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Nepal: o país que abriga 8 das 10 maiores montanhas do mundo

O Nepal reúne 8 das 10 maiores montanhas do mundo, fruto da colisão entre as placas tectônicas Indiana e Eurasiática, na cordilheira do Himalaia

Nepal: o país que abriga 8 das 10 maiores montanhas do mundo

As maiores montanhas do mundo no Nepal · LUCAS ROSÁRIO

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Encravado entre a Índia e o Tibete (China), o pequeno Nepal com pouco mais de 147 mil km², território menor que o estado do Paraná concentra em suas fronteiras um dos fenômenos geográficos mais impressionantes do planeta: oito das quatorze montanhas do mundo com mais de 8.000 metros de altitude, os chamados "oito-mil" (eight-thousanders). Nenhum outro país do mundo reúne tantos gigantes do relevo em um espaço tão reduzido, o que faz do Nepal um verdadeiro laboratório a céu aberto para o estudo da geomorfologia e da tectônica de placas.

Contexto geológico

Essa concentração extrema de altitude não é acaso. O Himalaia, cordilheira que corta o Nepal de ponta a ponta, é resultado da colisão entre a Placa Indiana e a Placa Eurasiática, um processo iniciado há cerca de 50 milhões de anos, quando o subcontinente indiano antes uma ilha isolada, separada da Eurásia pelo antigo mar de Tétis colidiu com o continente asiático. Diferente de zonas de subducção clássicas, onde uma placa mergulha sob a outra, no Himalaia as duas placas continentais, ambas com densidade relativamente baixa, resistem ao afundamento e se comprimem uma contra a outra, empurrando o terreno para cima em vez de para baixo. O resultado é a cordilheira mais jovem e mais alta do planeta.

O mais notável é que esse processo continua ativo: a Placa Indiana avança em direção à Eurásia a uma velocidade de aproximadamente 4 a 5 centímetros por ano, e o Himalaia ainda cresce cerca de 5 milímetros por ano quantidade parcialmente compensada pela erosão glacial e fluvial intensa na região. Terremotos frequentes, como o catastrófico sismo de 2015 (magnitude 7,8), são consequência direta dessa tensão tectônica acumulada.

Historicamente, o alpinismo no Himalaia nepalês só se consolidou no século XX. O Everest, a montanha mais alta do mundo, foi escalado pela primeira vez em 1953 por Edmund Hillary e Tenzing Norgay o segundo, um sherpa nepalês, povo étnico que até hoje domina o suporte logístico e o guia de expedições na região, sendo fundamental para a economia do alpinismo local.

Figura 1. Mapa das maiores montanhas do mundo no Nepal

As 8 montanhas do Nepal acima de 8.000 metros

  • Everest: 8.849 m
  • Kangchenjunga: 8.586 m
  • Lhotse: 8.516 m
  • Makalu: 8.485 m
  • Cho Oyu: 8.188 m
  • Dhaulagiri I: 8.167 m
  • Manaslu: 8.163 m
  • Annapurna I: 8.091 m

Vale destacar que Everest, Kangchenjunga, Lhotse, Makalu e Cho Oyu ficam em fronteiras compartilhadas com o Tibete (China), enquanto Dhaulagiri I, Manaslu e Annapurna I estão totalmente em território nepalês.

Curiosidades

  • As duas montanhas com mais de 8.000 m que ficam fora do Nepal são o K2 (8.611 m) e o Nanga Parbat (8.126 m), ambas na Cordilheira do Karakoram, no Paquistão completando as 14 "oito-mil" do mundo.
  • O Annapurna I, apesar de ser a "menor" da lista nepalesa, é historicamente considerada uma das montanhas mais perigosas do mundo para escalada, com uma das maiores taxas de mortalidade entre alpinistas por tentativa de cume.
  • A altitude oficial do Everest foi recalculada em 2020 por uma medição conjunta entre Nepal e China, fixando o valor em 8.849 m alguns metros acima da medida tradicional de 8.848 m usada por décadas.
  • O Kangchenjunga, terceira montanha mais alta do mundo, é considerada sagrada por comunidades locais; por respeito religioso, tradicionalmente os alpinistas param alguns metros abaixo do cume verdadeiro.
  • O Manaslu, cujo nome deriva do sânscrito "manasa" (alma ou intelecto), é apelidado de "Montanha do Espírito".
  • O turismo de montanha é uma das principais fontes de receita do Nepal, respondendo por parcela relevante do PIB do país através de taxas de expedição, vistos e toda a cadeia de guias, carregadores e hospedagem.


A concentração de oito gigantes acima de 8.000 metros em um único país moldados pela mesma colisão tectônica que segue em curso faz do Nepal um caso raro em que geografia física, geopolítica e economia se entrelaçam de forma direta: as montanhas não são apenas recorde topográfico, mas também motor cultural, religioso e econômico de toda uma nação.