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Irã ameaça endurecer posição, suspende contatos com os EUA e cogita bloquear rota estratégica do petróleo

Segundo agência iraniana, Teerã interrompeu troca de mensagens com Washington e discute medidas que podem afetar o comércio global de energia.

Irã ameaça endurecer posição, suspende contatos com os EUA e cogita bloquear rota estratégica do petróleo
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Lancha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã no golfo Pérsico (imagem de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 04.08.2021© AP Photo / Vahid Salemi

O governo do Irã decidiu interromper a troca de mensagens com os Estados Unidos por meio de mediadores internacionais, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (1º) pela agência iraniana Tasnim. A decisão ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e ao avanço das operações militares israelenses no Líbano.

A suspensão do diálogo representa mais um obstáculo aos esforços diplomáticos que buscavam reduzir a escalada do conflito iniciado em fevereiro e que já provocou milhares de mortes na região.

Segundo a publicação iraniana, negociadores de Teerã consideram que não existem condições para a continuidade das conversas enquanto persistirem as operações militares israelenses em território libanês e na Faixa de Gaza.

A medida aumenta a preocupação da comunidade internacional, que vinha acompanhando tentativas de mediação para evitar uma ampliação ainda maior da guerra envolvendo Israel, Irã e grupos aliados na região.

Canal de Ormuz volta ao centro das preocupações globais

Veja como o fechamento do Estreito de Ormuz pode afetar a economia do Brasil

Além da interrupção dos contatos diplomáticos, a agência Tasnim informou que autoridades iranianas e integrantes da chamada Frente de Resistência discutem ações para bloquear completamente o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.

Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o estreito é responsável pela passagem de uma parcela significativa do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente.

Especialistas estimam que aproximadamente um quinto do petróleo consumido globalmente passa diariamente pela região.

Qualquer interrupção prolongada no fluxo marítimo pode provocar impactos imediatos nos mercados internacionais, elevando preços da energia, pressionando a inflação e afetando cadeias produtivas em diversos países.

O Canal de Ormuz já foi alvo de ameaças semelhantes em momentos anteriores de tensão entre Irã e potências ocidentais, mas um bloqueio total representaria uma das medidas mais drásticas adotadas por Teerã nas últimas décadas.

Outra rota estratégica também está na mira

Iran threatens to block the Red Sea via the Bab el-Mandeb Strait |  investingLive

Segundo a Tasnim, aliados do Irã também discutem ampliar a pressão sobre o Estreito de Bab El Mandeb, localizado entre o Iêmen e o Chifre da África.

A região é considerada outro ponto crítico para o comércio internacional, pois conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e serve como principal acesso ao Canal de Suez.

Caso grupos aliados de Teerã ampliem operações na área, embarcações comerciais que ligam Europa, Ásia e Oriente Médio poderão enfrentar novas dificuldades de navegação.

Nos últimos anos, o local já registrou diversos ataques contra navios mercantes e embarcações militares, principalmente atribuídos aos houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã.

A possibilidade de interrupções simultâneas em Ormuz e Bab El Mandeb preocupa governos, companhias de navegação e mercados financeiros ao redor do mundo.

Ministro iraniano faz alerta

Iran's foreign minister heads to Muscat for nuclear talks with US|Arab News  Japan

© AFP Photo

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta segunda-feira que qualquer violação dos acordos existentes terá consequências em toda a região.

Segundo ele, as ações militares israelenses no Líbano representam uma quebra dos entendimentos que buscavam evitar a expansão do conflito.

“Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes”, declarou o chanceler iraniano.

Araqchi também responsabilizou Estados Unidos e Israel pelas consequências de uma eventual ampliação das hostilidades, reforçando a posição adotada pelo governo iraniano desde o início da crise.

Guerra já provoca impactos econômicos

O conflito iniciado em 28 de fevereiro já vem produzindo reflexos econômicos significativos em diferentes partes do mundo.

A instabilidade no Oriente Médio provocou oscilações nos preços internacionais do petróleo e aumentou os custos de transporte marítimo em diversas rotas comerciais.

Analistas apontam que a simples possibilidade de interrupção das exportações através do Estreito de Ormuz costuma gerar reações imediatas nos mercados de energia, uma vez que a região concentra alguns dos maiores produtores mundiais de petróleo.

Além dos efeitos econômicos, organizações internacionais alertam para o agravamento da crise humanitária em áreas atingidas pelos combates.

Milhares de pessoas foram mortas desde o início da guerra e milhões enfrentam dificuldades relacionadas a deslocamentos, acesso a serviços básicos e abastecimento de produtos essenciais.

Irã condiciona negociações ao fim das operações militares

Segundo a agência Tasnim, autoridades iranianas estabeleceram condições para retomar qualquer diálogo diplomático relacionado ao conflito.

Entre as exigências estão a interrupção das operações militares israelenses em Gaza e no Líbano e a retirada das tropas israelenses das áreas ocupadas em território libanês.

O governo iraniano afirma que não participará de novas negociações enquanto essas condições não forem atendidas.

A posição reduz as perspectivas de avanços diplomáticos no curto prazo e aumenta a incerteza sobre possíveis soluções para a crise.

Comunidade internacional acompanha escalada

Governos de diferentes países acompanham com preocupação os desdobramentos da situação, especialmente pelos riscos que uma ampliação do conflito representa para a economia global e para a estabilidade regional.

Especialistas em geopolítica avaliam que o eventual fechamento do Estreito de Ormuz seria um dos acontecimentos mais relevantes para o mercado energético desde as grandes crises do petróleo do século passado.

Enquanto os esforços diplomáticos enfrentam novos obstáculos, a comunidade internacional tenta evitar que a guerra avance para uma escala ainda maior, capaz de envolver mais países e comprometer importantes rotas comerciais do planeta.

Com o endurecimento da posição iraniana e a continuidade das operações militares na região, os próximos dias poderão ser decisivos para definir os rumos de uma crise que já ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio e produz reflexos em todo o mundo.