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França mobilizará militares para conter novos protestos após onda de violência e mais de 2.500 detenções

Governo francês anuncia reforço da segurança para manifestações previstas para sábado (24). Tropas da Operação Sentinelle serão mobilizadas, enquanto cidades como Paris e Lyon mantêm toques de recolher em áreas afetadas pelos tumultos.

França mobilizará militares para conter novos protestos após onda de violência e mais de 2.500 detenções

Um grupo de policiais enfrenta manifestantes e saqueadores; uma barricada de bicicletas elétricas em chamas, cujas baterias explodem com labaredas que atingem o alto · AFP

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O governo da França anunciou nesta terça-feira (20) que mobilizará militares para reforçar a segurança durante as manifestações previstas para o próximo sábado, 24 de outubro. A decisão foi tomada após um fim de semana de protestos violentos, saques, incêndios e confrontos com forças policiais em diversas cidades francesas.

Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, integrantes da Operação Sentinelle serão deslocados para proteger instalações estratégicas e substituir policiais em determinadas atividades de vigilância.

A medida permitirá que agentes da polícia nacional e da Gendarmaria Nacional Francesa concentrem seus esforços na manutenção da ordem pública e na prevenção de novos confrontos.

O anúncio ocorre depois que aproximadamente 2.500 pessoas foram colocadas sob custódia policial durante os distúrbios que atingiram o país. Centenas de estabelecimentos foram saqueados, enquanto prédios públicos e veículos sofreram danos.

Governo francês promete reforço de segurança para sábado

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que a presença policial durante as próximas manifestações será ampliada significativamente.

Segundo o governo, o objetivo é evitar a repetição dos episódios de violência registrados nos dias 17 e 18 de outubro, quando autoridades locais relataram dificuldades para proteger regiões centrais de grandes cidades.

Durante manifestação na Assembleia Nacional, Laurent Nuñez explicou que a participação militar será destinada principalmente a atividades de proteção e vigilância, liberando policiais especializados para atuar diretamente no controle das manifestações.

A mobilização ocorre diante de novas convocações de protestos feitas por organizações estudantis e movimentos sociais, incluindo grupos ligados aos chamados Coletes Amarelos.

O que é a Operação Sentinelle?

 © Sipa

A Operação Sentinelle é uma missão militar francesa criada em 2015 para reforçar a proteção do território nacional, especialmente após ataques terroristas.

Seus integrantes atuam no patrulhamento e na segurança de locais considerados sensíveis, como estações ferroviárias, aeroportos, edifícios públicos e pontos turísticos.

No contexto atual, os militares não substituirão integralmente a polícia no controle das manifestações. A proposta é que assumam tarefas de proteção, permitindo maior disponibilidade de policiais e gendarmes para atuar em áreas com risco de confrontos.

Paris e Lyon mantêm toques de recolher

Além do reforço militar, autoridades francesas ampliaram restrições temporárias à circulação em regiões afetadas pela violência.

Em determinados bairros de Paris e Lyon, foram adotados toques de recolher noturnos para reduzir o risco de novos tumultos.

Conforme a Associated Press, algumas restrições são aplicadas entre 21h e 6h, dependendo da cidade e das determinações locais.

Em Lille, no norte do país, as restrições atingem especialmente menores de idade. Já em Marselha, autoridades anunciaram medidas semelhantes em áreas comerciais.

O primeiro-ministro afirmou que os toques de recolher seletivos contribuíram para reduzir a violência durante a noite de segunda-feira (19).

As restrições poderão ser mantidas ou ampliadas caso as autoridades considerem necessário. 


O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que 149 pessoas estavam presas aguardando julgamento e mais de 800 enfrentavam procedimentos judiciais relacionados aos tumultos.

As autoridades também investigam incêndios em prédios públicos, incluindo o ocorrido na histórica prefeitura de Limoges.

A Federação Francesa do Comércio e Varejo estima que aproximadamente 3 mil estabelecimentos tenham sido atingidos durante o fim de semana de violência. 

Aumento do custo de vida impulsiona manifestações

A onda de protestos começou com mobilizações estudantis contra a deterioração de instalações escolares e problemas no sistema educacional.

Posteriormente, as manifestações passaram a reunir reivindicações relacionadas ao aumento do custo de vida, aos preços dos combustíveis, à moradia e à qualidade dos serviços públicos.

A insatisfação ganhou força em meio às dificuldades econômicas francesas e às discussões sobre cortes orçamentários.

Apesar dos episódios de violência, grande parte das reivindicações envolve demandas sociais e econômicas. As autoridades investigam separadamente os atos de vandalismo, saques e agressões registrados durante os protestos.

Macron enfrenta pressão política após falhas de segurança

O presidente Emmanuel Macron enfrenta críticas pela resposta das forças de segurança aos tumultos.

Após reconhecer falhas na preparação policial, Laurent Nuñez colocou seu cargo à disposição, mas Macron recusou a renúncia.

O governo prometeu investigar os problemas de planejamento e reforçar a proteção das cidades.

A crise acontece aproximadamente seis meses antes das eleições presidenciais francesas de 2027, ampliando as pressões políticas sobre o Executivo.

Enquanto os toques de recolher contribuem para uma relativa redução dos confrontos, a atenção das autoridades está voltada ao próximo sábado (24), quando novas manifestações poderão testar a eficácia das medidas anunciadas.