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Petrobras fecha acordo de 20 anos para comprar GNL dos Estados Unidos

Contrato prevê o fornecimento de 800 mil toneladas de gás natural liquefeito por ano a partir de um terminal no Texas, ampliando a estratégia da estatal para garantir segurança de abastecimento e reduzir a exposição às oscilações do mercado de curto prazo.

Petrobras fecha acordo de 20 anos para comprar GNL dos Estados Unidos

Terminal de Regaseificação de GNL da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ) · AGÊNCIA PETROBRAS

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A Petrobras assinou um contrato de longo prazo com a norte-americana Sempra Infrastructure para a compra de gás natural liquefeito (GNL) produzido nos Estados Unidos. O acordo prevê o fornecimento de 800 mil toneladas de GNL por ano durante 20 anos, com origem no Terminal de Liquefação de Port Arthur, na costa do Texas. O contrato foi assinado no fim de agosto e divulgado pela Petrobras nesta segunda-feira (14).

A operação estabelece uma relação comercial de duas décadas entre a estatal brasileira e uma das grandes empresas de infraestrutura energética dos Estados Unidos. O terminal de Port Arthur está em construção pela Sempra Infrastructure e terá acesso à produção de gás natural norte-americana e a uma estrutura logística voltada ao transporte do combustível para diferentes mercados.

Por que a Petrobras está comprando gás dos EUA

O contrato está relacionado à estratégia da Petrobras para administrar o fornecimento de gás natural ao mercado brasileiro. Diferentemente das compras realizadas no mercado spot, nas quais os preços e volumes podem variar conforme as condições do momento, contratos de longo prazo permitem maior previsibilidade para a composição do portfólio da companhia.

Segundo a Petrobras, a contratação de volumes fixos por um período prolongado ajuda a reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot, fortalecer a gestão de riscos e aumentar a capacidade de atender seus próprios contratos com mais flexibilidade e segurança.

Isso não significa que a Petrobras deixará de comprar GNL no mercado de curto prazo ou que o gás importado dos Estados Unidos será responsável por todo o abastecimento brasileiro. O acordo representa uma parcela contratada do portfólio da estatal, que pode combinar diferentes fontes e modalidades de suprimento de acordo com as necessidades do mercado.

O que é o GNL e por que ele é importante

O gás natural liquefeito é obtido quando o gás natural é resfriado a temperaturas extremamente baixas até passar para o estado líquido. Nesse processo, seu volume é reduzido significativamente, permitindo o transporte em grandes navios especializados.

Ao chegar ao país consumidor, o GNL é novamente transformado em gás em terminais de regaseificação e pode ser encaminhado para a rede de distribuição.

Essa característica permite que o combustível seja comercializado internacionalmente por via marítima. Para países como o Brasil, o GNL funciona como uma alternativa para complementar a oferta doméstica de gás natural em momentos de maior demanda ou quando outras fontes apresentam limitações.

O papel dos Estados Unidos no acordo

O gás contratado pela Petrobras terá origem no Port Arthur LNG, projeto localizado na costa do Texas e desenvolvido pela Sempra Infrastructure.

A localização é estratégica para a exportação porque o Texas concentra uma das maiores infraestruturas de produção, processamento e transporte de gás natural dos Estados Unidos. O terminal terá acesso aos recursos de gás norte-americanos e contará com infraestrutura logística integrada para o escoamento do GNL.

A Sempra Infrastructure é uma subsidiária da Sempra e atua no desenvolvimento, construção, operação e investimento em infraestrutura energética, incluindo projetos de GNL, redes de energia e soluções de baixo carbono.

Para a Petrobras, portanto, o acordo também diversifica sua base de fornecedores e estabelece uma fonte contratada de GNL vinculada à produção norte-americana.

Um contrato de duas décadas em um mercado volátil

O prazo de 20 anos chama atenção porque ultrapassa diferentes ciclos de preços e condições do mercado internacional de energia. Para a Petrobras, a lógica é reduzir parte da exposição às oscilações que podem ocorrer quando precisa recorrer ao mercado spot.

Em períodos de maior demanda ou de choques internacionais, o preço do GNL pode sofrer alterações relevantes. Ter uma parcela do abastecimento contratada previamente permite à empresa administrar melhor o risco de depender exclusivamente das condições encontradas no mercado no momento da compra.

O acordo também ocorre em um momento em que o gás natural ganhou importância para a segurança energética e para o funcionamento de diferentes setores industriais e do sistema elétrico.

O que muda para o Brasil

O contrato não significa que o Brasil passará a depender exclusivamente do gás norte-americano. A Petrobras continuará utilizando diferentes fontes para compor sua oferta, incluindo a produção nacional e outras modalidades de importação.

A relevância do acordo está justamente na diversificação. Ao garantir 800 mil toneladas anuais de GNL por duas décadas, a estatal adiciona ao seu portfólio uma fonte de suprimento com origem definida e reduz parte da necessidade de exposição às condições do mercado de curto prazo.

Na prática, a Petrobras está tentando transformar uma parcela de sua necessidade futura de gás em um compromisso de fornecimento de longo prazo. Para uma empresa que precisa equilibrar segurança energética, custos e flexibilidade operacional, o acordo com a Sempra cria uma nova peça dentro dessa estratégia