LIVE
Carregando…
Voltar ao portal

MP realiza operação contra 15 vereadores suspeitos de corrupção em Mato Grosso; 30 mandados são cumpridos

Operação Cathedra Venalis investiga possível organização criminosa envolvida em negociações de votos e vantagens indevidas na Câmara de Várzea Grande. Mais de 200 policiais participam da ação em três municípios.

MP realiza operação contra 15 vereadores suspeitos de corrupção em Mato Grosso; 30 mandados são cumpridos

DIVULGAÇÃO/MPMT

Compartilhar

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção, organização criminosa e irregularidades envolvendo a administração da Câmara Municipal de Várzea Grande, em Mato Grosso.

A ação tem como alvos 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. Ao todo, foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão para endereços relacionados aos investigados.

Segundo o Gaeco, existem indícios de que agentes públicos teriam participado de um esquema organizado para obtenção de vantagens indevidas, cooptação de parlamentares e prática de crimes contra a administração pública.

A investigação concentra-se em possíveis irregularidades relacionadas à eleição e ao funcionamento da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.

Operação mobiliza mais de 200 policiais em três cidades

Os mandados judiciais são cumpridos nos municípios de Várzea Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

A força-tarefa reúne mais de 200 integrantes de diferentes instituições de segurança pública, incluindo o Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.

Também participam equipes especializadas, entre elas unidades de inteligência, Rotam, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Cavalaria e grupos de apoio.

As buscas têm como objetivo recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para esclarecer os fatos investigados.

Os mandados foram autorizados pela Justiça. Até as informações divulgadas, a operação estava concentrada em medidas de busca e apreensão, sem confirmação de ordens de prisão contra os vereadores. 

Suspeitas envolvem eleição da Mesa Diretora da Câmara

A investigação está relacionada à disputa pelo comando do Legislativo municipal de Várzea Grande.

Segundo informações do jornal Estadão Mato Grosso, o Gaeco apura uma possível negociação de apoio político em troca de vantagens indevidas durante a eleição da Mesa Diretora realizada em maio de 2026.

Na ocasião, o vereador Wanderley Cerqueira (MDB) foi reeleito presidente da Câmara após vencer Lucas do Chapéu do Sol (PL) por 12 votos a 11.

A disputa foi marcada por denúncias sobre possíveis irregularidades na articulação dos votos.

Os investigadores procuram esclarecer se houve pagamento, promessa de benefícios ou outras formas de vantagem para influenciar decisões dos parlamentares.

As suspeitas ainda estão sendo apuradas e não representam comprovação de culpa dos investigados.

Quem são os vereadores investigados?

Embora o comunicado inicial não tenha divulgado os nomes, veículos da imprensa mato-grossense identificaram parlamentares apontados como alvos dos mandados.

Entre eles estão o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), e os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues.

Outros nomes mencionados pela imprensa regional incluem Braz Jaciro, Rosy Prado, Cilcinho, Wender Madureira, Sargento Galibert, Miguelzinho, Lucélia Oliveira, Feitoza, Enfermeiro Emerson e Raul Curvo.

As relações publicadas por diferentes veículos apresentam divergências pontuais, e a participação individual de cada parlamentar ainda não foi detalhada oficialmente pelo Gaeco.

Em Cuiabá, Ilde Taques havia vencido recentemente a eleição para a presidência da Câmara Municipal

Presidente da Câmara questiona operação

Após a deflagração da ação, Wanderley Cerqueira manifestou surpresa com os mandados relacionados à investigação.

Em declaração divulgada pelo jornal Gazeta Digital, o presidente da Câmara afirmou desconhecer os detalhes da operação e questionou a prioridade dada às denúncias relacionadas ao Legislativo municipal.

Cerqueira também informou que apresentará sua defesa dentro do prazo legal.

Até o momento, não foram divulgadas manifestações de todos os parlamentares mencionados nas reportagens

Investigação poderá ter novos desdobramentos

O material apreendido durante a operação será analisado pelas autoridades para determinar a existência de provas que confirmem ou afastem as suspeitas.

Dependendo dos resultados, o Ministério Público poderá realizar novas diligências, ouvir testemunhas e avaliar a apresentação de denúncias à Justiça.

A Operação Cathedra Venalis amplia as investigações sobre a atuação de agentes públicos em Mato Grosso e chama a atenção para os mecanismos de controle e fiscalização das atividades legislativas municipais.

O Gaeco informou que o objetivo central é aprofundar a apuração de possíveis irregularidades e identificar eventuais responsabilidades individuais.