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França recomenda toque de recolher após onda de violência deixar 2.400 presos e quase mil policiais feridos

Governo francês adota medidas emergenciais após fim de semana marcado por protestos, saques e incêndios. Presidente Emmanuel Macron rejeita renúncia do ministro do Interior, enquanto sindicatos convocam novas manifestações para novembro.

França recomenda toque de recolher após onda de violência deixar 2.400 presos e quase mil policiais feridos

Um manifestante segura uma bandeira francesa ao lado de objetos em chamas em meio a confrontos em uma rua perto da Praça da República durante um dia de protestos contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis em Paris, em 17 de outubro de 2026. · REUTERS

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A França enfrenta uma grave crise de segurança pública após um fim de semana de protestos violentos, saques e confrontos com a polícia. Nesta segunda-feira (19), o governo francês recomendou que autoridades locais adotem toques de recolher em áreas consideradas críticas, numa tentativa de conter novos episódios de violência.

Segundo o Ministério do Interior, aproximadamente 2.400 pessoas foram detidas, quase mil policiais ficaram feridos e um manifestante morreu durante os distúrbios registrados em várias regiões do país.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que o governo está determinado a restabelecer a ordem, mas descartou, por enquanto, a imposição de um toque de recolher em toda a capital, Paris.

A crise ocorre em meio à insatisfação popular com o aumento do custo de vida, a deterioração dos serviços públicos e as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país.

Governo considera toque de recolher e não descarta estado de emergência

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu defendeu medidas de segurança direcionadas às regiões mais atingidas pelos confrontos.

Segundo ele, os toques de recolher deverão ser limitados a determinados locais e períodos, evitando restrições generalizadas à circulação da população.

O governo também não descartou a possibilidade de decretar estado de emergência caso a violência continue.

A cidade de Marselha, no sul do país, já adotou restrições a aglomerações e manifestações.

O prefeito socialista Ariel Weil, responsável por uma região central de Paris, também manifestou apoio à adoção de toque de recolher.

As medidas pretendem evitar novos episódios de vandalismo e proteger estabelecimentos comerciais, edifícios públicos e moradores.

Quase 3 mil lojas foram atingidas pelos tumultos

A Federação do Comércio e Varejo da França informou que quase 3 mil estabelecimentos comerciais foram afetados pelos episódios de violência.

Em Paris, vitrines de lojas de luxo foram danificadas na região da Place Vendôme, conhecida por reunir marcas internacionais e hotéis de alto padrão.

Estabelecimentos de empresas como Dior, Rolex, Louis Vuitton, Gucci e Ralph Lauren registraram danos.

Em Marselha, a loja oficial do clube de futebol Olympique de Marseille também foi saqueada.

Na cidade de Limoges, um incêndio atingiu o prédio histórico da prefeitura, ampliando a preocupação das autoridades com os ataques a edifícios públicos.

Representantes do comércio solicitaram medidas emergenciais de apoio financeiro e alívio tributário às empresas prejudicadas.

Macron rejeita renúncia do ministro do Interior

O presidente francês Emmanuel Macron recusou o pedido de demissão apresentado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez.

A decisão foi anunciada após críticas à atuação das forças de segurança durante os confrontos.

Macron determinou que o ministro concentre esforços na recuperação da ordem pública e esclareça possíveis falhas na inteligência e na preparação policial.

Embora cerca de 60 mil agentes tenham sido mobilizados no sábado, as forças de segurança não conseguiram impedir os saques e a destruição em diferentes cidades.

Prefeitos de Paris, Marselha e Lyon criticaram a resposta das autoridades nacionais, afirmando que determinadas áreas ficaram sem proteção adequada.

O governo reconheceu dificuldades operacionais e prometeu rever os procedimentos de segurança.

Governo atribui parte da violência a grupos de extrema esquerda

Sébastien Lecornu responsabilizou grupos de extrema esquerda por parte dos confrontos, acusando integrantes desses movimentos de tentar ampliar a instabilidade política.

O líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon contestou as declarações e exigiu a apresentação de provas.

Os protestos começaram em meio à insatisfação de estudantes e trabalhadores com as condições dos serviços públicos, o custo de vida e os preços dos combustíveis.

É importante distinguir as manifestações pacíficas, protegidas pelo direito de protesto, dos episódios de violência e depredação investigados pelas autoridades.

Os sindicatos franceses anunciaram uma nova mobilização nacional para 5 de novembro, indicando que a tensão social poderá continuar nas próximas semanas.

Instabilidade política também preocupa investidores

A onda de violência atingiu os mercados financeiros franceses nesta segunda-feira.

O euro perdeu valor diante do dólar, enquanto ações de empresas francesas e títulos públicos sofreram pressão.

A turbulência ocorre em um momento de baixo crescimento econômico, aumento da dívida pública e discussões sobre o orçamento nacional.

A crise também amplia as dificuldades políticas enfrentadas pelo governo Macron, a aproximadamente seis meses da eleição presidencial francesa de 2027.

França mantém eventos e reforça alertas a turistas

Apesar da instabilidade, o governo informou que a partida da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Barcelona, prevista para terça-feira (20), será mantida.

Diversos países europeus recomendaram que cidadãos em viagem à França evitem manifestações, aglomerações e áreas próximas a confrontos.

Na capital francesa, protestos estudantis também provocaram interrupções em instituições como o Museu do Louvre e a universidade Sciences Po.

Enquanto isso, Macron iniciou uma viagem ao Kuwait para discutir o fornecimento de combustíveis e buscar alternativas para aliviar os preços da energia.

O governo francês enfrenta agora o desafio de restabelecer a segurança, preservar o direito às manifestações e responder às reivindicações econômicas que deram origem aos protestos.