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Governo diz que classificação de PCC e CV como terroristas pode afetar o Pix

Planalto critica decisão dos Estados Unidos e afirma que medida pode trazer impactos econômicos, financeiros e tecnológicos para o Brasil.

Governo diz que classificação de PCC e CV como terroristas pode afetar o Pix
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O governo federal criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirmou que a medida pode gerar consequências que vão além do combate ao crime organizado.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (29), a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a classificação adotada pelo governo americano pode afetar o sistema financeiro brasileiro e até mesmo inovações nacionais, como o Pix.

Segundo o texto, a medida representa um risco para a economia e pode trazer efeitos indesejados para áreas estratégicas do país. O governo argumenta que determinadas iniciativas brasileiras já enfrentam resistência de interesses estrangeiros e cita o sistema de pagamentos instantâneos como exemplo.

“Trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, destacou a nota oficial.

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Pix volta ao centro das tensões entre Brasil e EUA

A menção ao Pix ocorre em um momento de crescente atrito entre Brasil e Estados Unidos sobre temas econômicos e tecnológicos. Nos últimos meses, o sistema brasileiro de pagamentos passou a ser alvo de críticas por parte de autoridades americanas.

Em relatório divulgado pela Casa Branca, o Pix foi apontado como um fator que teria impactado empresas norte-americanas do setor de cartões de crédito e débito. O documento argumenta que a expansão do sistema brasileiro alterou significativamente a dinâmica do mercado de pagamentos eletrônicos.

No ano passado, a administração do presidente Donald Trump incluiu o Pix em uma investigação comercial aberta contra o Brasil, classificando o mecanismo como uma possível prática considerada desfavorável aos interesses de empresas americanas.

Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se tornou um dos sistemas de pagamento mais utilizados do mundo. Atualmente, bilhões de transações são realizadas mensalmente por pessoas físicas, empresas e órgãos públicos em todo o território nacional.

Classificação amplia poder de sanção dos EUA

A controvérsia surgiu após o governo americano anunciar oficialmente a inclusão do PCC e do Comando Vermelho em duas listas ligadas ao combate ao terrorismo internacional.

As facções brasileiras passarão a integrar as categorias de Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A decisão amplia os instrumentos jurídicos disponíveis para as autoridades americanas e permite a adoção de sanções financeiras, bloqueio de ativos e investigações contra pessoas e empresas que mantenham relações com integrantes dos grupos.

Segundo o Departamento de Estado, a medida busca combater organizações criminosas com atuação transnacional e dificultar operações relacionadas ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes que afetam a segurança dos Estados Unidos.

A partir da entrada em vigor da classificação, prevista para 5 de junho, indivíduos e instituições que prestarem apoio material ou financeiro às organizações poderão ser alvo de punições administrativas e criminais.

Governo teme impactos na cooperação internacional

Autoridades brasileiras avaliam que a classificação pode criar dificuldades em mecanismos de cooperação internacional já existentes entre Brasil e Estados Unidos.

A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de que instrumentos originalmente voltados ao combate ao terrorismo passem a ser utilizados em investigações envolvendo organizações criminosas comuns, gerando conflitos jurídicos entre diferentes sistemas legais.

Integrantes do governo argumentam que PCC e Comando Vermelho já são tratados pelas autoridades brasileiras como organizações criminosas e que os instrumentos atualmente disponíveis permitem o enfrentamento das facções sem necessidade de classificações ligadas ao terrorismo.

Especialistas em direito internacional também acompanham os possíveis efeitos da decisão sobre acordos de cooperação policial, compartilhamento de informações financeiras e procedimentos de extradição.

Lula critica decisão americana

Durante agenda oficial em Sergipe nesta sexta-feira, Lula comentou publicamente a decisão do governo americano e demonstrou preocupação com os desdobramentos da medida.

O presidente afirmou que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça para a sociedade brasileira, mas criticou a forma como o tema vem sendo tratado por autoridades dos Estados Unidos.

Lula também mencionou declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e demonstrou preocupação com possíveis interpretações que possam abrir espaço para interferências externas em assuntos relacionados à segurança pública brasileira.

Segundo o presidente, o combate às organizações criminosas deve ocorrer com respeito à soberania nacional e às instituições responsáveis pela segurança pública no Brasil.

Encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro aumentou repercussão

A decisão dos Estados Unidos ganhou ainda mais repercussão após o senador Flávio Bolsonaro afirmar que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

O encontro entre os dois ocorreu na Casa Branca poucos dias antes do anúncio oficial das novas medidas.

A revelação ampliou o debate político sobre o tema e provocou reações tanto de apoiadores quanto de críticos da iniciativa.

Enquanto o governo americano sustenta que a classificação fortalece o combate ao crime organizado internacional, integrantes do governo brasileiro avaliam que a medida pode gerar efeitos econômicos, financeiros e diplomáticos que ainda precisarão ser analisados nos próximos meses.

Com a entrada em vigor prevista para junho, autoridades dos dois países acompanham os possíveis impactos da decisão sobre a cooperação bilateral, o sistema financeiro e as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.


Com informações da Agência Brasil