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Petróleo se aproxima de US$ 100 com nova escalada entre EUA e Irã

Ataques a navios e ameaça de restrição no Estreito de Ormuz elevam risco para o abastecimento global e pressionam bolsas europeias

Petróleo se aproxima de US$ 100 com nova escalada entre EUA e Irã

Tráfego de navios no Estreito de Ormuz · REPRODUÇÃO (IA)

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O petróleo voltou a subir nesta segunda-feira (7) diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e dos riscos para a navegação no Estreito de Ormuz. O Brent chegou a US$ 97,93 durante a madrugada, maior nível em cerca de dois meses, enquanto investidores passaram a considerar um risco maior de interrupções no transporte de petróleo.

A pressão aumentou depois que o Irã anunciou que pretende estabelecer uma nova zona restrita no Golfo e divulgar mapas de um novo corredor marítimo pelo Estreito de Ormuz. A medida ocorre após novos ataques contra embarcações e pode afetar ainda mais o tráfego em uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.

Irã prepara novas restrições em Ormuz

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que a nova zona restrita será anunciada nos próximos dias. Segundo ele, navios que entrarem na área poderão ser incluídos em uma lista de sanções.

Teerã também informou que pretende estabelecer um novo corredor internacional em águas iranianas e omanenses. A rota será administrada pelo Irã, segundo Rezaei, que condicionou a abertura do Estreito de Ormuz ao fim do que classificou como sabotagem, ameaças e ataques dos Estados Unidos.

O estreito é uma passagem estratégica para o mercado de energia. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo mundial passava diariamente pela região. Nos últimos dez dias, porém, uma média de apenas 10 navios de carga atravessou o local por dia, o menor nível desde maio, segundo dados de navegação citados pela CNN.

Ataques aumentam preocupação com oferta de petróleo

A situação se agravou depois que forças americanas atingiram três petroleiros iranianos no sábado (5), incluindo uma embarcação próxima à Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, segundo o Comando Central dos Estados Unidos.

A ação ocorreu depois de ataques da Guarda Revolucionária Islâmica contra navios de guerra americanos na região. O confronto elevou o risco de novos ataques contra embarcações comerciais e aumentou a preocupação dos investidores com o fluxo de petróleo pelo Golfo.

Segundo a Reuters, os ataques recentes já reduziram significativamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz. A agência informou que o Brent subia cerca de 1,2% nesta segunda-feira, para US$ 97,47 por barril. O WTI, referência americana, avançava para US$ 92,26.

O Goldman Sachs avalia que o petróleo pode chegar a US$ 120 por barril caso os ataques contra o transporte marítimo se intensifiquem. O banco considera esse um cenário de risco, e não sua projeção principal. Caso as exportações da região voltem à normalidade, a instituição vê possibilidade de recuo do petróleo para aproximadamente US$ 80.

Bolsas europeias sentem pressão do petróleo

O avanço da commodity começou a aparecer também nos mercados acionários. As bolsas europeias operavam sem direção única nesta segunda-feira, enquanto investidores equilibravam ganhos de empresas de tecnologia com a preocupação provocada pela alta do petróleo.

Por volta das 8h30, o índice Stoxx 600 recuava 0,07%. Londres subia 0,24%, Frankfurt caía 0,36% e Paris avançava 0,07%. O setor de energia, porém, registrava alta de 1,3%.

As empresas ligadas a semicondutores estavam entre os destaques positivos. A ASML subia 1,1% e a ASM International avançava 2,2%, acompanhando a valorização de ações relacionadas à inteligência artificial em outros mercados.

O movimento mostra o contraste entre dois fatores que disputam a atenção dos investidores: o impulso proporcionado pelo setor de tecnologia e a pressão causada pelo encarecimento da energia.

Petróleo mais caro aumenta risco de inflação

A preocupação não se limita ao preço da commodity. Uma interrupção prolongada no transporte de petróleo pode aumentar os custos de combustíveis, transporte e produção, criando novas pressões inflacionárias.

A Reuters informou que o diesel já acumula forte valorização desde o início da guerra e que o aumento dos preços de energia pode dificultar a atuação dos bancos centrais. Na Europa, o Banco Central Europeu terá uma decisão sobre juros nesta semana, enquanto investidores acompanham os efeitos do petróleo sobre a inflação.

O cenário também preocupa o mercado de combustíveis para navios. Segundo a Reuters, a combinação de conflitos e problemas nas refinarias pode provocar um déficit global de óleo combustível de aproximadamente 218 mil barris por dia no terceiro trimestre de 2026.

Próximos movimentos serão decisivos

O mercado agora acompanha principalmente o tráfego pelo Estreito de Ormuz e a possibilidade de novos ataques contra navios. Quanto maior a interrupção dos embarques, maior tende a ser o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo.

A perspectiva pode mudar rapidamente caso haja uma redução das hostilidades e retomada das exportações. Mas uma nova escalada militar ou uma restrição mais ampla à navegação pode provocar um choque maior de oferta.

Enquanto isso, o petróleo permanece próximo de US$ 100 por barril e o mercado financeiro tenta calcular até onde a crise entre Estados Unidos e Irã poderá avançar. A evolução da situação no Estreito de Ormuz será um dos principais fatores para determinar o comportamento da commodity e seus efeitos sobre inflação, juros e bolsas nas próximas semanas.