a conexão for aprovada e implementada, o projeto representará uma mudança importante na trajetória do Pix. O sistema, criado originalmente para pagamentos dentro do Brasil, passaria a participar diretamente de uma infraestrutura internacional de pagamentos instantâneos.

A proposta também colocaria o Brasil entre os países que estão buscando conectar seus sistemas nacionais de pagamentos. O BCE já avalia iniciativas envolvendo outras plataformas estrangeiras, como o UPI, da Índia, o SIC-IP, da Suíça, e o Nexus.

Por enquanto, porém, a integração entre Pix e TIPS continua sendo um projeto em avaliação. O próximo passo é concluir os estudos de viabilidade e definir se existe uma estrutura técnica e regulatória capaz de conectar os dois sistemas.

Caso o projeto avance até a fase-piloto prevista para 2028, Brasil e Europa poderão inaugurar uma nova etapa nos pagamentos internacionais, permitindo que duas das maiores infraestruturas de pagamentos instantâneos sejam utilizadas de forma interoperável.