O Irã lançou na noite deste domingo (7) cerca de dez mísseis contra o norte de Israel, marcando o primeiro ataque direto ao território israelense desde o cessar-fogo firmado em abril.
Segundo as autoridades israelenses, os sistemas de defesa aérea interceptaram a maior parte dos projéteis, enquanto outros atingiram áreas abertas. Não houve vítimas diretas. Apenas uma mulher de 79 anos ficou ferida ao cair enquanto corria para um abrigo antiaéreo.
O ataque ocorreu por volta das 22h e provocou o acionamento de sirenes em diversas cidades do norte de Israel, levando milhões de pessoas a buscarem proteção.
Teerã diz que ação foi resposta a ataque em Beirute

A resposta iraniana ocorreu poucas horas após um ataque israelense contra o subúrbio de Dahiyeh, ao sul de Beirute, área considerada um dos principais redutos do grupo Hezbollah.
Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, o lançamento dos mísseis teve caráter de advertência e serviu para demonstrar que novas ações israelenses poderão resultar em uma resposta muito mais ampla.
Em comunicado, os iranianos afirmaram que futuros ataques poderão atingir alvos israelenses e americanos em toda a região caso as operações militares continuem.
Trump intervém e pede contenção a Netanyahu
A reação mais surpreendente veio de Washington.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que conversaria diretamente com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para pedir que Israel não realizasse uma retaliação imediata.
Segundo Trump, uma nova escalada militar poderia comprometer negociações consideradas decisivas entre Washington e Teerã.
“Estamos muito perto de um acordo final com o Irã. Não quero que isso seja destruído agora”, declarou o presidente americano.
Trump afirmou ainda que acredita que um entendimento diplomático poderá ser concluído nos próximos dias.
Israel prepara resposta, mas aguarda decisão política

Apesar dos apelos americanos, as Forças de Defesa de Israel indicaram que estão prontas para responder militarmente.
O chefe do Estado-Maior israelense, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que os planos de retaliação já estão preparados e aguardam apenas autorização do governo.
“As Forças de Defesa de Israel atacarão o inimigo com força assim que receberem sinal verde”, declarou.
Segundo veículos da imprensa israelense, o governo avalia a possibilidade de adiar qualquer resposta imediata diante da pressão exercida pelos Estados Unidos.
Países da região entram em alerta
O ataque provocou uma série de medidas de segurança em vários países do Oriente Médio.
✈️ Irã: fechou parte de seu espaço aéreo no oeste do país.
✈️ Iraque: suspendeu temporariamente a navegação aérea e fechou o espaço aéreo por 72 horas.
✈️ Síria: interrompeu operações no Aeroporto de Damasco e fechou parte do espaço aéreo por 12 horas.
✈️ Israel: manteve o Aeroporto Ben Gurion funcionando, mas colocou o sistema de aviação em estado de alerta.
Além disso, a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém orientou seus funcionários a permanecerem em locais seguros e suspendeu os serviços consulares nesta segunda-feira.
Negociações nucleares entram em momento decisivo
O episódio ocorre enquanto Estados Unidos e Irã tentam concluir um acordo mais amplo para encerrar definitivamente o conflito iniciado em fevereiro.
As negociações envolvem temas considerados sensíveis para ambos os lados.
O que os EUA exigem
🔹 Garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares.
🔹 Limitação de atividades nucleares consideradas de risco.
🔹 Redução de ameaças militares contra aliados americanos na região.
O que o Irã pede
🔹 Suspensão de sanções econômicas internacionais.
🔹 Liberação de bilhões de dólares em ativos congelados.
🔹 Reconhecimento de interesses estratégicos iranianos na região.
Região teme retorno da guerra total
Embora o ataque não tenha provocado vítimas fatais em Israel, o lançamento dos mísseis rompeu dois meses de relativa estabilidade e reacendeu o temor de uma nova guerra regional.
A situação tornou-se ainda mais delicada porque Israel continua combatendo o Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã insiste que qualquer acordo de paz precisa incluir também o fim das operações militares na frente libanesa.
Com negociações diplomáticas em estágio avançado e forças militares em alerta máximo dos dois lados, as próximas horas podem ser decisivas para determinar se a região caminhará para uma nova escalada ou para um acordo mais amplo de cessar-fogo.

