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Malha ferroviária de alta velocidade (trem-bala) do mundo

Hoje pelo menos 16 países têm trens-bala em operação, com velocidades acima de 250 km/h. Brasil ainda não tem nenhuma, o projeto Rio–SP segue em estudos.

Malha ferroviária de alta velocidade (trem-bala) do mundo

MALHA FERROVIÁRIA DE ALTA VELOCIDADE · LUCAS ROSÁRIO

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Enquanto o Brasil ainda discute a viabilidade de sua primeira linha de trem de alta velocidade, o projeto entre Rio de Janeiro e São Paulo, sob concessão da TAV Brasil, o restante do planeta já soma dezenas de milhares de quilômetros de trilhos onde os trens cruzam continentes a mais de 300 km/h. Hoje, ao menos 16 países operam sistemas reconhecidos como alta velocidade (velocidade de projeto igual ou superior a 250 km/h), concentrados sobretudo na Ásia Oriental e na Europa Ocidental, com presença crescente no Oriente Médio, no Norte da África e no Sudeste Asiático. O mapa que ilustra esta matéria reúne mais de cem corredores de alta velocidade em operação ao redor do mundo de clássicos como o Shinkansen japonês e o TGV francês a linhas mais recentes, como o Whoosh indonésio e o Al Boraq marroquino, o primeiro trem-bala da África.

Figura 1 - Mapa da malha ferroviária de trens de alta velocidade do mundo

Contexto histórico

A história do trem-bala começa no Japão. Em 1964, a poucos dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, entrou em operação o Shinkansen da linha Tokaido, ligando Tóquio a Osaka. Foi o primeiro sistema ferroviário do mundo desenhado desde o início para rodar acima de 200 km/h em via própria, sem cruzamento com tráfego convencional um conceito que se tornaria o padrão mundial de alta velocidade.

A Europa seguiu quase duas décadas depois: em 1981, a França inaugurou o TGV (Train à Grande Vitesse) entre Paris e Lyon, consolidando a tecnologia que depois seria exportada para Espanha, Coreia do Sul, Marrocos e Estados Unidos. A Espanha, por sua vez, tornou-se a segunda maior malha de alta velocidade do mundo, atrás apenas da China, com o AVE conectando Madri à maior parte do território a partir de 1992.

O verdadeiro salto de escala, porém, veio da China. A primeira linha propriamente de alta velocidade do país abriu em 2008, ligando Pequim a Tianjin, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim. Em pouco mais de quinze anos, a China construiu a maior rede de trens-bala do planeta hoje superior a 45 mil quilômetros, mais do que o resto do mundo somado, unindo megacidades como Pequim, Xangai, Guangzhou e Chengdu em corredores que ultrapassam os 350 km/h.

Curiosidades

  • O trem mais rápido em operação comercial regular é um maglev: o Shanghai Maglev, que liga o centro de Xangai ao Aeroporto de Pudong, atinge 431 km/h usando levitação magnética tecnologia diferente da roda-trilho convencional dos demais trens-bala.
  • A China testa, em 2026, um trem ainda mais rápido: o CR450, já validado em testes a 453 km/h, deve entrar em operação comercial a 400 km/h na linha Xangai–Chengdu–Chongqing, o que o tornaria o trem-bala convencional mais rápido do mundo.
  • A África tem apenas uma linha de alta velocidade: o Al Boraq, inaugurado em 2018 no Marrocos, liga Tânger a Casablanca a 320 km/h feito com tecnologia francesa (TGV).
  • O Oriente Médio também entrou na disputa: a linha Haramain, na Arábia Saudita, conecta as cidades sagradas de Meca e Medina a 300 km/h, uma das poucas linhas de alta velocidade do mundo construída inteiramente em região desértica.
  • A América do Sul segue de fora do clube: nenhum país sul-americano opera hoje um trem de alta velocidade. O projeto mais avançado é justamente o brasileiro Rio–São Paulo, ainda em fase de estudos de viabilidade, com conclusão prevista para o fim de 2026.
  • Nem todo trem rápido é "trem-bala": sistemas como o Acela, dos Estados Unidos (até 257 km/h em trechos limitados), ou o Vande Bharat, da Índia (até 130 km/h), às vezes aparecem em listas de "alta velocidade", mas rodam abaixo do padrão internacional de 250 km/h na maior parte do percurso por isso a definição do que é ou não trem-bala varia conforme a fonte.