O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram na noite de sexta-feira (30) durante um encontro de chanceleres do G20, realizado em Atlanta, nos Estados Unidos.
Foi o primeiro contato presencial entre os chefes das diplomacias dos dois países desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro, e a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil rumo aos Estados Unidos.
A conversa aconteceu durante um coquetel de recepção às delegações e foi breve. Apesar disso, os ministros concordaram em realizar uma reunião bilateral mais extensa antes da cúpula de líderes do G20, prevista para dezembro, em Miami.
A aproximação ocorre em um momento de divergências diplomáticas, depois que o presidente americano Donald Trump questionou publicamente o resultado eleitoral brasileiro e seu governo permitiu a entrada de Flávio Bolsonaro em território americano.
Vieira e Rubio acertam nova reunião antes da cúpula do G20
O encontro ocorreu durante a programação oficial do G20, grupo que reúne importantes economias desenvolvidas e emergentes.
Mauro Vieira e Marco Rubio se cumprimentaram e conversaram informalmente durante a recepção oferecida às delegações em Atlanta.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil e pela Reuters, os dois concordaram em manter o diálogo e organizar uma reunião específica para discutir assuntos de interesse comum.
A expectativa é que esse encontro aconteça antes da cúpula de líderes do G20, programada para 14 e 15 de dezembro de 2026, em Miami.
A data e o local exatos da reunião bilateral ainda não foram anunciados.
De acordo com a cobertura da Folha de S.Paulo, a conversa informal não abordou diretamente as eleições brasileiras nem a saída de Flávio Bolsonaro do país.
Relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta momento delicado
O contato entre os chanceleres acontece após uma sequência de acontecimentos que ampliaram as divergências entre os governos brasileiro e americano.
Lula foi reeleito no segundo turno, derrotando Flávio Bolsonaro, que havia terminado a primeira etapa da eleição na liderança.
Após a divulgação do resultado, Donald Trump fez declarações críticas sobre a votação brasileira e evitou, inicialmente, reconhecer formalmente a vitória do presidente petista.
O presidente americano também relacionou o resultado eleitoral à forte queda registrada no mercado financeiro brasileiro na primeira sessão de negociações após a eleição.
As declarações provocaram reações de representantes do governo brasileiro, que defenderam a legitimidade do processo conduzido pela Justiça Eleitoral.
Apesar das divergências políticas, os dois governos mantêm relações comerciais e diplomáticas, e o encontro entre Vieira e Rubio indica a continuidade dos canais institucionais de comunicação.
Saída de Flávio Bolsonaro para os EUA amplia tensão diplomática
Outro ponto de atenção é a permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
O senador deixou o Brasil após sua derrota eleitoral e depois que o Supremo Tribunal Federal determinou medidas cautelares que incluíam restrições de viagem e a apreensão de passaportes.
Flávio atravessou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), embarcou em uma aeronave particular, fez escala no Equador e desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira (28).
A Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída do parlamentar, que descumpriu determinações judiciais brasileiras.
A corporação esclareceu, entretanto, que ele não era considerado juridicamente foragido apenas em razão das restrições de viagem, já que não havia mandado de prisão contra ele.
O governo americano autorizou a entrada do senador e de seus familiares. A decisão contribuiu para o surgimento de questionamentos sobre a relação entre Washington e Brasília.
Parlamentares americanos questionam possível ajuda a Flávio
Integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos encaminharam uma carta ao secretário Marco Rubio solicitando explicações sobre a eventual participação de autoridades americanas no deslocamento de Flávio Bolsonaro.
Os parlamentares questionam se houve apoio do governo de Donald Trump à viagem do senador e quais procedimentos foram utilizados para autorizar sua entrada.
Até o momento, a existência desses questionamentos não comprova que tenha ocorrido participação irregular de autoridades americanas.
Segundo a Reuters, fontes do governo americano afirmaram que Trump não tem planos de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro.
O governo brasileiro, por sua vez, procura evitar que a situação do senador comprometa permanentemente a relação bilateral.
Chanceleres de Índia, Reino Unido e Polônia cumprimentam Brasil pela eleição
Durante a reunião do G20, Mauro Vieira também participou de encontros bilaterais com representantes de outros países.
Entre eles estiveram o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, o representante britânico Ed Miliband e o chanceler polonês Radosław Sikorski.
Segundo informações divulgadas pelo Itamaraty, os três cumprimentaram o Brasil pela conclusão do processo eleitoral e pela reeleição de Lula.
O governo indiano também transmitiu uma mensagem de congratulações do primeiro-ministro Narendra Modi ao presidente brasileiro.
A programação da reunião de chanceleres incluiu discussões sobre geopolítica internacional, mercado de energia e segurança das cadeias globais de suprimentos.
O que esperar da próxima reunião entre Brasil e EUA?
A reunião bilateral que deverá ocorrer antes da cúpula do G20 representa uma oportunidade para os governos discutirem assuntos de interesse comum.
Entre os temas que podem integrar a agenda estão o comércio bilateral, questões tarifárias, cooperação no combate ao crime organizado e relações políticas entre os dois países.
Esses assuntos aparecem entre as prioridades diplomáticas acompanhadas por Brasília e Washington, mas não foram formalmente definidos como pauta da conversa realizada em Atlanta.
O encontro também poderá preparar o terreno para um possível contato entre Lula e Trump durante a reunião de chefes de Estado e de governo em dezembro.
Por enquanto, não há confirmação de uma reunião presencial entre os dois presidentes.
A conversa entre Mauro Vieira e Marco Rubio demonstra que Brasil e Estados Unidos mantêm canais de negociação diplomática abertos, apesar das divergências surgidas após as eleições brasileiras.

