O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (10) da 7ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão), realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. O encontro foi marcado por manifestações de apoio ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e que passou a ocupar posição central nas recentes discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Durante o evento, Lula apareceu ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros e representantes do governo segurando uma placa com a bandeira brasileira e a frase “O Pix é do Brasil”. A iniciativa ocorreu em meio às críticas e questionamentos apresentados por autoridades norte-americanas sobre o sistema financeiro brasileiro.
Governo destaca reconhecimento do Pix
Durante a reunião, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Pix recebeu reconhecimento especial junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Segundo o ministro, o sistema foi registrado como marca de grande renome, uma classificação que garante um dos mais elevados níveis de proteção previstos pela legislação brasileira de propriedade industrial.
De acordo com o governo, a medida reforça a importância do Pix como um símbolo da inovação tecnológica e financeira desenvolvida no país, além de destacar o papel do Banco Central do Brasil na modernização dos meios de pagamento.
Fazenda defende soberania nacional
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, também utilizou o encontro para defender o sistema de pagamentos.
Em seu discurso, Durigan afirmou que a proteção da soberania nacional está entre as prioridades do governo federal e citou o Pix como um dos ativos estratégicos do Brasil.
Segundo ele, o país se tornou uma referência internacional em pagamentos digitais e deve preservar os avanços conquistados nos últimos anos no setor financeiro.
A declaração foi feita diante de representantes da sociedade civil, empresários, sindicalistas e integrantes do governo que participaram da reunião.
Tarifas dos EUA dominam debates
Embora o tema oficial do encontro fosse “Da soberania nacional ao protagonismo global”, boa parte das discussões girou em torno da possibilidade de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as medidas em análise pelo governo americano como sanções econômicas unilaterais e injustificadas.
Já o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, ressaltou a importância do diálogo entre governo e sociedade para enfrentar os desafios relacionados ao chamado tarifaço.
Estados Unidos estudam novas taxas
O governo dos Estados Unidos avalia atualmente duas propostas que podem aumentar a tributação sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
A primeira prevê uma sobretaxa de 25%, baseada em conclusões de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Entre os temas apontados pelo órgão estão o funcionamento do Pix, decisões da Justiça brasileira envolvendo empresas de tecnologia e questões relacionadas ao mercado de etanol.
Uma segunda proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5%. Nesse caso, a justificativa apresentada pelas autoridades americanas envolve alegações de que o Brasil não teria adotado medidas consideradas suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
Pix se torna símbolo da disputa comercial
Criado em 2020 pelo Banco Central, o Pix revolucionou a forma como milhões de brasileiros realizam transferências financeiras e pagamentos.
Atualmente, o sistema é um dos meios de pagamento mais utilizados do país e vem sendo apontado por autoridades brasileiras como um dos principais exemplos de inovação tecnológica desenvolvida nacionalmente.
A inclusão do Pix em documentos e análises do governo americano levou integrantes da administração Lula a defenderem publicamente o sistema.
A exibição da placa durante a reunião do Conselhão reforçou essa estratégia e sinalizou que o governo pretende manter o tema no centro das discussões sobre a relação econômica e comercial entre Brasil e Estados Unidos.

