O mercado internacional de petróleo entrou em uma nova zona de tensão nesta segunda-feira (14). Ataques contra instalações de energia da Arábia Saudita provocaram a paralisação do oleoduto Leste-Oeste, uma das principais rotas utilizadas pelo país para transportar petróleo até o Mar Vermelho sem depender do Estreito de Ormuz.
A interrupção pode ameaçar até 4% da oferta mundial de petróleo, segundo estimativas de compradores e operadores do mercado. O oleoduto tem capacidade para transportar cerca de 5 milhões de barris por dia e ganhou importância desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, quando o tráfego pelo Estreito de Ormuz foi severamente afetado.
O problema ocorre em um momento em que o mercado já enfrenta uma redução expressiva da oferta. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a produção mundial caiu para 100,1 milhões de barris por dia em agosto, enquanto mais de 10 milhões de barris diários de produção do Golfo permaneceram fora do mercado devido aos riscos de segurança.
Uma rota criada justamente para evitar Ormuz
O oleoduto Leste-Oeste atravessa a Arábia Saudita e conecta áreas produtoras no leste do país ao terminal de Yanbu, no Mar Vermelho. Sua importância aumentou porque permite que parte do petróleo saudita chegue aos mercados internacionais sem passar pelo Estreito de Ormuz.
Antes da guerra, aproximadamente 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados atravessavam Ormuz. Esse fluxo caiu drasticamente durante o conflito, criando uma das maiores interrupções de abastecimento já registradas no mercado mundial.
Agora, a própria rota alternativa foi atingida. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, os estoques de petróleo disponíveis para exportação no porto de Yanbu seriam suficientes para manter os embarques por apenas cinco a sete dias caso o oleoduto permaneça fechado. O prazo para reparos ainda não foi oficialmente definido pelas autoridades sauditas, mas estimativas do setor apontam que o restabelecimento pode levar semanas.
Petróleo volta a superar US$ 108
A nova interrupção já começou a aparecer nos preços. O petróleo Brent chegou a US$ 108,65 por barril nesta segunda-feira, antes de reduzir parte da alta, enquanto o WTI também avançou mais de 2%. A movimentação ocorreu após novos ataques contra infraestrutura energética saudita e embarcações na região.
O impacto não se limita ao petróleo bruto. A IEA alerta que os mercados de derivados estão ainda mais pressionados. O diesel, por exemplo, teve preços nos Estados Unidos superiores a US$ 200 por barril no início de setembro, cerca de 94% acima do nível anterior à guerra.
As reservas também estão sendo utilizadas para compensar a falta de oferta. A IEA calcula que os estoques mundiais observados caíram 507 milhões de barris desde fevereiro, uma média de 2,8 milhões de barris por dia. Somente em agosto, foram retirados 95 milhões de barris dos estoques globais.
O risco agora é de novos pontos de estrangulamento
A preocupação dos mercados não está apenas no volume perdido pelo oleoduto saudita, mas na possibilidade de novos ataques atingirem outras rotas ou instalações estratégicas.
Além de Ormuz, o Bab el-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, também enfrenta fortes restrições. A combinação dos dois pontos de estrangulamento reduz as alternativas disponíveis para produtores e transportadores e torna cada novo ataque potencialmente mais relevante para o equilíbrio mundial de oferta.
A própria IEA revisou suas projeções em setembro e passou a estimar que a oferta mundial cairá 5,7 milhões de barris por dia em 2026, para uma média de 100,7 milhões de barris diários. A agência prevê uma recuperação de aproximadamente 8 milhões de barris por dia em 2027, mas ressalta que a normalização dos fluxos do Oriente Médio foi adiada para o próximo ano.
Com os estoques diminuindo, a capacidade de refino pressionada e as principais rotas de exportação sob risco, o mercado passa a depender cada vez mais da duração dos ataques e da possibilidade de restabelecimento dos fluxos pelo Oriente Médio. Enquanto isso, qualquer nova interrupção relevante pode adicionar pressão aos preços do petróleo e dos combustíveis em diversos mercados.

