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O Petróleo Brasileiro Tem Endereço: Entenda a Concentração da Produção no Rio de Janeiro

O mapa da produção de petróleo por estado do Brasil revela uma concentração territorial extrema: apenas 10 das 27 unidades da federação produzem petróleo, e o Rio de Janeiro sozinho responde por 88,95% do total nacional (dados ANP, dez/2025), impulsionado pelas reservas do pré-sal nas bacias de Santos e Campos. São Paulo e Espírito Santo completam o pódio, enquanto estados historicamente produtores como Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe hoje têm participação residual.

O Petróleo Brasileiro Tem Endereço: Entenda a Concentração da Produção no Rio de Janeiro

IBGE, 2022 · LUCAS ROSÁRIO

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Quando se fala em petróleo no Brasil, é comum pensarmos no país como um todo afinal, o Brasil é hoje um dos maiores produtores mundiais, integrando o seleto grupo de nações que ultrapassam a marca de 4 milhões de barris por dia. Mas um mapa da produção por estado revela uma realidade bem diferente da ideia de "petróleo nacional": a atividade está extremamente concentrada em poucos pontos do território, e um único estado responde por quase 9 em cada 10 barris extraídos no país.

Um recurso concentrado no espaço

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes a dezembro de 2025, apenas 10 das 27 unidades da federação registraram produção de petróleo naquele mês. As outras 17 incluindo estados de grande extensão territorial e relevância econômica, como Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul não possuem nenhuma produção.

Entre os estados produtores, a disparidade é ainda mais chamativa. O Rio de Janeiro concentrou 88,95% de toda a produção nacional de petróleo no período resultado direto da exploração das reservas do pré-sal na Bacia de Santos e dos campos maduros da Bacia de Campos, ambos localizados no litoral fluminense. Na sequência, aparecem São Paulo (4,66%) e Espírito Santo (4,47%), também beneficiados pela proximidade com o pré-sal.

Os demais estados produtores Amazonas, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Paraná e Maranhão dividem entre si menos de 2% do total nacional, um reflexo de campos terrestres (onshore) ou marítimos de menor porte, que ainda mantêm relevância histórica, mas hoje têm peso residual diante da escala do pré-sal.

Figura 1. Percentual da produção de petróleo por estado brasileiro

Fonte: ANP, 2025

Por que essa concentração acontece?

A resposta está na geologia e na história da exploração no Brasil. A maior parte do petróleo brasileiro é encontrada em águas profundas e ultraprofundas, em reservatórios formados há milhões de anos sob uma camada de sal o que deu origem ao termo "pré-sal". Essas formações geológicas se concentram na costa sudeste do país, principalmente nas bacias de Santos e Campos, o que explica por que Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo dominam o cenário produtivo.

Já a produção em estados como Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe remonta a décadas anteriores à descoberta do pré-sal (final dos anos 2000), quando esses campos terrestres e de águas rasas representavam a fronteira da exploração petrolífera brasileira. Com o avanço tecnológico que viabilizou a extração em águas profundas, o centro de gravidade da produção nacional se deslocou fortemente para o Sudeste.

O que isso significa para a economia regional?

Essa concentração espacial tem consequências diretas na distribuição de royalties e participações especiais recursos pagos pelas empresas petrolíferas aos estados e municípios produtores. Isso faz do Rio de Janeiro o principal beneficiário desses repasses no país, financiando parte relevante do orçamento estadual e de municípios litorâneos como Campos dos Goytacazes e Macaé, historicamente marcados pela chamada "economia do petróleo".

Ao mesmo tempo, esse modelo levanta debates recorrentes sobre a distribuição desses recursos entre estados produtores e não produtores, já que a exploração ocorre, em grande parte, em águas territoriais que juridicamente pertencem à União e não exclusivamente ao estado mais próximo da costa.

A Foz do Amazonas pode redesenhar esse mapa

Um capítulo recente e ainda em desenvolvimento nessa geografia do petróleo é a Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas, ao largo do Amapá. Depois de anos de disputa com o Ibama sobre os riscos ambientais de operar em uma área de altíssima biodiversidade marinha que incluiu a exigência de centros de reabilitação de fauna e planos de emergência específicos, a Petrobras obteve em outubro de 2025 a licença para perfurar o poço Morpho, a cerca de 500 km da foz do rio e 175 km da costa amapaense.

Em 17 de agosto de 2026, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a identificação de hidrocarbonetos no poço, indicando a presença de petróleo ou gás natural na região um indício ainda preliminar, já que a real dimensão da descoberta segue em avaliação. Se confirmada em escala comercial, a descoberta pode redesenhar o mapa que acabamos de analisar, deslocando parte do protagonismo da produção brasileira para o extremo norte do país, historicamente ausente da lista de estados produtores.

Um mapa que conta uma história territorial

Mais do que uma curiosidade estatística, a distribuição da produção de petróleo no Brasil é um exemplo claro de como a geografia física a localização das bacias sedimentares e das reservas molda diretamente a geografia econômica do país. O mapa da produção por estado não mostra apenas "quem produz mais petróleo", mas revela como recursos naturais concentrados no espaço geram desigualdades territoriais na arrecadação, no desenvolvimento regional e até na estrutura econômica de cidades inteiras.

Entender esse tipo de distribuição é essencial para qualquer análise sobre desenvolvimento regional no Brasil e é exatamente esse o papel da cartografia temática: transformar números em uma leitura visual imediata do território.


Fonte dos dados: ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural, dezembro de 2025.