A Polícia Federal voltou a admitir a possibilidade de um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A retomada das negociações ocorre após mudanças na equipe de defesa do empresário e pode reabrir um dos processos mais acompanhados envolvendo investigações financeiras no país.
Segundo informações apuradas, a saída do advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, abriu espaço para uma nova tentativa de entendimento entre a defesa de Vorcaro e a PF. O criminalista mineiro Sérgio Leonardo assumiu a condução do caso e já teria iniciado contatos relacionados à possível retomada das tratativas.
De acordo com a investigação, a Polícia Federal enviou recentemente um ofício ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. No documento, além de tratar de assuntos ligados ao Banco Master, a corporação também teria sinalizado interesse em reabrir as negociações para um eventual acordo de colaboração premiada.
Como a proposta anterior foi rejeitada, todo o processo deverá começar novamente desde as etapas iniciais. Isso inclui a assinatura de um novo termo de confidencialidade, além da reestruturação das informações que poderão ser apresentadas pela defesa.
Caso as negociações avancem, Daniel Vorcaro deverá entregar novos anexos contendo detalhes da colaboração. O material será analisado tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsáveis por avaliar a utilidade das informações para o andamento das investigações.
A primeira tentativa de delação foi rejeitada no último dia 20 de maio. Na ocasião, a PF apontou que o conteúdo apresentado possuía omissões consideradas relevantes e indicava supostas tentativas de preservar nomes influentes de Brasília que poderiam ter ligação com as fraudes financeiras investigadas.
Os investigadores também consideraram que os anexos entregues pela defesa não apresentavam utilidade prática suficiente para impulsionar o acordo. A avaliação interna foi de que faltavam informações concretas capazes de contribuir diretamente para o avanço das apurações.
Daniel Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025 durante o andamento das investigações envolvendo operações financeiras atribuídas ao Banco Master. Desde então, o caso passou a ganhar grande repercussão nos bastidores políticos e jurídicos de Brasília, principalmente pela possibilidade de envolvimento de empresários, operadores financeiros e agentes públicos.

A eventual retomada da delação é vista como um movimento importante dentro da investigação, especialmente porque acordos de colaboração costumam abrir novos caminhos para identificação de esquemas financeiros, movimentações bancárias e possíveis conexões políticas.
Até o momento, nem a Polícia Federal nem a defesa de Daniel Vorcaro divulgaram detalhes sobre quais informações poderão ser apresentadas em uma nova negociação. O caso segue sob análise do STF e da PGR.

