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Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan após duas mortes suspeitas

Governo interrompe temporariamente a aplicação da vacina para investigar eventos adversos graves registrados entre pessoas imunizadas. Mais de 500 mil doses já haviam sido aplicadas no país.

Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan após duas mortes suspeitas
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O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de duas mortes suspeitas e outros casos graves que estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias.

O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa realizada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e representantes do Butantan. Segundo o governo federal, a suspensão é preventiva e permanecerá em vigor enquanto especialistas analisam a possível relação entre os eventos registrados e a vacinação.

A vacina do Butantan é considerada a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e também o primeiro imunizante totalmente desenvolvido no Brasil para a doença.

vacina dengue Butatan

Mais de 500 mil pessoas receberam a vacina

De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil doses já foram aplicadas desde o início da campanha de imunização, que teve como público inicial os profissionais de saúde.

Durante o monitoramento realizado pelo sistema nacional de farmacovigilância, foram identificadas 3.703 notificações de eventos considerados inesperados, com sintomas semelhantes aos observados em casos de dengue.

Segundo a pasta, esses registros representam cerca de 0,7% do total de pessoas vacinadas.

Entre os casos notificados, 42 apresentaram sinais de alerta, incluindo sintomas mais graves que não haviam sido observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.

Casos graves motivaram a suspensão

Dos 42 registros considerados mais preocupantes, três foram classificados como graves.

Segundo o governo federal, um dos casos envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas poucos dias após a vacinação. Ela desenvolveu um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou.

Os outros dois casos resultaram em mortes que ainda estão sendo investigadas.

As ocorrências envolvem:

Mulher de 48 anos

Desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para complicações neurológicas, incluindo meningoencefalite, e a paciente morreu.

Homem de 58 anos

Apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário, vindo a óbito.

Segundo o Ministério da Saúde, ainda não há comprovação de que as mortes tenham sido causadas pela vacina.

Casos são considerados raros

Durante a coletiva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os eventos graves continuam sendo extremamente raros em relação ao número total de pessoas vacinadas.

Segundo os dados apresentados:

📊 500 mil pessoas vacinadas

📊 3.703 notificações de eventos inesperados (0,7%)

📊 42 casos com sinais de alarme (0,008%)

📊 3 casos graves

📊 2 mortes em investigação

Padilha destacou que as análises realizadas até o momento ainda não permitem estabelecer uma relação causal entre a vacinação e os óbitos registrados.

Pessoas vacinadas devem ficar atentas aos sintomas

O Ministério da Saúde orientou que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias observem possíveis sinais de alerta e procurem atendimento médico caso apresentem sintomas compatíveis.

Os principais sinais que devem ser monitorados são:

🌡️ Febre

🤕 Dor abdominal intensa e contínua

🤮 Vômitos persistentes

😵 Tontura

🩸 Sangramentos

😴 Sonolência excessiva

😠 Irritabilidade

💧 Sinais de desidratação

⚠️ Piora do estado geral

Além disso, estados e municípios deverão reforçar a busca ativa por possíveis eventos adversos e ampliar a notificação de casos suspeitos.

Investigação será conduzida por especialistas

A Anvisa informou que notificou oficialmente o Instituto Butantan e deverá reunir um comitê de especialistas para aprofundar a investigação.

O trabalho será realizado de forma conjunta entre:

🔬 Anvisa

🏥 Ministério da Saúde

💉 Programa Nacional de Imunizações (PNI)

🧪 Instituto Butantan

O objetivo é verificar se existe alguma relação entre a vacina e os casos registrados ou se outros fatores podem ter contribuído para os eventos observados.

Butantan afirma que seguirá orientação das autoridades

Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá integralmente as orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa.

A instituição ressaltou que a suspensão é preventiva e visa garantir a segurança da população enquanto novas análises são realizadas.

O Butantan destacou ainda que os estudos clínicos realizados antes da aprovação acompanharam cerca de 16 mil voluntários por cinco anos e demonstraram eficácia global de 79,6% contra a dengue e 89% contra formas graves da doença.

Segundo o instituto, programas de vacinação em massa realizados anteriormente em cidades como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) não identificaram eventos adversos graves relevantes.

Suspensão não significa cancelamento definitivo

Autoridades sanitárias enfatizaram que a interrupção temporária não invalida os resultados dos estudos que comprovaram a eficácia da vacina.

Segundo o diretor do PNI, Eder Gatti, a medida busca ampliar a investigação em diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais para identificar possíveis fatores de risco ainda não observados.

Enquanto as análises prosseguem, a vacinação permanece suspensa em todo o país.

A expectativa do governo é concluir a investigação o mais rapidamente possível para definir se a campanha poderá ser retomada ou se serão necessárias mudanças na estratégia de imunização contra a dengue.