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Japão lança missão histórica a Marte para explorar lua Fobos e trazer amostras à Terra pela primeira vez

Sonda MMX partiu a bordo de um foguete H3, levará um robô explorador à superfície de Fobos e pretende trazer pelo menos 10 gramas de material extraterrestre em 2031. Missão poderá revelar como surgiram as duas luas de Marte.

Japão lança missão histórica a Marte para explorar lua Fobos e trazer amostras à Terra pela primeira vez

ILUSTRAÇÃO

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O Japão deu um importante passo na exploração espacial com o lançamento da missão robótica Martian Moons eXploration (MMX), destinada a investigar as duas luas de Marte, Fobos e Deimos, e coletar amostras de uma delas para análises científicas na Terra.

A espaçonave foi lançada com sucesso na segunda-feira (19), às 16h41 pelo horário de Brasília, correspondente às 4h41 de terça-feira (20) no Japão. O lançamento ocorreu no Centro Espacial de Tanegashima, utilizando um foguete japonês H3.

Segundo a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), a espaçonave foi separada do foguete aproximadamente 71 minutos após a decolagem, conforme o planejamento.

A missão tem como principal objetivo descobrir se as luas marcianas são antigos asteroides capturados pela gravidade de Marte ou fragmentos resultantes de uma gigantesca colisão ocorrida bilhões de anos atrás.

Se todas as etapas forem concluídas, as primeiras amostras coletadas diretamente da superfície de Fobos chegarão à Terra em 2031, permitindo análises laboratoriais inéditas

Por que a missão MMX é considerada histórica?

A MMX será a primeira missão espacial desenvolvida especificamente para trazer à Terra material coletado da superfície de uma lua de Marte.

O projeto é liderado pela JAXA, com participação da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA), do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e da agência espacial francesa CNES.

Além de estudar as características físicas e químicas de Fobos, a missão observará Deimos e buscará compreender melhor a evolução do sistema marciano.

Segundo a agência Associated Press, o investimento total no projeto é estimado em aproximadamente US$ 578 milhões. A reportagem da CBS News apresenta uma estimativa de US$ 350 milhões, diferença que pode refletir distintos critérios de contabilização dos custos da missão.

Fobos e Deimos: conheça as misteriosas luas de Marte

Fobos - A maior lua de Marte, com cerca de 27 quilômetros em sua maior dimensão.


Deimos - Lua menor, com aproximadamente 15 quilômetros em sua maior dimensão.


Diferentemente da Lua terrestre, os dois satélites de Marte são pequenos, irregulares e apresentam características semelhantes às de asteroides.

Cientistas trabalham com duas principais hipóteses sobre suas origens: a captura gravitacional de asteroides que passaram próximos de Marte ou a formação a partir de detritos gerados por uma antiga colisão de grandes proporções.

As amostras coletadas pela MMX poderão ajudar a identificar qual explicação é mais compatível com a composição mineral e química de Fobos.


Robô explorador será enviado à superfície de Fobos

Um dos momentos mais aguardados da missão será o envio do pequeno robô Idefix, desenvolvido em cooperação pelas agências espaciais da Alemanha e da França.

O equipamento, com aproximadamente 25 quilos, será lançado em direção à superfície de Fobos, onde deverá realizar observações científicas e se deslocar pelo terreno.

Robô Idefix, desenvolvido por equipes alemãs e francesas para explorar a superfície de Fobos.


O veículo possui câmeras, instrumentos de análise mineral e sensores para medir temperaturas.

Como a gravidade de Fobos é extremamente baixa — aproximadamente mil vezes menor que a da Terra —, o robô deverá tocar o solo suavemente, podendo ricochetear antes de se estabilizar.

O projeto prevê um mecanismo capaz de posicioná-lo corretamente após o pouso, permitindo o início das operações científicas. A exploração está prevista para começar entre o final de 2028 e o início de 2029.

Missão pretende trazer pelo menos 10 gramas de solo marciano

Depois de estudar Fobos a partir de sua órbita, a nave principal deverá realizar operações de pouso e coleta de material.

A previsão da ESA é que a coleta ocorra em 2030, com o objetivo de obter pelo menos 10 gramas de rochas e solo.

A MMX utilizará instrumentos científicos para analisar a composição da superfície e identificar possíveis evidências sobre a formação do sistema marciano.

Após as observações de Deimos, a espaçonave iniciará a viagem de retorno à Terra. As amostras serão transportadas em uma cápsula resistente às elevadas temperaturas da reentrada atmosférica, com recuperação prevista na Austrália.

Quatro propulsores auxiliares de combustível sólido ajudaram a impulsionar o foguete H3 para fora da baixa atmosfera após um lançamento pontual do Centro Espacial de Tanegashima. O estágio superior do foguete foi acionado duas vezes, conforme planejado, para enviar a sonda MMX em sua jornada rumo a Marte.


Descobertas poderão ajudar futuras viagens humanas a Marte

Além de investigar a origem das luas marcianas, a MMX poderá fornecer informações importantes para futuras missões tripuladas ao planeta vermelho.

O conhecimento da composição, da gravidade e das condições da superfície de Fobos poderá contribuir para o planejamento de operações espaciais próximas a Marte.

A missão também permitirá compreender melhor a formação dos planetas e satélites naturais durante os primeiros estágios do Sistema Solar.

Com a chegada das amostras prevista para 2031, cientistas esperam encontrar respostas para perguntas que permanecem abertas há décadas sobre a história de Marte e de suas duas luas.