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O Brasil dos ventos: Bahia lidera o mapa dos parques eólicos do país

Com 528 empreendimentos registrados, o estado concentra a maior quantidade de projetos eólicos do Brasil; Rio Grande do Norte aparece na segunda posição

O Brasil dos ventos: Bahia lidera o mapa dos parques eólicos do país

PARQUE EÓLICOS POR UF DO BRASIL · LUCAS ROSÁRIO

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O mapa da energia eólica brasileira revela uma concentração territorial bastante clara. Embora os ventos estejam presentes em diferentes regiões do país, é no Nordeste que se encontra o principal corredor de empreendimentos eólicos do Brasil. A Bahia lidera o ranking nacional, seguida pelo Rio Grande do Norte, pelo Ceará e pelo Piauí. Os dados do Sistema de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) registram 1.569 empreendimentos classificados como eólicos no Brasil. Desse total, 1.138 estão em operação, 61 encontram-se em construção e 370 ainda não tiveram as obras iniciadas. A base tem como referência setembro de 2026 e considera empreendimentos em diferentes fases de implantação .

Bahia e Rio Grande do Norte formam o principal eixo eólico

A Bahia aparece isolada na primeira posição, com 528 empreendimentos eólicos registrados no SIGA, sendo 381 em operação. O estado reúne aproximadamente um terço de todos os registros eólicos identificados na base nacional. O Rio Grande do Norte ocupa a segunda posição, com 375 empreendimentos, dos quais 319 estão em operação. O estado possui uma das maiores concentrações de parques eólicos do país, especialmente em áreas do interior e do litoral setentrional, onde a regularidade e a intensidade dos ventos favorecem a geração de eletricidade. Na sequência aparecem o Ceará, com 167 empreendimentos, e o Piauí, com 151. Juntos, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí concentram 1.221 registros, o equivalente a cerca de 78% do total identificado na base da ANEEL.

O Nordeste domina a expansão

A predominância nordestina não é explicada apenas pela existência de ventos fortes. A expansão dos parques também depende da disponibilidade de áreas, da conexão com o sistema elétrico, da infraestrutura de transmissão, do acesso às rodovias e das condições regulatórias e econômicas para a implantação dos projetos. O mapa mostra que a energia eólica se consolidou como uma atividade estratégica para o interior nordestino. Municípios que durante muito tempo estiveram afastados dos grandes centros econômicos passaram a receber investimentos, obras de infraestrutura, arrendamentos de terra e novas receitas associadas à produção de energia. Essa transformação, no entanto, não ocorre de maneira uniforme. A presença de um parque eólico pode gerar empregos e arrecadação, mas também modifica o uso do território e exige negociações com proprietários rurais, comunidades locais e populações tradicionais. Por isso, a expansão da energia dos ventos precisa ser analisada não apenas pelo número de torres instaladas, mas também pelos efeitos sociais, ambientais e territoriais produzidos em cada região.

Nem todo empreendimento é um parque em operação

Uma atenção importante na leitura do mapa é a diferença entre empreendimento registrado e parque eólico em operação. A base da ANEEL reúne projetos em operação, em construção e com construção ainda não iniciada. Por isso, o total de 1.569 registros não corresponde somente ao número de parques que já estão produzindo energia. Para representar a geração eólica atualmente instalada, o indicador mais adequado é o número de empreendimentos em operação. Nesse recorte, o Brasil possui 1.138 registros, com destaque para o Rio Grande do Norte, com 319, e para a Bahia, com 381.

Já para analisar a expansão do setor, o total de registros oferece uma visão mais ampla. Ele inclui os projetos que já funcionam e aqueles que fazem parte da carteira de implantação da geração eólica brasileira.

Um território cada vez mais conectado aos ventos

A energia eólica deixou de ser uma atividade localizada em poucos pontos do litoral nordestino. Atualmente, seus empreendimentos também estão presentes no Sul, no Sudeste e em áreas do interior do país. O Rio Grande do Sul, por exemplo, aparece na quinta posição nacional, com 131 registros, enquanto Santa Catarina possui 18. Mesmo com essa diversificação, a concentração no Nordeste continua sendo a principal característica espacial da energia eólica brasileira. O mapa evidencia uma relação direta entre condições naturais favoráveis, investimentos em infraestrutura e planejamento do sistema elétrico.

Mais do que mostrar onde estão os parques, o mapa ajuda a compreender uma mudança na organização do território brasileiro. A força dos ventos passou a orientar investimentos, redes de transmissão e novas relações econômicas em diferentes municípios. No Brasil, a transição energética também é uma transformação geográfica.

Fonte: ANEEL/SIGA — Sistema de Informações de Geração da ANEEL. Data-base: setembro de 2026.