O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente-executivo do Google, Sundar Pichai, recusou sua proposta para alterar o nome do Oceano Atlântico para “Oceano Americano” no Google Maps.
A declaração foi feita durante um comício na Carolina do Sul, na quarta-feira (21), quando Trump relatou uma conversa que teria mantido com o executivo da gigante de tecnologia.
Segundo o presidente americano, Pichai explicou que a mudança não seria apropriada porque os oceanos abrangem diversos países e possuem importância geográfica internacional.
O episódio ganhou repercussão após outras iniciativas do governo Trump para modificar nomes de regiões geográficas, incluindo o Golfo do México e o Lago Ontário.
Até o momento, a conversa foi relatada pelo próprio Trump, sem confirmação pública independente do Google sobre os detalhes da ligação.
Trump conta como foi a conversa com o CEO do Google
Durante seu discurso, Donald Trump afirmou que havia considerado seriamente a possibilidade de modificar a identificação do Oceano Atlântico.
O presidente lembrou que o Google Maps já havia atendido a mudanças anteriores determinadas pelo governo americano, o que teria motivado uma nova conversa com Sundar Pichai.
Segundo o relato apresentado no comício, Trump perguntou ao executivo se seria possível fazer uma alteração semelhante no Atlântico.
Pichai teria respondido negativamente, argumentando que os oceanos possuem características diferentes das de lagos e golfos por se estenderem por diversas nações.
Trump também mencionou a possibilidade de utilizar nomes como “Oceano Trump” e “Oceano das Américas”, alternativas que já havia sugerido em discursos anteriores.
Após contar a suposta resposta do executivo, o presidente indicou que provavelmente abandonaria a ideia de alterar o nome do Atlântico.
A proposta de Trump ocorre após uma mudança realizada pelo Google Maps em fevereiro de 2025.
Na ocasião, o governo americano determinou que o Golfo do México passasse a ser chamado oficialmente de “Golfo da América” nos registros federais dos Estados Unidos.
Após a atualização da base governamental de nomes geográficos, o Google modificou a identificação da região em sua plataforma.
Entretanto, a mudança não foi aplicada igualmente em todos os países.
Segundo comunicado oficial da empresa:
- Nos Estados Unidos, o Google Maps passou a mostrar “Golfo da América”.
- No México, o nome exibido continuou sendo “Golfo do México”.
- Em outros países, a plataforma passou a apresentar as duas denominações.
A empresa explicou que utiliza referências oficiais e critérios regionais para determinar quais nomes geográficos são exibidos aos usuários.
Oceano Atlântico é compartilhado por diversos continentes
O Oceano Atlântico é uma das maiores extensões oceânicas do planeta e separa principalmente as Américas da Europa e da África.
Suas águas banham dezenas de países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Argentina e África do Sul.
A importância internacional da região torna sua denominação uma questão mais ampla do que uma decisão administrativa de um único governo.
Embora países possam adotar nomes específicos em documentos e mapas oficiais, isso não significa que outras nações ou plataformas internacionais sejam obrigadas a utilizar a mesma nomenclatura.
O nome Oceano Atlântico possui tradição histórica e reconhecimento internacional, sendo amplamente utilizado em sistemas cartográficos, publicações científicas e documentos de navegação.
Por essa razão, uma eventual alteração unilateral feita pelos Estados Unidos não representaria, automaticamente, uma mudança reconhecida mundialmente.
Trump também cogitou mudar o nome do Oceano Pacífico
Além do Atlântico, Trump mencionou o Oceano Pacífico como outra possibilidade de mudança.
Durante manifestações públicas realizadas em outubro, o presidente chegou a sugerir que um dos dois oceanos pudesse receber uma denominação relacionada aos Estados Unidos ou ao seu próprio sobrenome.
Em 11 de outubro, durante um comício no Tennessee, Trump já havia comentado a ideia de utilizar nomes como “Oceano Trump” ou “Oceano das Américas”.
Em outro discurso, realizado em 16 de outubro, afirmou que havia apresentado a sugestão ao Google em tom de brincadeira.
As manifestações demonstram que o assunto vinha sendo abordado pelo presidente antes da declaração desta quarta-feira.
Google pode ser obrigado a mudar nomes geográficos?
O Google Maps utiliza diferentes fontes para definir a identificação de países, cidades, mares e outras regiões.
Nos Estados Unidos, uma das principais referências é o Geographic Names Information System (GNIS), sistema federal utilizado para padronizar nomes geográficos.
Entretanto, as informações apresentadas globalmente também consideram padrões internacionais, denominações locais e diferenças territoriais.
Isso significa que uma decisão do governo americano não obriga necessariamente o Google a modificar a identificação de uma região em todos os países.
No caso do Golfo do México, a empresa adotou nomes diferentes conforme a localização do usuário.
Já para o Oceano Atlântico, não foi anunciada qualquer alteração oficial na plataforma relacionada ao pedido relatado por Trump.
Oceano Atlântico continuará com nome atual
Apesar da repercussão internacional, a proposta não resultou em uma mudança no Google Maps.
O episódio evidencia a diferença entre alterações realizadas nos registros geográficos nacionais e a identificação de áreas compartilhadas internacionalmente.
A conversa descrita por Trump também mostra como grandes plataformas digitais participam da representação de territórios e nomes geográficos utilizados por milhões de pessoas.
Por enquanto, o Oceano Atlântico continua identificado pelo nome tradicional, sem anúncio de alteração pela empresa.

