O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que a legenda pretende colaborar com o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, mas descartou negociar cargos no Poder Executivo em troca de apoio político. A declaração foi feita na terça-feira (27), durante um evento em Brasília que discutiu as perspectivas políticas e econômicas para o período de 2027 a 2030.
Segundo Kassab, a escolha dos integrantes do governo caberá ao presidente da República. O dirigente também defendeu que os parlamentares do partido mantenham autonomia para votar no Congresso Nacional, independentemente de a sigla ocupar ou não ministérios na próxima gestão.
“Não haverá conversa sobre cargos com o governo da parte do PSD”, declarou o presidente da legenda.
Kassab afirmou que o partido continuará apoiando programas que considerar adequados para o país e se posicionará contra propostas das quais discordar. A estratégia, segundo ele, será orientada pelas convicções da sigla, e não pela participação na estrutura ministerial.
PSD promete apoio condicionado às propostas do governo
Durante o evento, Kassab defendeu uma mudança na relação entre o Executivo e o Legislativo. Para o dirigente, a distribuição de cargos não deve ser determinante para definir como os parlamentares se posicionarão nas votações.
“Não é a questão de cargos que vai pautar as ações dos nossos parlamentares dentro do Congresso”, afirmou.
O presidente do PSD acrescentou que a legenda pretende manter uma postura independente, apoiando medidas que considerar benéficas e divergindo daquelas que avaliar como inadequadas.
A posição indica que o partido não anunciou adesão irrestrita ao governo Lula, mas sinalizou disposição para negociar e votar propostas de interesse nacional.
Kassab também manifestou torcida pelo sucesso da próxima gestão presidencial, que começará em janeiro de 2027 e seguirá até 2030.
“O que eu posso registrar é que nós temos uma torcida imensa para que o presidente faça um bom governo”, declarou.
Ronaldo Caiado foi candidato do PSD à Presidência
O PSD lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A candidatura, porém, não avançou para o segundo turno.
Caiado terminou a primeira etapa da disputa com aproximadamente 2,18% dos votos, segundo os dados citados pelo UOL.
Após o resultado, o ex-governador manifestou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na segunda etapa da eleição. A direção nacional do PSD, entretanto, optou pela neutralidade e liberou diretórios estaduais, parlamentares e lideranças para escolherem individualmente seus apoios.
A decisão permitiu que integrantes da legenda se posicionassem de maneiras diferentes durante a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, sem estabelecer uma orientação nacional única.
CNN Brasil+1
Partido defende equilíbrio fiscal e investimentos sociais
Em nota divulgada após a reeleição de Lula, o PSD afirmou que pretende apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades sociais, ao equilíbrio fiscal e à geração de empregos.
A legenda também mencionou o estímulo aos investimentos, à pesquisa científica, à inovação e à educação, além do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
O posicionamento apresenta áreas nas quais o partido pretende buscar convergência com o governo federal, embora mantenha liberdade para divergir de medidas específicas.
Kassab também tem defendido reformas administrativas e mudanças no sistema eleitoral, incluindo a adoção do voto distrital misto. Nesse modelo, parte dos representantes seria eleita por distritos e outra parte por listas partidárias.
O dirigente argumenta que mudanças nas regras eleitorais poderiam fortalecer os vínculos entre representantes e eleitores e alterar a dinâmica de formação das bancadas legislativas.
UOL Notícias+1
Kassab sinaliza independência na relação com Lula
A declaração do presidente do PSD ocorre durante as articulações políticas para o quarto mandato de Lula e a formação da equipe que assumirá o governo em 2027.
A legenda tem presença expressiva no cenário político nacional e reúne parlamentares, governadores e lideranças com diferentes posições. Essa composição amplia a importância das negociações sobre projetos econômicos, sociais e administrativos no Congresso.
Ao descartar a negociação de cargos como condição para apoiar o Executivo, Kassab defendeu uma relação baseada na avaliação de cada proposta.
O dirigente não fechou as portas para a participação de integrantes do PSD no próximo governo. O que afirmou foi que eventuais nomeações não deverão determinar automaticamente o comportamento da bancada nas votações.
A posição mantém aberta a possibilidade de colaboração entre o partido e a gestão Lula, mas estabelece que o apoio dependerá do conteúdo das medidas apresentadas.
O principal sinal político, portanto, é de independência negociada: o PSD admite apoiar iniciativas do governo federal, mas não promete alinhamento automático nem condiciona formalmente seus votos à distribuição de ministérios.

