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Marco Rubio nega ajuda dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro, mas confirma autorização de Trump para entrada no país

Secretário de Estado americano afirma que Washington não participou da organização da viagem do senador brasileiro. Donald Trump, porém, autorizou pessoalmente sua entrada nos Estados Unidos, onde recebeu uma permissão temporária de permanência.

Marco Rubio nega ajuda dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro, mas confirma autorização de Trump para entrada no país

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Riade, Arábia Saudita. · DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA, VIA FLICKR.

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo americano tenha participado da organização da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Ele confirmou, entretanto, que o presidente Donald Trump autorizou pessoalmente a entrada do parlamentar em território americano.

A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva em Atlanta, na Geórgia, onde Rubio participa do encontro de ministros das Relações Exteriores do G20.

Segundo o secretário, as autoridades americanas não organizaram os deslocamentos realizados por Flávio após sua derrota nas eleições presidenciais brasileiras, mas permitiram sua entrada quando ele chegou ao país.

“Nós não facilitamos nada”, afirmou Rubio, acrescentando que o governo americano não participou diretamente dos preparativos da viagem.

A explicação ocorre em meio a questionamentos sobre o apoio concedido ao senador, que deixou o Brasil apesar de medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Trump autorizou entrada de Flávio nos Estados Unidos

Apesar de negar qualquer participação na organização da viagem, Rubio confirmou que Donald Trump tomou a decisão de permitir a entrada de Flávio Bolsonaro.

Segundo o secretário de Estado, o senador já possuía um visto americano quando chegou ao país.

O governo Trump, entretanto, determinou que ele pudesse receber uma autorização migratória temporária ao se apresentar às autoridades de fronteira.

Rubio afirmou que essa decisão não significava que a administração americana tivesse participado do planejamento da saída do Brasil.

A distinção apresentada pelo secretário separa duas etapas: a organização do deslocamento internacional e a decisão de permitir a entrada do parlamentar nos Estados Unidos.

Flávio recebeu autorização temporária para permanecer no país

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro | Instagram / Flávio Bolsonaro


Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas, depois de atravessar a fronteira brasileira com a Argentina e realizar uma viagem de avião particular com escala no Equador.

Segundo a CNN Brasil, os registros de controle migratório americano indicam que o senador e familiares receberam uma autorização classificada como DT, sigla associada à modalidade Discretionary Parole.

A permissão permite a permanência temporária nos Estados Unidos mediante avaliação das autoridades migratórias.

No caso divulgado pela reportagem, a autorização teria validade de um ano.

É importante distinguir esse mecanismo de um visto convencional: a parole não representa admissão migratória formal nem concede automaticamente residência permanente ou asilo político.

A legislação americana prevê a utilização dessa autorização em situações específicas, mediante avaliação individual.

Reportagens apontam possível participação de assessor de Trump

A negativa de Marco Rubio ocorre após reportagens de veículos americanos levantarem dúvidas sobre a participação de pessoas próximas ao presidente Donald Trump na organização da viagem.

Segundo informações publicadas pelo The New York Times e pelo The Wall Street Journal, o assessor político Jason Miller, aliado de Trump e próximo da família Bolsonaro, teria ajudado a providenciar o avião particular utilizado pelo senador.

As reportagens citam fontes familiarizadas com os preparativos e mencionam contatos entre Miller e Eduardo Bolsonaro.

O assessor não confirmou publicamente a participação na organização do deslocamento.

As informações não demonstram, por si só, que a operação tenha sido conduzida oficialmente pelo governo americano. Entretanto, acrescentam elementos aos questionamentos sobre o envolvimento de pessoas ligadas à administração Trump.

Parlamentares democratas cobram explicações do governo americano

A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos também provocou uma reação de integrantes do Partido Democrata.

Um grupo de 25 deputados americanos encaminhou uma carta a Marco Rubio solicitando informações sobre os procedimentos adotados para permitir a entrada do senador.

Entre os questionamentos estão a eventual participação de autoridades americanas na organização da viagem, o conhecimento prévio das restrições judiciais brasileiras e a existência de contatos com autoridades da Argentina ou do Equador.

Os parlamentares também pediram esclarecimentos sobre os critérios utilizados para conceder uma autorização migratória temporária ao brasileiro.

A cobrança ocorre em um contexto de divergências sobre a política migratória do governo Trump e sobre o tratamento dado a diferentes solicitantes de proteção nos Estados Unidos.

Saída ocorreu após decisão do Supremo Tribunal Federal

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro.

Antes da viagem, o STF havia determinado medidas cautelares relacionadas à entrega dos passaportes e à proibição de saída do território nacional.

A Polícia Federal informou que os passaportes brasileiros foram cancelados e que não havia registro oficial da saída do senador pelos postos de controle migratório do Brasil.

O parlamentar atravessou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), embarcou em uma aeronave particular e chegou a Miami na manhã seguinte.

A PF investiga as circunstâncias da saída. A corporação esclareceu anteriormente que o descumprimento das medidas cautelares não o torna automaticamente foragido, já que não havia mandado de prisão contra ele.

Flávio nega irregularidades e afirma que deixou o país por considerar que sofre perseguição política.

Brasil e Estados Unidos mantêm diálogo diplomático

As declarações de Rubio foram feitas durante o encontro de chanceleres do G20, que também contou com a participação do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Os dois conversaram brevemente durante a programação do evento e concordaram em realizar uma reunião bilateral nas próximas semanas, antes da cúpula de líderes marcada para dezembro, em Miami.

Segundo a Reuters, a aproximação busca preservar os canais diplomáticos em um período de divergências entre Brasília e Washington.

O governo brasileiro não confirmou que a situação de Flávio tenha sido discutida no contato entre os chanceleres.

A declaração de Rubio esclarece a posição oficial americana sobre a viagem: o governo nega participação em sua organização, mas reconhece que a autorização de entrada do senador teve o aval de Donald Trump.

A eventual atuação de pessoas próximas à Casa Branca nos preparativos continua sendo objeto de questionamentos públicos.