O Paraguai anunciou uma nova aproximação tecnológica com Taiwan em um movimento que busca transformar o país em um polo de inteligência artificial, tecnologia digital e produção de componentes eletrônicos na América Latina. O acordo prevê cooperação entre os dois governos em áreas estratégicas, incluindo inteligência artificial, formação de profissionais e desenvolvimento de infraestrutura tecnológica.
A parceria ocorre em um momento de disputa global por capacidade tecnológica, especialmente em setores como inteligência artificial e semicondutores. Países ao redor do mundo têm buscado ampliar sua participação nessas áreas, consideradas fundamentais para a economia digital.
Além da cooperação em inteligência artificial, projetos ligados à fabricação de microchips colocam o Paraguai no radar de investimentos tecnológicos. A expectativa é que o país aproveite vantagens como energia abundante e localização estratégica para tentar atrair empresas do setor.
Taiwan amplia presença tecnológica no Paraguai
Taiwan é uma das principais potências mundiais no setor de tecnologia, especialmente na fabricação de semicondutores. O território asiático concentra algumas das maiores empresas globais de chips, componentes essenciais para computadores, celulares, veículos elétricos, equipamentos industriais e sistemas de inteligência artificial.
O acordo com o Paraguai reforça a relação entre os dois países e amplia a cooperação em uma área considerada estratégica. O governo paraguaio busca utilizar a experiência taiwanesa para desenvolver capacidades próprias em tecnologia e inovação.
Entre os objetivos anunciados está a criação de um ambiente favorável para o desenvolvimento de inteligência artificial, incluindo infraestrutura, capacitação profissional e atração de investimentos.
A proposta também envolve a formação de mão de obra especializada, um dos principais desafios para países que tentam entrar no setor tecnológico.
Projeto de centro de inteligência artificial coloca Paraguai no mapa
O Paraguai pretende avançar na criação de um grande centro voltado à inteligência artificial. A iniciativa faz parte da estratégia do governo de diversificar a economia e reduzir a dependência de setores tradicionais.
Centros de inteligência artificial exigem grandes estruturas de processamento de dados, energia e profissionais especializados. Por isso, a capacidade de oferecer infraestrutura competitiva se tornou um dos principais fatores para atrair empresas e investimentos.
O país aposta principalmente em sua matriz energética. O Paraguai é um dos maiores produtores de energia hidrelétrica da região, principalmente por meio da Usina de Itaipu, compartilhada com o Brasil.
A disponibilidade de energia é considerada uma vantagem para projetos tecnológicos, já que data centers e sistemas de inteligência artificial demandam grande quantidade de eletricidade para operar.
Apesar das expectativas, especialistas apontam que transformar o Paraguai em uma referência global em inteligência artificial dependerá de investimentos contínuos, formação de profissionais e atração de empresas capazes de desenvolver tecnologia em escala.
Paraguai tenta entrar na cadeia global de chips
Além da inteligência artificial, o país também busca espaço na indústria de semicondutores. O setor ganhou importância mundial após problemas de abastecimento durante a pandemia e o aumento da demanda por equipamentos eletrônicos.
Os chips são considerados componentes estratégicos porque estão presentes em praticamente todos os setores da economia moderna. Eles são usados em smartphones, carros, máquinas industriais, sistemas de defesa e equipamentos de inteligência artificial.
Segundo informações divulgadas sobre os projetos, o Paraguai pretende atrair fábricas de microchips voltadas ao abastecimento do mercado latino-americano.
A estratégia é aproveitar fatores como energia competitiva, localização próxima de grandes mercados consumidores e possibilidade de integração com cadeias produtivas da América do Sul.
No entanto, a fabricação de semicondutores é uma das áreas mais complexas da indústria global. Grandes fábricas exigem bilhões de dólares em investimentos, tecnologia avançada e profissionais altamente qualificados.

