O governo da França anunciou nesta terça-feira (20) que mobilizará militares para reforçar a segurança durante as manifestações previstas para o próximo sábado, 24 de outubro. A decisão foi tomada após um fim de semana de protestos violentos, saques, incêndios e confrontos com forças policiais em diversas cidades francesas.
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, integrantes da Operação Sentinelle serão deslocados para proteger instalações estratégicas e substituir policiais em determinadas atividades de vigilância.
A medida permitirá que agentes da polícia nacional e da Gendarmaria Nacional Francesa concentrem seus esforços na manutenção da ordem pública e na prevenção de novos confrontos.
O anúncio ocorre depois que aproximadamente 2.500 pessoas foram colocadas sob custódia policial durante os distúrbios que atingiram o país. Centenas de estabelecimentos foram saqueados, enquanto prédios públicos e veículos sofreram danos.
Governo francês promete reforço de segurança para sábado
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que a presença policial durante as próximas manifestações será ampliada significativamente.
Segundo o governo, o objetivo é evitar a repetição dos episódios de violência registrados nos dias 17 e 18 de outubro, quando autoridades locais relataram dificuldades para proteger regiões centrais de grandes cidades.
Durante manifestação na Assembleia Nacional, Laurent Nuñez explicou que a participação militar será destinada principalmente a atividades de proteção e vigilância, liberando policiais especializados para atuar diretamente no controle das manifestações.
A mobilização ocorre diante de novas convocações de protestos feitas por organizações estudantis e movimentos sociais, incluindo grupos ligados aos chamados Coletes Amarelos.
O que é a Operação Sentinelle?
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A Operação Sentinelle é uma missão militar francesa criada em 2015 para reforçar a proteção do território nacional, especialmente após ataques terroristas.
Seus integrantes atuam no patrulhamento e na segurança de locais considerados sensíveis, como estações ferroviárias, aeroportos, edifícios públicos e pontos turísticos.
No contexto atual, os militares não substituirão integralmente a polícia no controle das manifestações. A proposta é que assumam tarefas de proteção, permitindo maior disponibilidade de policiais e gendarmes para atuar em áreas com risco de confrontos.
Paris e Lyon mantêm toques de recolher
Além do reforço militar, autoridades francesas ampliaram restrições temporárias à circulação em regiões afetadas pela violência.
Em determinados bairros de Paris e Lyon, foram adotados toques de recolher noturnos para reduzir o risco de novos tumultos.
Conforme a Associated Press, algumas restrições são aplicadas entre 21h e 6h, dependendo da cidade e das determinações locais.
Em Lille, no norte do país, as restrições atingem especialmente menores de idade. Já em Marselha, autoridades anunciaram medidas semelhantes em áreas comerciais.
O primeiro-ministro afirmou que os toques de recolher seletivos contribuíram para reduzir a violência durante a noite de segunda-feira (19).
As restrições poderão ser mantidas ou ampliadas caso as autoridades considerem necessário.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que 149 pessoas estavam presas aguardando julgamento e mais de 800 enfrentavam procedimentos judiciais relacionados aos tumultos.
As autoridades também investigam incêndios em prédios públicos, incluindo o ocorrido na histórica prefeitura de Limoges.
A Federação Francesa do Comércio e Varejo estima que aproximadamente 3 mil estabelecimentos tenham sido atingidos durante o fim de semana de violência.
Aumento do custo de vida impulsiona manifestações
A onda de protestos começou com mobilizações estudantis contra a deterioração de instalações escolares e problemas no sistema educacional.
Posteriormente, as manifestações passaram a reunir reivindicações relacionadas ao aumento do custo de vida, aos preços dos combustíveis, à moradia e à qualidade dos serviços públicos.
A insatisfação ganhou força em meio às dificuldades econômicas francesas e às discussões sobre cortes orçamentários.
Apesar dos episódios de violência, grande parte das reivindicações envolve demandas sociais e econômicas. As autoridades investigam separadamente os atos de vandalismo, saques e agressões registrados durante os protestos.
Macron enfrenta pressão política após falhas de segurança
O presidente Emmanuel Macron enfrenta críticas pela resposta das forças de segurança aos tumultos.
Após reconhecer falhas na preparação policial, Laurent Nuñez colocou seu cargo à disposição, mas Macron recusou a renúncia.
O governo prometeu investigar os problemas de planejamento e reforçar a proteção das cidades.
A crise acontece aproximadamente seis meses antes das eleições presidenciais francesas de 2027, ampliando as pressões políticas sobre o Executivo.
Enquanto os toques de recolher contribuem para uma relativa redução dos confrontos, a atenção das autoridades está voltada ao próximo sábado (24), quando novas manifestações poderão testar a eficácia das medidas anunciadas.

