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Nunes Marques afirma que sistemas eleitorais estão “blindados” após auditoria do TSE antes do segundo turno

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral garante que a verificação não identificou alterações nos programas responsáveis pela transmissão e totalização dos votos. Procedimento público conferiu assinaturas digitais, códigos e registros criptográficos.

Nunes Marques afirma que sistemas eleitorais estão “blindados” após auditoria do TSE antes do segundo turno

© LUIZ ROBERTO/TSE

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste sábado (24) que os sistemas utilizados nas eleições brasileiras estão protegidos contra interferências indevidas. A declaração ocorreu durante uma cerimônia pública de verificação da integridade dos programas que serão utilizados na apuração do segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25).

O procedimento foi realizado na sede do TSE, em Brasília, e teve como objetivo confirmar que os programas instalados nos equipamentos da Justiça Eleitoral correspondem às versões oficiais previamente auditadas, assinadas digitalmente e lacradas.

Segundo o ministro, a análise das assinaturas digitais e dos resumos criptográficos confirmou que nenhum trecho dos programas verificados foi modificado, excluído ou acrescentado desde a etapa de lacração.

A cerimônia integra os mecanismos de fiscalização adotados pela Justiça Eleitoral para assegurar a autenticidade dos sistemas responsáveis pelo processamento dos resultados da votação. 

TSE confirma integridade dos programas eleitorais

Durante a solenidade, Nunes Marques destacou que a verificação representa a conclusão de um longo processo de fiscalização tecnológica.

A análise comparou os arquivos instalados nos computadores do Tribunal com os registros produzidos durante a cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas, realizada em 4 de setembro de 2026.

O processo utiliza recursos de criptografia que permitem identificar alterações nos arquivos, mesmo quando pequenas.

Os técnicos verificaram quatro sistemas fundamentais para o processamento dos resultados eleitorais: Transportador Web, Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos), Informação de Arquivos de Urna (InfoArquivos) e Sistema de Gerenciamento da Totalização (Sistot).

Essas ferramentas atuam na transmissão, recepção, conferência e totalização dos dados encaminhados pelas urnas eletrônicas.

De acordo com o TSE, todas as verificações foram concluídas com sucesso.

Como funcionam as assinaturas digitais e os resumos criptográficos?

A auditoria utiliza dois mecanismos essenciais para verificar a autenticidade dos sistemas eleitorais.

A assinatura digital é um recurso criptográfico que permite verificar a origem e a integridade de um arquivo eletrônico.

Já o resumo criptográfico, conhecido como hash, é um identificador matemático calculado a partir do conteúdo de determinado arquivo.

Quando um programa sofre qualquer modificação, mesmo mínima, o resultado desse cálculo muda, permitindo identificar divergências em relação ao registro original.

No procedimento realizado pelo TSE, os técnicos compararam os hashes dos programas instalados com aqueles registrados na lacração oficial.

A correspondência entre os valores confirmou que os arquivos examinados permaneciam idênticos às versões de referência.

Essa verificação comprova a integridade dos arquivos analisados, embora não substitua os demais procedimentos de auditoria necessários para examinar o funcionamento de todo o processo eleitoral.

Auditoria começou mais de um ano antes da votação

O processo de fiscalização dos sistemas eleitorais teve início em 2 de outubro de 2025, quando a Justiça Eleitoral abriu o chamado Ciclo de Transparência Democrática.

A iniciativa permitiu que instituições habilitadas examinassem os códigos-fonte dos programas utilizados nas eleições.

Entre os participantes estiveram representantes de partidos políticos, instituições jurídicas e órgãos técnicos de fiscalização.

Em setembro de 2026, os sistemas foram assinados digitalmente e lacrados após o encerramento da etapa de desenvolvimento.

Participaram da assinatura representantes do TSE, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público Federal e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

A participação dessas instituições busca ampliar a fiscalização e permitir que diferentes entidades acompanhem a preparação tecnológica das eleições.

TSE também emite relatório para verificar ausência de votos prévios

Além da conferência dos programas, o Tribunal realizou a emissão da chamada zerésima, documento gerado pelo sistema de totalização antes do início da votação.

O relatório demonstra que não existem votos previamente contabilizados para os candidatos no banco de dados utilizado na apuração.

Esse procedimento é uma das etapas de controle destinadas a verificar as condições iniciais do sistema eleitoral.

A zerésima permite registrar oficialmente que a contagem começa sem votos atribuídos aos concorrentes, antes da chegada dos resultados transmitidos pelas urnas.

Urnas eletrônicas passarão por novos testes no domingo

Mesmo após a verificação realizada neste sábado, os procedimentos de fiscalização continuarão durante o segundo turno.

Segundo o TSE, serão realizados o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas e o Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais.

No Teste de Integridade, votos previamente registrados em cédulas de papel são digitados nas urnas selecionadas para a auditoria. Posteriormente, os resultados são comparados para verificar se correspondem aos votos inseridos.

Já o Teste de Autenticidade confere se os programas instalados nas urnas são os mesmos que passaram pelos procedimentos oficiais de auditoria e lacração.

Essas verificações podem ser acompanhadas por representantes de partidos políticos, do Ministério Público, de entidades fiscalizadoras e da sociedade civil.

Segundo turno acontece neste domingo, 25 de outubro

A verificação dos sistemas ocorre na véspera da votação que definirá a Presidência da República para o próximo mandato, além dos governos estaduais onde houver segundo turno.

Durante seu pronunciamento, Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral tem o dever de garantir que os votos sejam registrados e totalizados com precisão.

O presidente do Tribunal também destacou que a segurança eleitoral depende de diferentes mecanismos técnicos de controle e fiscalização.

Com a conclusão da cerimônia, o TSE confirmou a autenticidade dos quatro sistemas de processamento dos resultados examinados neste sábado.

A próxima etapa será acompanhar o funcionamento das urnas e dos procedimentos de totalização ao longo da votação de domingo.