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Netanyahu teria pressionado Trump para retomar ataques ao Irã antes das eleições

Reportagem da imprensa israelense aponta divergências entre os líderes sobre o momento de uma nova ofensiva militar. Forças de Israel e dos Estados Unidos mantêm preparativos, mas Trump declarou que não pretende atacar o Irã antes das eleições americanas.

Netanyahu teria pressionado Trump para retomar ataques ao Irã antes das eleições

O presidente dos EUA, Donald Trump, ouve o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursar no clube Mar-a-Lago de Trump, em 29 de dezembro de 2025, em Palm Beach, Flórida · (FOTO AP/ALEX BRANDON)

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Donald Trump e Benjamin Netanyahu em encontro realizado em dezembro de 2025, nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, teria pressionado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para autorizar uma nova ofensiva militar contra o Irã antes das eleições israelenses de 27 de outubro e das eleições legislativas americanas de 3 de novembro.

A informação foi divulgada pelo Canal 12 da televisão israelense e repercutida pelo jornal The Times of Israel, em reportagem da jornalista Stav Levaton nesta terça-feira (13).

Segundo autoridades familiarizadas com as conversas, Netanyahu teria abordado repetidamente a possibilidade de retomar operações militares contra instalações iranianas, alegando preocupação com atividades relacionadas ao programa nuclear de Teerã.

O gabinete do primeiro-ministro israelense, entretanto, nega que Netanyahu esteja tentando provocar uma nova guerra antes das eleições.

A revelação ocorre em um momento de instabilidade no Oriente Médio, marcado por confrontos anteriores entre forças americanas, israelenses e iranianas, além de incertezas sobre o futuro das negociações diplomáticas.


Netanyahu teria discutido ataques diversas vezes com Trump

De acordo com a reportagem do Canal 12, autoridades americanas ficaram com a impressão de que Netanyahu defendia uma ofensiva antes das eleições.

Uma fonte citada pela emissora afirmou que a retomada das operações foi discutida diversas vezes entre os dois líderes.

Durante as conversas, Trump teria indicado que Israel poderia continuar os preparativos militares, mas não assumiu compromisso definitivo de autorizar um ataque conjunto.

O presidente americano permanece responsável pela decisão sobre o emprego de forças militares dos Estados Unidos.

A reportagem também apresentou uma versão diferente, atribuída a integrantes do governo israelense: Netanyahu teria informado a autoridades de segurança que a discussão sobre novas operações foi iniciada pelo próprio Trump.

As versões divergentes demonstram que não há confirmação independente sobre quem propôs inicialmente a retomada dos ataques.

Trump afirma que não atacará o Irã antes das eleições americanas

Apesar das conversas relatadas pela imprensa israelense, Donald Trump anunciou publicamente, em 8 de outubro, que os Estados Unidos não retomariam ataques militares contra o Irã antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

O presidente americano afirmou que sua administração mantém contatos diplomáticos com representantes iranianos e trabalha para encontrar uma solução para o conflito.

Segundo a agência Reuters, Trump classificou as negociações como produtivas, mas não apresentou um acordo definitivo.

A declaração representa uma posição pública contrária à retomada imediata de uma ofensiva de grande escala, embora não descarte futuras operações.


Forças americanas e israelenses permanecem em prontidão

Mesmo sem autorização para uma nova ofensiva, as Forças de Defesa de Israel (IDF) e o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) mantêm preparativos militares para uma eventual escalada.

Uma reportagem da Axios, publicada em 7 de outubro, informou que o Pentágono havia orientado o CENTCOM a concluir os preparativos para possíveis operações de grande escala contra o Irã.

Entre os alvos avaliados estariam instalações nucleares, estruturas energéticas e outras infraestruturas estratégicas iranianas.

A existência desses planos, entretanto, não significa que uma ofensiva tenha sido aprovada. Preparativos militares também podem ser realizados como medida de contingência.


Chefe do Exército israelense alerta para risco de adiamento das eleições

O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, teria alertado que uma nova guerra antes de 27 de outubro poderia comprometer a realização das eleições legislativas israelenses.

Segundo o Canal 12, Zamir considera que uma ofensiva contra o Irã poderia provocar ataques de retaliação com mísseis contra o território israelense.

Nesse cenário, as autoridades poderiam enfrentar dificuldades para garantir a segurança dos eleitores e o funcionamento das seções eleitorais.

A reportagem também afirma que integrantes da área de segurança israelense não identificaram mudanças recentes na inteligência sobre o programa nuclear iraniano que justificassem uma operação conjunta imediata.

O relato contrasta com a preocupação atribuída a Netanyahu sobre a necessidade de agir rapidamente.


Programa nuclear e testes de mísseis elevam preocupações

As discussões ocorrem enquanto o Irã procura recuperar capacidades militares afetadas por confrontos anteriores.

De acordo com informações atribuídas à inteligência israelense, forças iranianas realizaram testes de mísseis balísticos em diferentes localidades nos últimos dias.

Essas atividades seriam parte de esforços para reconstruir o programa de mísseis do país, embora a avaliação militar israelense citada pela reportagem considere que o processo ainda avança lentamente.

A questão nuclear também continua no centro das divergências.

Os Estados Unidos e Israel afirmam que impedir o desenvolvimento de armas nucleares iranianas é uma prioridade estratégica. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que seu programa nuclear tem finalidades pacíficas.

A verificação dessas alegações depende de informações técnicas e de mecanismos internacionais de fiscalização, incluindo os trabalhos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).


Eleições ampliam a importância das decisões militares


A proximidade das eleições coloca as decisões sobre o conflito em um contexto de elevada sensibilidade política.

Uma retomada dos combates poderia ter consequências humanitárias, militares e econômicas, além de afetar o funcionamento das campanhas e das votações.

Entretanto, não há comprovação independente de que Netanyahu tenha solicitado uma nova ofensiva com finalidade eleitoral. Essa interpretação permanece contestada pelo gabinete do primeiro-ministro.

Nova ofensiva contra o Irã ainda é incerta

Até o momento, não há anúncio oficial de uma operação militar conjunta entre Estados Unidos e Israel.

Embora os dois países mantenham preparativos de defesa, Donald Trump declarou publicamente que não pretende retomar os ataques antes de 3 de novembro.

A situação permanece condicionada às decisões de Washington, às avaliações militares israelenses e à evolução das tensões com Teerã.

A reportagem do Canal 12 revela divergências atribuídas a autoridades próximas das negociações, mas não estabelece que uma nova operação tenha sido autorizada ou que os dois governos tenham definido uma data para atacar.