O Governo Federal registrou superavit primário de R$ 25,2 bilhões em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (28). O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo havia sido de R$ 18,2 bilhões.
O desempenho também ficou levemente acima das expectativas do mercado financeiro. A mediana das projeções apontava para um superavit de R$ 24,7 bilhões no mês.
O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Quando as receitas superam os gastos, há superavit. Quando ocorre o contrário, o resultado é deficitário.
Acumulado do ano preocupa equipe econômica
Apesar do avanço registrado em abril, o cenário acumulado de 2026 continua pressionando as contas públicas. Entre janeiro e abril, o Governo Central registrou superavit de R$ 8,7 bilhões. No mesmo período do ano passado, o saldo positivo havia sido de R$ 73,2 bilhões.
A queda acumulada chega a 88,1% em termos nominais e amplia a pressão sobre o cumprimento da meta fiscal estabelecida para este ano.
Segundo o Tesouro Nacional, a piora nas contas públicas é explicada principalmente pelo aumento de despesas obrigatórias, incluindo gastos previdenciários, precatórios e sentenças judiciais.
Alta na arrecadação ajudou resultado de abril
O desempenho positivo de abril foi impulsionado pelo crescimento da arrecadação federal. Houve aumento nas receitas obtidas por meio do Imposto sobre a Renda, Cofins, IOF e contribuições ao Regime Geral de Previdência Social.
O IOF teve destaque no período, registrando crescimento real de 29,5% em comparação com abril de 2025. O avanço foi favorecido pelas operações de crédito e pela saída de moeda estrangeira após mudanças legislativas implementadas no ano passado.
Em contrapartida, as receitas com dividendos e participações sofreram forte retração. A queda foi de 82,4%, influenciada principalmente pela redução dos repasses feitos por empresas estatais. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, não realizou envio de dividendos no mês.
Despesas continuam em alta
Do lado das despesas, os gastos com benefícios previdenciários cresceram 3,4% acima da inflação em abril. Já as despesas com pessoal e encargos sociais apresentaram alta de 9,8%.
No acumulado do ano, as despesas totais avançaram 14,2% em termos reais. O principal impacto veio do pagamento antecipado de precatórios e decisões judiciais.
O Tesouro Nacional informou ainda que o deficit primário acumulado em 12 meses até abril alcançou R$ 130,6 bilhões, o equivalente a 0,97% do Produto Interno Bruto (PIB).
Meta fiscal segue sob pressão
Mesmo com o resultado positivo de abril, o governo segue enfrentando dificuldades para equilibrar as contas públicas ao longo de 2026. O relatório bimestral de receitas e despesas do Governo Federal projeta um deficit de R$ 60,3 bilhões para o fechamento do ano.
Os números divulgados pelo Tesouro reforçam o desafio da equipe econômica para controlar o crescimento das despesas obrigatórias e manter a trajetória fiscal dentro das metas previstas para os próximos meses.

