Brasil e França oficializaram nesta quarta feira (1), em encontro no Itamaraty, a suspensão da exigência de visto para a entrada de cidadãos brasileiros na Guiana Francesa. A medida passará a valer a partir de 31 de julho e altera uma regra de acesso ao território francês na América do Sul.
O acordo foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e pelo ministro francês da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, durante reunião realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.
A medida representa um avanço significativo nas relações diplomáticas entre Brasil e França e promete facilitar o turismo, os negócios e o intercâmbio entre os dois países.
Além da isenção de visto, os governos anunciaram um plano conjunto para ampliar a cooperação na segurança pública da região de fronteira, considerada estratégica para o combate ao crime organizado transnacional.
O que muda para os brasileiros
Com a nova regra, brasileiros poderão entrar na Guiana Francesa sem a necessidade de solicitar previamente um visto de entrada.
Até então, apesar da proximidade geográfica entre os dois territórios, os brasileiros precisavam cumprir exigências consulares para visitar a região francesa.
A mudança reduz a burocracia para quem deseja viajar a turismo, visitar familiares, participar de eventos ou realizar atividades profissionais de curta duração, respeitando as condições previstas no acordo firmado entre os dois governos.
A expectativa é que a medida estimule o aumento do fluxo de visitantes e fortaleça as relações econômicas entre as regiões de fronteira.
O que é a Guiana Francesa
Muitas pessoas acreditam que a Guiana Francesa seja um país independente, mas, na realidade, trata-se de um departamento ultramarino da França.
Isso significa que o território faz parte oficialmente da República Francesa e, consequentemente, da União Europeia.
Localizada na costa norte da América do Sul, a Guiana Francesa faz fronteira com os estados brasileiros do Amapá e do Pará, além do Suriname.
Sua capital é Caiena, e o território possui cerca de 300 mil habitantes.
Por integrar a França, a moeda oficial utilizada é o euro, e as leis francesas são aplicadas na região.
Ponte Binacional fortalece integração
A ligação entre Brasil e Guiana Francesa ganhou um importante impulso com a construção da Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque.
A estrutura conecta o município brasileiro de Oiapoque, no Amapá, à cidade francesa de Saint-Georges-de-l'Oyapock, facilitando o transporte terrestre entre os dois territórios.
Nos últimos anos, a ponte se consolidou como um importante corredor para o comércio, turismo e circulação de pessoas.
Com o fim da exigência de visto, a expectativa é que o movimento na região aumente significativamente.
Turismo pode ser um dos setores mais beneficiados
Especialistas avaliam que o turismo será um dos segmentos mais favorecidos pela nova política migratória.
A Guiana Francesa possui diversas atrações naturais e históricas que despertam interesse de visitantes.
Entre os principais atrativos estão:
- florestas amazônicas preservadas;
- parques naturais;
- praias;
- centros históricos;
- reservas ambientais;
- o famoso Centro Espacial de Kourou, de onde partem lançamentos de foguetes da Agência Espacial Europeia.
Além disso, brasileiros residentes na região Norte poderão realizar viagens de curta duração com muito mais facilidade.
Comércio e economia também devem ganhar impulso
A eliminação da exigência de visto tende a facilitar relações comerciais entre empresas brasileiras e francesas instaladas na Guiana Francesa.
Empresários poderão participar de reuniões, eventos e negociações com menor burocracia.
A expectativa é que pequenos comerciantes da região de fronteira também sejam beneficiados pelo aumento da circulação de consumidores.
O fortalecimento das atividades econômicas poderá gerar novas oportunidades de emprego e incentivar investimentos locais.
Cooperação contra o crime organizado
Além da facilitação das viagens, o acordo firmado entre Brasil e França estabelece uma agenda de cooperação em segurança pública.
A região de fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa enfrenta desafios relacionados ao garimpo ilegal, tráfico de drogas, contrabando, crimes ambientais e outras atividades criminosas transnacionais.
Os dois governos pretendem ampliar o compartilhamento de informações, fortalecer operações conjuntas e intensificar ações de fiscalização na região amazônica.
Especialistas destacam que a integração entre as forças de segurança pode aumentar a eficiência no combate às organizações criminosas que atuam na fronteira.

