O Bolsa Família está presente de forma muito desigual no território brasileiro. Em 2024, o Maranhão registrou o maior percentual de domicílios particulares permanentes com beneficiário do programa: 41,3%. Na outra ponta, Santa Catarina apresentou o menor índice do país, com 4,4%.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e revelam uma diferença de quase dez vezes entre os dois estados.
Figura 1. Mapa do percentual de domicílios com beneficiário do bolsa familia

Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais
Os estados com os maiores percentuais estão concentrados principalmente nas regiões Nordeste e Norte. Depois do Maranhão, aparecem o Piauí, com 41,2%, e o Pará, com 38,2%.
Também estão entre os maiores índices o Amazonas, com 35,2%, a Paraíba, com 35,0%, o Acre, com 34,8%, e Alagoas, com 34,4%. Amapá, Ceará e Bahia registraram percentuais próximos: 33,8%, 33,7% e 33,7%, respectivamente.
No Nordeste, Sergipe apresentou 33,1% e Pernambuco, 32,9%. O Rio Grande do Norte ficou em 28,2%, enquanto Roraima alcançou 24,4% e Tocantins, 23,1%.
Sul tem os menores índices
Os menores percentuais aparecem nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Santa Catarina registrou o menor índice nacional, com 4,4% dos domicílios com beneficiário do Bolsa Família.
Paraná e São Paulo apresentaram 8,9% cada. O Rio Grande do Sul ficou em 9,6%. Entre os estados do Centro-Oeste, Goiás registrou 12,4%, enquanto Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal tiveram 13,2%.
Minas Gerais apresentou 14,0%, seguido por Rondônia, com 14,4%. Rio de Janeiro e Mato Grosso ficaram em 13,7% cada, e o Espírito Santo, em 13,6%.
O que o mapa revela sobre o território brasileiro
A distribuição espacial mostra uma concentração mais intensa do programa em áreas historicamente marcadas por menores rendimentos domiciliares e maior vulnerabilidade socioeconômica. Os percentuais mais elevados formam um grande arco que se estende pela Amazônia e pelo Nordeste.
Já os estados do Sul apresentam os valores mais baixos do país. Essa diferença não significa ausência do programa nesses territórios, mas indica que a proporção de domicílios com beneficiários é menor quando comparada à observada no Norte e no Nordeste.
Em todo o Brasil, o percentual foi de 18,7% dos domicílios em 2024. O resultado nacional, portanto, esconde contrastes importantes entre as Unidades da Federação.
O mapa ajuda a visualizar como as políticas de transferência de renda também refletem as desigualdades regionais brasileiras. Mais do que uma distribuição administrativa de benefícios, os dados revelam diferentes condições de renda e vulnerabilidade espalhadas pelo território.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2024, dados consolidados de primeiras visitas.

