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Kassab diz que PSD apoiará medidas de Lula, mas descarta negociar cargos no governo

Presidente nacional do partido defende independência nas votações do Congresso e afirma que a legenda apoiará propostas consideradas positivas para o país. PSD manteve neutralidade no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Kassab diz que PSD apoiará medidas de Lula, mas descarta negociar cargos no governo

VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

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O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que a legenda pretende colaborar com o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, mas descartou negociar cargos no Poder Executivo em troca de apoio político. A declaração foi feita na terça-feira (27), durante um evento em Brasília que discutiu as perspectivas políticas e econômicas para o período de 2027 a 2030.

Segundo Kassab, a escolha dos integrantes do governo caberá ao presidente da República. O dirigente também defendeu que os parlamentares do partido mantenham autonomia para votar no Congresso Nacional, independentemente de a sigla ocupar ou não ministérios na próxima gestão.

“Não haverá conversa sobre cargos com o governo da parte do PSD”, declarou o presidente da legenda.

Kassab afirmou que o partido continuará apoiando programas que considerar adequados para o país e se posicionará contra propostas das quais discordar. A estratégia, segundo ele, será orientada pelas convicções da sigla, e não pela participação na estrutura ministerial.

PSD promete apoio condicionado às propostas do governo

Durante o evento, Kassab defendeu uma mudança na relação entre o Executivo e o Legislativo. Para o dirigente, a distribuição de cargos não deve ser determinante para definir como os parlamentares se posicionarão nas votações.

“Não é a questão de cargos que vai pautar as ações dos nossos parlamentares dentro do Congresso”, afirmou.

O presidente do PSD acrescentou que a legenda pretende manter uma postura independente, apoiando medidas que considerar benéficas e divergindo daquelas que avaliar como inadequadas.

A posição indica que o partido não anunciou adesão irrestrita ao governo Lula, mas sinalizou disposição para negociar e votar propostas de interesse nacional.

Kassab também manifestou torcida pelo sucesso da próxima gestão presidencial, que começará em janeiro de 2027 e seguirá até 2030.

“O que eu posso registrar é que nós temos uma torcida imensa para que o presidente faça um bom governo”, declarou.

Ronaldo Caiado foi candidato do PSD à Presidência

O PSD lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A candidatura, porém, não avançou para o segundo turno.

Caiado terminou a primeira etapa da disputa com aproximadamente 2,18% dos votos, segundo os dados citados pelo UOL.

Após o resultado, o ex-governador manifestou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na segunda etapa da eleição. A direção nacional do PSD, entretanto, optou pela neutralidade e liberou diretórios estaduais, parlamentares e lideranças para escolherem individualmente seus apoios.

A decisão permitiu que integrantes da legenda se posicionassem de maneiras diferentes durante a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, sem estabelecer uma orientação nacional única.

CNN Brasil+1

Partido defende equilíbrio fiscal e investimentos sociais

Em nota divulgada após a reeleição de Lula, o PSD afirmou que pretende apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades sociais, ao equilíbrio fiscal e à geração de empregos.

A legenda também mencionou o estímulo aos investimentos, à pesquisa científica, à inovação e à educação, além do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O posicionamento apresenta áreas nas quais o partido pretende buscar convergência com o governo federal, embora mantenha liberdade para divergir de medidas específicas.

Kassab também tem defendido reformas administrativas e mudanças no sistema eleitoral, incluindo a adoção do voto distrital misto. Nesse modelo, parte dos representantes seria eleita por distritos e outra parte por listas partidárias.

O dirigente argumenta que mudanças nas regras eleitorais poderiam fortalecer os vínculos entre representantes e eleitores e alterar a dinâmica de formação das bancadas legislativas.

UOL Notícias+1

Kassab sinaliza independência na relação com Lula

A declaração do presidente do PSD ocorre durante as articulações políticas para o quarto mandato de Lula e a formação da equipe que assumirá o governo em 2027.

A legenda tem presença expressiva no cenário político nacional e reúne parlamentares, governadores e lideranças com diferentes posições. Essa composição amplia a importância das negociações sobre projetos econômicos, sociais e administrativos no Congresso.

Ao descartar a negociação de cargos como condição para apoiar o Executivo, Kassab defendeu uma relação baseada na avaliação de cada proposta.

O dirigente não fechou as portas para a participação de integrantes do PSD no próximo governo. O que afirmou foi que eventuais nomeações não deverão determinar automaticamente o comportamento da bancada nas votações.

A posição mantém aberta a possibilidade de colaboração entre o partido e a gestão Lula, mas estabelece que o apoio dependerá do conteúdo das medidas apresentadas.

O principal sinal político, portanto, é de independência negociada: o PSD admite apoiar iniciativas do governo federal, mas não promete alinhamento automático nem condiciona formalmente seus votos à distribuição de ministérios.